93% dos baleados dentro de casa foram atingidos em ações policiais, aponta o Instituto Fogo Cruzado.
A violência armada dentro de residências segue avançando e fazendo vítimas na região metropolitana de Belém. Ao longo do mês de junho, 14 pessoas foram baleadas nesses espaços, e todas morreram. Entre os atingidos, 93% das vítimas foram baleadas em meio a ações e operações policiais, totalizando 13 pessoas.
O número de vítimas é 367% maior que o acumulado no mesmo período de 2025, quando três pessoas foram baleadas dentro de casa ao longo de junho. Comparado a todos os meses mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado desde o início do monitoramento da região metropolitana de Belém, em novembro de 2023, o número de vítimas em junho deste ano é o maior da série histórica do Instituto, com 14 pessoas baleadas.
Para Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará, o aumento das vítimas dentro de residências evidencia a necessidade de rever a forma como as operações policiais são conduzidas. “O crescimento da violência armada dentro de residências revela uma crise que vai além da segurança pública. Ela expõe a ausência de governança territorial em áreas onde o Estado chega apenas de forma reativa e armada. Quando a maioria das vítimas baleadas dentro de casa é atingida em ações policiais, o debate sobre os limites e protocolos dessas operações se torna inadiável. Não se trata de questionar a necessidade da atuação policial, mas de exigir que ela seja conduzida com o máximo de proteção à todas as vidas. Nenhuma operação bem planejada deveria resultar em civis baleados em suas próprias casas ou na vulnerabilidade de familiares ou vizinhos,, e quando isso se torna recorrente, precisamos rever desde a inteligência que orienta essas ações até os critérios de acionamento. Reconstruir a confiança nas instituições exige transparência, responsabilização e apoio às famílias afetadas”, avalia Eryck.
As ações policiais ocorridas na região metropolitana de Belém também chamaram atenção. Em junho deste ano, elas foram responsáveis por metade dos tiroteios ocorridos ao longo do mês. Ao todo, dos 38 registros mapeados, 19 ocorreram em meio a estas ações.
O número de registros se iguala ao mapeado no mesmo período de 2025, quando também foram contabilizados 38 tiroteios. O número de baleados, por outro lado, apresentou um aumento de 9%, segundo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Este ano, em junho, 37 pessoas foram atingidas por disparos de armas de fogo, das quais 34 morreram e três ficaram feridas. Em 2025, no mesmo período, foram 34 pessoas baleadas, sendo que 28 morreram e seis ficaram feridas.
Dados detalhados
Municípios
Entre os municípios que compõem a região metropolitana de Belém, a capital concentrou 66% dos registros. Os municípios afetados pela violência armada foram:
- Belém: 25 tiroteios, 22 mortos e 3 feridos
- Ananindeua: 5 tiroteios e 4 mortos
- Barcarena: 2 tiroteios e 2 mortos
- Marituba: 2 tiroteios e 2 mortos
- Santa Izabel do Pará: 2 tiroteios e 1 morto
- Castanhal: 1 tiroteio e 2 mortos
- Benevides: 1 tiroteio e 1 morto
Bairros
Os bairros da região metropolitana de Belém que mais registraram tiroteios ao longo do mês de junho foram:
- Cabanagem (Belém): 3 tiroteios e 3 mortos
- Campina de Icoaraci (Belém): 2 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
- Curió-Utinga (Belém): 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
- Fátima (Belém): 2 tiroteios e 3 mortos
- Guamá (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos
- Marco (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos
- Tapanã (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.
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