Publicação inédita detalha histórico, efeitos e intersecções da economia da cocaína com crimes ambientais, violência territorial e a crise climática.
A fragmentação dos cartéis colombianos e repressão nas zonas de cultivo de coca e produção de pasta base criaram um “efeito-balão” que transferiu parte da cadeia industrial para países vizinhos, em especial o Brasil.
O total de estruturas de processamento de cocaína no país pode chegar a 5 mil, com faturamento anual de USD 6 bilhões. O levantamento exclusivo mapeou 550 laboratórios identificados ao longo de cinco anos, constatando que o Brasil, além de grande consumidor de cocaína, tem papel crescente como hub global de distribuição da droga.
A Europa e o Reino Unido são os principais destinos da cocaína que passa pelo Brasil, com tendência de alta no consumo e na pureza, além de estabilidade nos preços da droga no varejo.
A análise também mostra que rotas secundárias operadas por grupos brasileiros via países africanos rumo à Europa e novos mercados na Ásia ampliam os desafios para o controle do tráfico transatlântico.
Às vésperas da COP 30 na Amazônia, um time internacional de especialistas aponta a proibição como vetor da crise climática e alerta para a urgência de incluir a reforma das políticas de drogas e a redução de danos ecológicos como parte de estratégias de mitigação e adaptação.