- Primeiro semestre de 2024 registra a menor quantidade de tiroteios para o período desde 2017, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado
- 33% dos tiroteios ocorreram durante ações/operações policiais
- 55% dos baleados foram atingidos em ações/operações policiais
Os primeiros seis meses de 2024 ficaram marcados pela queda nos índices de violência armada na região metropolitana do Rio de Janeiro. Apesar disso, as ações/operações policiais continuam sendo o principal motivo dos registros mapeados, respondendo por ⅓ dos tiroteios e por mais da metade dos baleados no período. Os dados fazem parte do relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado.
Com média de sete registros por dia, o primeiro semestre de 2024 acumulou 1.346 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro. O número indica queda de 24%, em comparação com o mesmo período de 2023, que acumulou 1.777 tiroteios. Este é o menor número de tiroteios registrado em um primeiro semestre na série histórica do Fogo Cruzado. A queda de tiroteios reflete ainda nos números de mortos e feridos. Veja o comparativo com os anos anteriores:
- 2024 (janeiro a junho): 1.346 tiroteios, 370 mortos e 362 feridos
- 2023 (janeiro a junho): 1.777 tiroteios, 578 mortos e 531 feridos
- 2022 (janeiro a junho): 1.830 tiroteios, 502 mortos e 450 feridos
- 2021 (janeiro a junho): 2.785 tiroteios, 601 mortos e 541 feridos
- 2020 (janeiro a junho): 2.604 tiroteios, 518 mortos e 525 feridos
- 2019 (janeiro a junho): 4.174 tiroteios, 779 mortos e 735 feridos
- 2018 (janeiro a junho): 4.639 tiroteios, 793 mortos e 639 feridos
- 2017 (janeiro a junho): 2.352 tiroteios,641 mortos e 670 feridos
Entre os tiroteios mapeados de janeiro a junho, houve participação policial em 450 deles, o que representa 33% dos registros. Em média, é como se a cada três tiroteios, um ocorresse em meio a ações/operações policiais. Em 2023, nesse mesmo período, dos 1.777 tiroteios mapeados, 674 deles (38%) se deram nestas circunstâncias.
Nesse primeiro semestre, 732 pessoas foram baleadas: 370 morreram e 362 ficaram feridas. Houve queda de 36% entre os mortos e de 32% entre os feridos em comparação com o mesmo período de 2023, que acumulou 1.109 baleados, sendo 578 mortos e 531 feridos.
55% das vítimas de disparos de armas de fogo, registradas no semestre, foram atingidas durante ações/operações policiais: 161 morreram e 243 ficaram feridas. Em 2023, das 1.109 pessoas baleadas, 274 foram mortas e 383 ficaram feridas em ações/operações.
“A queda nos indicadores de violência armada é relevante e mais uma vez demonstram a importância da produção de dados com transparência e acessível para a população. Houve uma diminuição considerável em relação ao ano passado e os números mostram isso, mas não dá para analisar os números sem entender o contexto e o impacto da violência na vida da população como um todo. Não dá para ignorarmos os níveis inaceitáveis de mortos e feridos durante as ações policiais, tampouco o fato de que mesmo em queda, convivemos com índices muito altos. Basta lembrar que 58 pessoas foram vítimas de balas perdidas. Ou seja, há muito para ser feito. O Rio de Janeiro não tem, ainda, um plano de segurança pública voltado para preservar a vida e trazer mais segurança para a população”, avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.
O mapa da violência armada
Regiões
Entre as seis regiões que compõem o Grande Rio, a Zona Norte concentrou 39% do total de tiroteios, 30,5% dos mortos e 31% dos feridos mapeados no ano. A distribuição da violência armada no primeiro semestre de 2024 aconteceu da seguinte forma:
- Zona Norte (Capital): 522 tiroteios, 113 mortos e 112 feridos
- Zona Oeste (Capital): 382 tiroteios, 87 mortos e 94 feridos
- Baixada Fluminense: 269 tiroteios, 97 mortos e 84 feridos
- Leste Metropolitano: 115 tiroteios, 62 mortos e 64 feridos
- Centro (Capital): 45 tiroteios, 7 mortos e 6 feridos
- Zona Sul (Capital): 13 tiroteios, 4 mortos e 2 feridos
Municípios
O Rio de Janeiro concentrou 71% dos tiroteios, 57% dos mortos e 59% dos feridos mapeados no primeiro semestre do ano. Os municípios da região metropolitana do Rio mais afetados pela violência armada foram:
- Rio de Janeiro: 962 tiroteios, 211 mortos e 214 feridos
- São João de Meriti: 74 tiroteios, 14 mortos e 16 feridos
- São Gonçalo: 60 tiroteios, 19 mortos e 43 feridos
- Duque de Caxias: 46 tiroteios, 13 mortos e 17 feridos
- Nova Iguaçu: 38 tiroteios, 29 mortos e 4 feridos
Bairros
Os bairros da região metropolitana do Rio de Janeiro mais afetados pela violência armada no primeiro semestre são:
- Gardênia Azul (Rio de Janeiro): 45 tiroteios, 13 mortos e 5 feridos
- Itanhangá (Rio de Janeiro):43 tiroteios, 5 mortos e 6 feridos
- Maré (Rio de Janeiro): 39 tiroteios, 14 mortos e 11 feridos
- Brás de Pina (Rio de Janeiro): 37 tiroteios, 2 mortos e 4 feridos
- Vila Isabel (Rio de Janeiro): 36 tiroteios, 7 mortos e 2 feridos
Tiros em residências
Ao menos 18 pessoas foram baleadas, no primeiro semestre, quando estavam dentro de casa. 12 delas morreram e seis ficaram feridas. O número de pessoas baleadas dentro de casa caiu pela metade em comparação com os primeiros seis meses de 2023, quando das 36 pessoas baleadas, 26 morreram e 10 ficaram feridas.
Circunstâncias
Chacinas
64 pessoas foram mortas nas 19 chacinas ocorridas no primeiro semestre. Entre os casos, 11 ocorreram durante ações/operações policiais, deixando 39 mortos. Em 2023, nesse mesmo período, foram registradas 30 chacinas com 109 civis baleados. Entre os casos, 18 ocorreram em ações/operações, deixando 70 mortos.
Balas perdidas
58 pessoas foram vítimas de balas perdidas: 16 morreram e 42 ficaram feridas. Entre as vítimas, 30 foram atingidas em meio a ações/operações policiais: 10 morreram e 20 ficaram feridas.
Em 2023, no primeiro semestre, 92 pessoas foram vítimas de balas perdidas: 29 morreram e 63 ficaram feridas. Destas, 50 foram atingidas em meio a ações/operações policiais: 18 morreram e 32 ficaram feridas.
O perfil das vítimas
Agentes de segurança
45 agentes de segurança foram baleados na região metropolitana do Rio de Janeiro no primeiro semestre de 2024. Entre essas vítimas, 18 agentes morreram -quatro em serviço, 12 fora de serviço/de folga, um era aposentado/exonerado e um não teve o status de serviço revelado- e 27 ficaram feridos -15 em serviço e 12 fora de serviço/de folga.
Os policiais militares foram os mais afetados pela violência armada. Dos 45 agentes de segurança, 36 pertenciam à categoria, o que representa 80% dos agentes baleados: 15 morreram e 21 ficaram feridos.
Em 2023, no primeiro semestre, 68 agentes de segurança foram baleados, 31 agentes morreram -sete em serviço, 16 fora de serviço/de folga e oito eram aposentados/exonerados- e 37 ficaram feridos -23 em serviço, 12 fora de serviço/de folga e dois eram aposentados/exonerados).
Vítimas por faixa etária
12 crianças, 18 adolescentes e 21 idosos foram baleados na região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre as vítimas, duas crianças, 10 adolescentes e 12 idosos morreram.
Em 2023, entre janeiro e junho, 14 crianças, 26 adolescentes e 20 idosos foram baleados. Entre as vítimas, cinco crianças, 11 adolescentes e nove idosos morreram.
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios que produzimos mensalmente.
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