Relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado mostra que mês teve aumento no número de vítimas de balas perdidas e de baleados dentro de residências.
Os festejos de Carnaval no Grande Recife também foram marcados por episódios recorrentes de violência armada. Em fevereiro, 18 pessoas foram baleadas durante eventos ligados às comemorações, sete morreram e 11 ficaram feridas. As vítimas representam 13% de todas as pessoas atingidas por disparos na região metropolitana no período.
Os dados fazem parte do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, que identificou 144 pessoas baleadas no Grande Recife ao longo do mês. Desse total, 93 morreram e 51 ficaram feridas.
Uma das vítimas fatais foi o Eric Joaquim Xavier da Silva, de 18 anos, morto a tiros durante um evento carnavalesco realizado na Rua da Misericórdia, no Centro de Goiana, no dia 8. No ataque, uma menina de 12 anos e um comerciante de 59 anos também ficaram feridos.
Outro episódio ocorreu no Recife, onde Rayane Henrique de Moura, de 31 anos, foi morta a tiros durante um bloco de carnaval na Rua Egas Muniz, no bairro de Água Fria.
“Os dados relativos ao mês de fevereiro são desoladores e revelam um retrato do descontrole da violência armada na Região Metropolitana do Recife. É trágico constatar que momentos de lazer, vividos durante uma festividade tão importante e tradicional para Pernambuco como o carnaval, tenham sido literalmente invadidos por tiros que resultaram em vítimas. O lazer é um direito e garantir sua segurança é dever de quem governa”, avalia Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco.
Outro dado que chamou a atenção no levantamento mensal do Instituto foi o aumento expressivo no número de vítimas de balas perdidas. Em fevereiro de 2025, uma pessoa havia sido ferida nessas circunstâncias. Já em fevereiro deste ano, seis pessoas foram vítimas de balas perdidas, uma morreu e cinco ficaram feridas. Entre os casos registrados, quatro ocorreram durante o período de Carnaval, todas as vítimas sobreviveram.
Mas não foi só na rua que a população foi atingida. A violência dentro de casa também apresentou aumento no período. Ao todo, 19 pessoas foram baleadas enquanto estavam em suas residências ao longo do mês, 16 morreram e três ficaram feridas. Em fevereiro de 2025, haviam sido registradas 15 pessoas mortas dentro de casas.
De acordo com o Fogo Cruzado, ao longo de fevereiro, 116 tiroteios ou disparos de arma de fogo foram registrados na região metropolitana do Recife. O número é 8% menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando 126 ocorrências foram mapeadas. Apesar da redução, 96% dos registros tiveram vítimas.
Dados detalhados
Municípios
A capital concentrou 38% dos tiroteios mapeados ao longo do mês. Ao todo, 44 casos foram registrados no período. Entre os municípios mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado, os mais afetados pela violência armada foram:
- Recife: 44 tiroteios, 32 mortos e 18 feridos
- Jaboatão dos Guararapes: 23 tiroteios, 18 mortos e 11 feridos
- Cabo de Santo Agostinho: 15 tiroteios, 15 mortos e 7 feridos
- Paulista: 8 tiroteios, 7 mortos e 3 feridos
- Goiana: 5 tiroteios, 3 mortos e 5 feridos
- Olinda: 5 tiroteios e 5 mortos
Goiana, que deixou de fazer parte da região metropolitana do Recife em 2020, segue nos relatórios do Instituto Fogo Cruzado para manter a fidelidade da série histórica nos comparativos com períodos anteriores.
Bairros
Entre os bairros, os mais afetados pela violência armada foram:
- Ponte dos Carvalhos (Cabo de Santo Agostinho): 5 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido
- Goiana (Goiana): 4 tiroteios, 3 mortos e 3 feridos
- Muribeca (Jaboatão dos Guararapes): 4 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido
- Piedade (Jaboatão dos Guararapes): 4 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
- Água Fria (Recife): 4 tiroteios, 1 morto e 3 feridos
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.
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