O nono relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado de 2025 mostra que, ao menos, 12 trabalhadores informais foram baleados na região metropolitana do Recife durante o mês de setembro. Entre as vítimas, 10 morreram e dois ficaram feridos. O número de profissionais informais atingidos por disparos é 500% maior que o registrado no mesmo período de 2024, quando dois trabalhadores foram alvo da violência armada – um morto e um ferido.
Entre as vítimas registradas no mês, cinco eram motoboys/entregadores/mototaxistas; três, motoristas de aplicativo; dois eram vendedores ambulantes; e dois eram ajudantes de pedreiro.
“A violência armada é um risco para todos, mas os dados do relatório explicitam uma realidade cruel: trabalhadores informais, que na maioria das vezes utilizam a rua como espaço de trabalho, ficam ainda mais expostos. Pernambuco figura como um dos estados mais violentos do Brasil, e os números confirmam essa triste realidade, que afeta especialmente pessoas já vulnerabilizadas, seja do ponto de vista trabalhista ou mesmo da falta de acesso a segurança, que é um direito fundamental”, avalia Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco.
O mês em dados
Durante o mês de setembro, foram registrados 121 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Recife, segundo o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. O número é igual ao acumulado em setembro de 2024.
Houve vítimas em 99% dos tiroteios registrados no Grande Recife no mês. Ao todo, 132 pessoas foram baleadas, das quais 99 morreram e 33 ficaram feridas. O número de mortos apresentou queda de 7%, e o de feridos, aumento de 6%, em comparação com setembro de 2024, quando 137 pessoas foram baleadas, deixando 106 mortas e 31 feridas.
Em comparação com o mês de agosto, que acumulou 127 tiroteios e deixou 150 baleados (111 mortos e 39 feridos), setembro apresentou queda de 5% nos tiroteios, de 11% no número de mortos, e de 15% no número de feridos.
O mapa da violência armada
Municípios
Entre os municípios mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado, os mais afetados pela violência armada foram:
Recife: 43 tiroteios, 28 mortos e 17 feridos
Jaboatão dos Guararapes: 22 tiroteios, 17 mortos e 7 feridos
Cabo de Santo Agostinho: 10 tiroteios, 7 mortos e 3 feridos
Paulista: 9 tiroteios, 9 mortos e 1 ferido
Olinda: 8 tiroteios e 9 mortos
São Lourenço da Mata: 8 tiroteios, 7 mortos e 3 feridos
Bairros
Entre os bairros, os mais afetados pela violência armada foram:
Ponte dos Carvalhos (Cabo de Santo Agostinho): 4 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido
Muribeca (Jaboatão dos Guararapes): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos
Timbi (Camaragibe): 3 tiroteios e 3 mortos
Prazeres (Jaboatão dos Guararapes): 3 tiroteios e 3 mortos
Guabiraba (Recife): 3 tiroteios e 3 mortos
Cajueiro Seco (Jaboatão dos Guararapes): 3 tiroteios e 3 mortos
Ouro Preto (Olinda): 3 tiroteios e 3 mortos
Nova Descoberta (Recife): 3 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
O perfil da violência armada
Entre os 99 mortos na região metropolitana em setembro, 95 eram homens e quatro eram mulheres. Entre os 33 feridos, 30 eram homens e três eram mulheres.
Entre os 99 mortos, 66 eram negros, quatro brancos e 29 não tiveram a cor/raça revelada. Entre os 33 feridos, quatro eram negros e 29 não tiveram a cor/raça revelada.
Ao menos 10 adolescentes foram baleados no Grande Recife ao longo de setembro deste ano: nove morreram e um ficou ferido. No mesmo período de 2024, 11 adolescentes foram baleados, dos quais nove morreram e dois ficaram feridos.
Um idoso foi morto a tiros em setembro no Grande Recife, assim como no mesmo período de 2024.
Circunstância
Houve quatro registros de homicídios múltiplos na região metropolitana do Recife em setembro, que deixaram 10 pessoas mortas. Em setembro de 2024, também foram registrados quatro casos, com nove mortos no total.
Houve ainda três vítimas de bala perdida na região metropolitana do Recife que sobreviveram. Em setembro de 2024, quatro pessoas foram atingidas por balas perdidas: uma morreu e três ficaram feridas.
Além disso, seis pessoas foram baleadas após serem atingidas durante roubos/tentativas de roubo: duas morreram e quatro ficaram feridas. Em setembro de 2024, quatro pessoas foram baleadas durante roubos/tentativas de roubo: três morreram e uma ficou ferida.
Locais afetados
Duas pessoas foram mortas e uma ficou ferida ao serem baleadas dentro de automóveis, assim como em 2024.
Ao menos 18 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de residências: 17 morreram e uma ficou ferida. Em setembro de 2024, 13 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de casa: nove morreram e quatro ficaram feridas.
Qualificação das vítimas
Um agente de segurança foi baleado no Grande Recife em setembro e sobreviveu. No mesmo período de 2024 não houve agentes de segurança baleados na região metropolitana do Recife.
Acumulado do ano
Em 2025, entre janeiro e setembro, houve 1.093 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Recife, segundo o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. No período, 1.258 pessoas foram baleadas: 924 morreram e 334 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2024, que registrou 1.367 tiroteios e 1.534 baleados (1.107 mortos e 427 feridos), os nove primeiros meses de 2025 registraram queda de 20% nos tiroteios, de 17% no número de mortos e de 22% no de feridos.
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém. Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.
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- Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.
- “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).
- Chacinas: eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc. (SSP de SP).
- O Estatuto do Idoso considera idosos com idade igual ou superior a 60 anos. O Unicef considera crianças com idade inferior a 12 anos.
- O Unicef considera adolescentes com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos.