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Violência armada volta a crescer na região metropolitana de Belém em maio

Mês teve média de 10 tiroteios por semana. Mais de um terço dos registros ocorreu durante ações policiais, aponta o Instituto Fogo Cruzado.

A violência armada voltou a crescer na região metropolitana de Belém em maio. Foram 42 tiroteios registrados no período, que deixaram 44 pessoas baleadas, sendo 35 mortas e nove feridas. O número de ocorrências representa um aumento de 62% em relação a abril, mês que havia registrado a menor quantidade de tiroteios da série histórica, com 26 registros.

Os dados fazem parte do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado e mostram uma média de 10 tiroteios por semana na região metropolitana.

As ações policiais foram responsáveis por mais de um terço dos tiroteios ocorridos no período na região metropolitana. Dos 42 casos mapeados, 16 deles ocorreram nessas circunstâncias, o equivalente a 38% do total. Ao todo, 18 pessoas foram baleadas durante ações policiais e apenas uma sobreviveu.

Entre as vítimas atingidas ao longo do mês estão Amiraldo Monte, que morreu, e Maciel Cunha, que ficou ferido em um ataque armado na Praça Dorothy Stang, no bairro de Sacramenta, em Belém. As vítimas vendiam churrasco quando homens em uma motocicleta vermelha efetuaram vários disparos contra elas. 

A única chacina registrada pelo Instituto Fogo Cruzado durante o mês também ocorreu durante uma ação policial. O vigilante Haroldo Junior e outros dois homens não identificados foram mortos a tiros durante uma operação policial na Passagem Benjamin, no bairro da Cabanagem, em Belém.

“Quando mais de um terço dos tiroteios registrados envolvem ações policiais, precisamos repensar profundamente o modelo de segurança pública que estamos adotando. Policiamento eficaz não é sinônimo de letalidade. Precisamos de protocolos mais rigorosos, treinamento contínuo e mecanismos reais de controle externo das forças de segurança”, avalia Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará.

Apesar da alta em relação a abril, os indicadores permanecem abaixo dos registrados em maio de 2025. Naquele mês, foram contabilizados 50 tiroteios que deixaram 50 pessoas baleadas, das quais 43 morreram e sete ficaram feridas. Em comparação com este ano, houve redução de 16% no número de tiroteios e de 12% na quantidade de vítimas. 

Dados detalhados

Municípios

Entre os municípios que compõem a região metropolitana de Belém, a capital concentrou 60% dos registros. Os municípios afetados pela violência armada foram:

  • Belém: 25 tiroteios, 22 mortos e 6 feridos
  • Castanhal: 8 tiroteios e 7 mortos
  • Benevides: 3 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
  • Marituba: 2 tiroteios e 2 mortos
  • Ananindeua: 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
  • Santa Izabel do Pará: 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido

Bairros

Os bairros da região metropolitana de Belém que mais registraram tiroteios ao longo do mês de maio foram:

  • Jurunas (Belém): 3 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido
  • Cabanagem (Belém): 2 tiroteios e 4 mortos
  • Sacramenta (Belém): 2 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
  • Maracacuera (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos
  • Novo Horizonte (Santa Izabel do Pará): 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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