O Instituto Fogo Cruzado lança, nesta sexta-feira (10), o relatório mensal da violência armada na região metropolitana de Belém do Pará. Em setembro de 2025, foram contabilizados 34 tiroteios, com 29 pessoas baleadas. Dessas, 21 morreram e oito ficaram feridas.
Em comparação com o mesmo período do ano anterior, houve queda de 31% no número de tiroteios, de 49 para 34. O número de mortos também teve redução de 48%, passando de 40 casos registrados em setembro de 2024, para 21 casos, em setembro deste ano. Já o número de feridos caiu de oito para quatro.
A coleta de dados considera o período de 1º a 30 de setembro de 2025. As informações estão disponíveis publicamente na API do Instituto e podem ser consultadas de forma aberta e gratuita.
A capital, Belém, registrou redução de 41% nos tiroteios, de 29 em setembro de 2024 para 17 em setembro de 2025. E o total de baleados teve redução de 46%, passando de 28 vítimas para 15.
Entre os municípios em alta, destaca-se Castanhal, que passou de cinco para seis tiroteios. O número de baleados, de três para seis vítimas.
A distribuição da violência armada por município da região metropolitana de Belém, em setembro, ficou da seguinte forma:
- Belém: 17 tiroteios, 10 mortos, 5 feridos
- Ananindeua: 8 tiroteios, 4 mortos e 2 feridos
- Castanhal: 6 tiroteios, 5 mortos e 1 ferido
- Marituba: 1 tiroteio e 1 morto
- Santa Izabel do Pará: 1 tiroteio e 1 morto
- Barcarena: 1 tiroteio
O perfil da violência armada
Entre os 21 mortos de setembro: 10 eram negros (48%), quatro brancos (19%) e sete não identificados (33%). Entre os feridos, nenhum foi identificado.
“A subnotificação de dados raciais permanece como um dos grandes desafios do monitoramento da violência armada. Ainda assim, observamos que as vítimas negras seguem sendo maioria entre os casos registrados. Isso reflete padrões estruturais de exclusão e violência que atingem a população negra na região metropolitana de Belém. Isso acontece em um cenário de redução geral dos casos, o que demonstra a vulnerabilidade persistente da população negra na RMB”, afirma Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará.
Dias de maiores ocorrências
Os dias 22 e 25, com três registros cada, concentraram o maior número de tiroteios no mês. Os dias 5, 13, 18, 22 e 26 foram os mais violentos, com duas mortes em cada. E o dia 24, com dois atingidos, teve o maior número de feridos por disparos de arma de fogo que sobreviveram.
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.
Acompanhe o Fogo Cruzado nas redes: X (antigo Twitter), Bluesky, Facebook e Instagram.