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Recorde de tiroteios em ações policiais no Grande Recife no primeiro semestre

Relatório do Instituto Fogo Cruzado traz panorama da violência armada na região metropolitana do Recife no primeiro semestre

  • O número de baleados em assaltos chegou ao seu pior índice desde 2021, com 53 vítimas;
  • Tiroteios envolvendo disputas entre grupos armados também bateu recorde, com 22 registros.

O Relatório Semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado nesta quarta-feira (29), aponta para uma queda na violência armada na região metropolitana do Recife, chegando ao menor índice desde 2019. Ao todo, 645 tiroteios foram mapeados ao longo do semestre, uma queda de 12% em comparação com os primeiros seis meses do ano anterior, quando 736 tiroteios foram mapeados. O número de baleados também apresentou queda, indo de 849 vítimas no primeiro semestre de 2025, para 728 atingidos neste primeiro semestre do ano.

Apesar da queda geral da violência armada, o primeiro semestre de 2026 já acumula o maior número de tiroteios em ações e operações policiais de toda a série histórica, com 60 registros mapeados, correspondendo a 9% do total de tiroteios mapeados na região metropolitana do Recife durante o período. Com um aumento de 88% em relação ao mesmo período do ano anterior, que acumulou 32 registros, esse indicador cresce justamente no momento em que o governo estadual amplia o poder bélico e aumenta o efetivo das forças de segurança, com destaque para a Polícia Militar. Os novos soldados foram apelidados de “laranjinhas” em função do boné de cor laranja vibrante que compõe o fardamento e por, repentinamente, terem passado a ocupar as ruas das cidades por meio do policiamento ostensivo.

  • Primeiro semestre de 2026: 60 tiroteios em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2025: 32 tiroteios em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2024: 40 tiroteios em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2023: 47 tiroteios em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2022: 32 tiroteios em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2021: 38 tiroteios em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2020: 36 tiroteios em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2019: 40 tiroteios em ações ou operações policiais

O aumento no número de pessoas baleadas em ações policiais acompanha o crescimento dos tiroteios envolvendo operações das forças de segurança. Em 2026, esse indicador também atingiu o maior número da série histórica. Ao todo, 52 pessoas foram baleadas em ações policiais.

  • Primeiro semestre de 2026: 52 baleados em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2025: 29 baleados em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2024: 45 baleados em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2023: 52 baleados em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2022: 35 baleados em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2021: 33 baleados em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2020: 35 baleados em ações ou operações policiais
  • Primeiro semestre de 2019: 28 baleados em ações ou operações policiais

O número de tiroteios envolvendo disputas entre grupos armados também avançou na região metropolitana do Recife, chegando ao maior número de casos durante o semestre, com 22 registros. Em 2025, no primeiro semestre foram observados 18 casos. 

“Uma política de segurança pautada somente no enfrentamento não traz mais segurança para a população e alimenta as dinâmicas de risco. Combater o crime organizado requer ações articuladas e integradas de longo prazo, como o rastreamento e a desarticulação de fluxos financeiros e de suas lideranças. Além disso, o fortalecimento de políticas públicas de proteção e promoção social é fundamental para impedir a expansão dessas redes, que se alimentam da vulnerabilidade e cooptam principalmente os mais jovens. Repressão qualificada e proteção social devem caminhar juntas nessa tarefa”, avalia Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco

O número de assaltos que terminam com baleados está em alta na região metropolitana do Recife. Esse agravamento da violência armada em crimes contra o patrimônio fica evidenciado no número de vítimas registradas ao longo dos primeiro semestre, quando 53 pessoas foram atingidas. O número de baleados, que é 89% maior que o registrado de janeiro a junho de 2025, também é recorde se comparado ao primeiro semestre dos quatro anos anteriores.

  • Primeiro semestre de 2026: 53 baleados em assaltos
  • Primeiro semestre de 2025: 28 baleados em assaltos
  • Primeiro semestre de 2024: 43 baleados em assaltos
  • Primeiro semestre de 2023: 49 baleados em assaltos
  • Primeiro semestre de 2022: 49 baleados em assaltos

O mapa da violência armada

Municípios

O Instituto Fogo Cruzado considera região metropolitana do Recife como: Recife, Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista, São Lourenço da Mata e Goiana, que deixou de ser considerada região metropolitana em 2020, mas que para manter a fidelidade da série histórica nos comparativos, continuou a incluí-la.

Recife, com 243 registros, concentrou 38% dos tiroteios mapeados no primeiro semestre. Os municípios da região metropolitana do Recife mais afetados pela violência armada foram:

  • Recife: 243 tiroteios, 185 mortos e 88 feridos 
  • Jaboatão dos Guararapes: 108 tiroteios, 90 mortos e 32 feridos
  • Cabo de Santo Agostinho: 58 tiroteios, 49 mortos e 19 feridos
  • Olinda: 56 tiroteios, 44 mortos e 25 feridos
  • Paulista: 32 tiroteios, 21 mortos e 16 feridos

Bairros

Entre os bairros da região metropolitana do Recife mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado, os que concentraram o maior número de tiroteios foram:

  • Goiana (Goiana): 21 tiroteios, 15 mortos e 8 feridos
  • Cohab (Recife): 15 tiroteios, 12 mortos e 3 feridos
  • Muribeca (Jaboatão dos Guararapes): 12 tiroteios, 10 mortos e 3 feridos
  • Vasco da Gama (Recife): 12 tiroteios, 9 mortos e 4 feridos
  • Dois Unidos (Recife): 11 tiroteios, 10 mortos e 3 feridos

Locais

Mais uma vez a violência armada dentro de casa acende um alerta para o descontrole da violência no Estado. Durante o primeiro semestre, ao menos 118 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de casa. O número indica que houve em média 19 baleados por mês dentro do ambiente doméstico. A quantidade de vítimas nestes espaços equivale a 16% do total mapeado no Grande Recife ao longo do semestre.

Outras 30 pessoas foram baleadas quando participavam de eventos, 26 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de automóveis, 15 pessoas foram baleadas dentro de bares, e 11 dentro de barbearias.

O perfil da violência armada

Agentes de segurança

Ao menos oito agentes de segurança foram baleados na região metropolitana do Recife nos primeiros seis meses do ano. Entre as vítimas, seis morreram e dois ficaram feridos. Entre as vítimas, três eram aposentados/exonerados, dois estavam em serviço e outros dois estavam fora de serviço. Houve ainda um agente de segurança baleado que não teve seu status de serviço identificado.

Trabalhadores informais

Ao menos 14 motoristas de aplicativo, 10 entregadores/motoboys/mototaxistas, e 10 vendedores ambulantes foram baleados no Grande Recife durante o semestre. 

Vítimas por faixa etária

Apesar dos adultos entre 18 e 59 anos serem a maioria entre os atingidos pela violência armada, representando 90% do total de baleados, com 657 vítimas. 54 adolescentes (entre 12 e 17 anos), 15 idosos (com idade a partir de 60 anos) e duas crianças (até 11 anos) também foram baleados ao longo do semestre.

Balas perdidas

Ao menos 15 pessoas foram vítimas de balas perdidas na região metropolitana do Recife durante o semestre: duas morreram e 13 ficaram feridas. O número de vítimas de balas perdidas mapeadas no semestre é 62% menor que o acumulado nos primeiros seis meses de 2025, quando 39 pessoas foram vítimas de balas perdidas, das quais quatro morreram e 35 ficaram feridas.

Motivos

Os principais motivos dos disparos de arma de fogo na região metropolitana foram: Homicídio/Tentativa de homicídio (546); Ação/Operação policial (60); Roubo/Tentativa de roubo (52); Briga (25); e Disputa entre grupos armados (22).

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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