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Mesmo com queda nos tiroteios, baleados em ações policiais crescem 63% no Grande Rio em março

Número de baleados durante assaltos também dobrou no período, aponta relatório do Instituto Fogo Cruzado

Em março, menos tiroteios não se traduziram em mais segurança no Grande Rio. Apesar da queda de 13% nos registros de disparos, o número de pessoas baleadas cresceu, atingindo 139 vítimas no mês.

Os dados são do Instituto Fogo Cruzado e mostram que, enquanto os tiroteios passaram de 170 em março de 2025 para 148 neste ano, o total de baleados cresceu 26%, saindo de 110 para 139 pessoas. Ao todo, 72 morreram e 67 ficaram feridas.

O principal fator por trás desse aumento está nas ações policiais. Mais da metade dos tiroteios registrados no mês, 51%, ocorreu nessas circunstâncias. Foram 76 tiroteios que deixaram 78 pessoas baleadas, um aumento de 63% em relação a março de 2025, quando foram registrados 48 baleados. 

Entre os baleados, ao menos oito pessoas foram vítimas de balas perdidas ao longo do mês, metade delas foi atingida durante as ações policiais.

A violência durante os assaltos também avançou. No começo de março, o assessor dos jogadores Vinicius Junior e Lucas Paquetá, Eduardo Peixoto, foi baleado em um assalto na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, bairro da Zona Sudoeste da capital. O caso se soma a outros episódios que fizeram o número de baleados nesse tipo de crime dobrar em março, passando de oito vítimas em 2025 para 16 neste ano, segundo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. 

A Zona Sudoeste concentrou a maioria dos casos envolvendo baleados em assaltos. Foram seis vítimas.

  • Zona Sudoeste: 6 baleados em roubos/tentativas de roubo
  • Leste Metropolitano: 4 baleados em roubos/tentativas de roubo
  • Zona Norte: 4 baleados em roubos/tentativas de roubo
  • Baixada Fluminense: 2 baleados em roubos/tentativas de roubo
  • Zona Sul: 1 baleado em roubo/tentativa de roubo

“A recorrência desses episódios acende um alerta sobre a escalada da violência nas abordagens criminosas e reforça a demanda por políticas integradas de prevenção e combate à criminalidade, além de investimentos em inteligência policial e proteção à população. Na cidade do Rio, a maioria dos casos envolvendo vítimas de assaltos está concentrada em regiões que não receberam atenção prevista de programas de prevenção contra assaltos”, analisa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

Dados detalhados

Municípios

Com 93 tiroteios mapeados no mês, a capital fluminense concentrou 63% dos registros ocorridos na região metropolitana. Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Rio de Janeiro: 93 tiroteios, 49 mortos e 40 feridos
  • São Gonçalo: 18 tiroteios, 3 mortos e 10 feridos
  • Niterói: 11 tiroteios, 5 mortos e 4 feridos
  • Duque de Caxias: 5 tiroteios, 1 morto e 2 feridos

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

  • Taquara (Rio de Janeiro): 8 tiroteios, 9 mortos e 5 feridos
  • Fonseca (Niterói): 7 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
  • Cascadura (Rio de Janeiro): 7 tiroteios e 1 morto
  • Curicica (Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 6 feridos
  • Campo Grande (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 6 mortos e 2 feridos
  • Vila Isabel (Rio de Janeiro): 4 tiroteios e 1 morto

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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