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Mês que antecedeu COP30 foi o segundo mais violento do ano

Outubro teve 56 tiroteios e 51 baleados, aponta relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado.

A violência armada voltou a crescer na Região Metropolitana de Belém. Conforme o 10º relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, outubro foi o segundo mês mais violento de 2025 na região, com 56 tiroteios e 51 pessoas baleadas, das quais 36 morreram e 15 ficaram feridas.

Em Belém, um homem foi morto no dia em que completava 50 anos, após uma discussão com um vizinho. Segundo informações, a vítima estacionou brevemente a moto em frente à garagem do vizinho, que reagiu com violência e efetuou disparos e retratou como a violência armada atinge todo mundo. 

Embora o número de confrontos tenha ficado 10% abaixo do registrado em outubro do ano passado (62 tiroteios), o aumento em relação a setembro chama atenção: houve 65% mais tiroteios, 71% mais mortos e 87,5% mais feridos. Em setembro, foram 34 tiroteios, 21 mortos e 8 feridos.

As ações e operações policiais responderam por 41% dos tiroteios registrados em outubro, 23 ocorrências ao todo, proporção semelhante à de 2024, quando 40% dos confrontos ocorreram nessas circunstâncias.

O levantamento mostra ainda que 35% das pessoas baleadas em outubro foram atingidas em ações policiais — 18 vítimas no total, das quais 16 morreram e duas ficaram feridas.

“A violência armada restringe a vida cotidiana de milhares de pessoas na Grande Belém. É preciso que o poder público olhe para esses números não apenas como estatísticas, mas como reflexo direto da ausência de políticas de segurança que priorizem a preservação da vida”, avalia Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará.

Belém concentrou a maioria dos registros: 30 tiroteios, com 18 mortos e 11 feridos. Em seguida aparecem Ananindeua, com 12 tiroteios, sete mortos e um ferido, e Marituba, que registrou seis tiroteios e cinco mortos. Bairros como Bengui, Condor e Jurunas estão entre os mais afetados pela violência armada.

O perfil das vítimas reforça a desigualdade racial: entre os 36 mortos, 22 eram pessoas negras, quatro brancas e 10 não tiveram a raça/cor informada. Também há uma mulher trans entre as vítimas fatais.

O relatório aponta que, em outubro, ao menos 13 pessoas foram baleadas durante roubos ou tentativas de roubo — sete morreram e seis ficaram feridas. Uma pessoa foi vítima de bala perdida e sobreviveu. Quatro agentes de segurança pública também foram baleados na região metropolitana de Belém em outubro deste ano: um morreu e três ficaram feridos

O mês também marcou um ponto histórico preocupante: a região ultrapassou a marca de 500 pessoas baleadas em ações ou operações policiais desde o início da série histórica do Fogo Cruzado, em novembro de 2023. No total, 409 pessoas morreram e 92 ficaram feridas nessas circunstâncias, isso representa 42% de todas as vítimas baleadas na Grande Belém desde então.

Dados detalhados

Mapa da violência armada

Municípios

Entre os municípios que compõem a região metropolitana de Belém, os afetados pela violência armada foram:

  • Belém: 30 tiroteios, 18 mortos e 11 feridos
  • Ananindeua: 12 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido
  • Marituba: 6 tiroteios e 5 mortos
  • Castanhal: 3 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
  • Barcarena: 2 tiroteios e 2 mortos
  • Santa Izabel do Pará: 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
  • Benevides: 1 tiroteio

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

  • Bengui (Belém): 4 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
  • Condor (Belém): 3 tiroteios e 2 mortos
  • Jurunas (Belém): 3 tiroteios, 1 morto e 2 feridos

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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Ou baixe o aplicativo para Android ou iOS.

Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

“Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

O Estatuto do Idoso considera idosos com idade igual ou superior a 60 anos.

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