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‘Megaoperação’ supera mortes de todas as chacinas policiais de 2024

Chacina nos complexos da Penha e do Alemão também teve recorde de letalidade contra policiais. Com quatro mortos e 11 feridos, a ação registrou o maior número de agentes vitimados em um único dia registrado pelo Instituto Fogo Cruzado.

Novo relatório do Instituto Fogo Cruzado mostra que a operação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no dia 28 de outubro, teve mais vítimas do que todas as chacinas policiais registradas em 2023 (117) e 2024 (99). O levantamento também aponta recorde de policiais atingidos em um único dia: quatro mortos e 11 feridos.

Segundo o Instituto, a ação policial, chamada pelo governo de ‘megaoperação’, também atingiu o topo em outros rankings. Com 141 pessoas baleadas, das quais 121 morreram e 20 ficaram feridas, a chacina do Alemão e da Penha registrou o maior número de vítimas em um único dia desde o início da série histórica do Fogo Cruzado. O evento também superou o total de vítimas registrado em diversos meses do ano, como fevereiro (122), março (109), maio (107), junho (137), julho (136) e agosto (109).

O episódio reacende o debate sobre o impacto e a efetividade das operações realizadas nas favelas do Rio. “Operações como a que aconteceu na Penha e no Alemão têm custo incalculável para a população e praticamente nenhum efeito sob a facção. Este tipo de ação acontece desde os anos 90. O que mudou foi o número de mortos, mas a dinâmica é a mesma. As perdas econômicas para os grupos armados são minúsculas diante dos recursos que eles manejam e as baixas de aliados já são consideradas como parte do negócio. Quem realmente lida com os efeitos é a população trabalhadora, os moradores das comunidades, os empresários que tiveram seus negócios fechados, são as crianças que ficam na linha de tiro, as famílias que perderam policiais. Operações como essa geram manchetes, mas não abalam toda a estrutura política e econômica que sustenta as atividades criminosas”, avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

O 10º relatório mensal do Instituto mostra também que, em outubro, foram registrados 162 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma queda de 16% em relação a outubro de 2024, quando houve 192 tiroteios.

No entanto, apesar da redução nos confrontos, o número de mortos cresceu expressivamente. Ao todo, 265 pessoas foram baleadas no mês, das quais 191 morreram e 74 ficaram feridas. Em comparação com outubro de 2024, houve aumento de 282% no número de mortos e queda de 18% no de feridos.

As ações e operações policiais motivaram 38% dos tiroteios (61 casos) e concentraram 77% das vítimas baleadas, totalizando 203 pessoas, das quais 152 morreram e 51 ficaram feridas.

O mês também registrou 14 vítimas de bala perdida, das quais quatro morreram e 10 ficaram feridas. Metade delas foram atingidas em meio a operações policiais. 22 agentes de segurança foram baleados em outubro: oito morreram (quatro em serviço e quatro de folga) e 14 ficaram feridos (13 em serviço e um de folga), além de uma criança baleada que sobreviveu, cinco idosos,  quatro morreram e um ficou ferido e 10 adolescentes mortos. 

Ao longo de outubro, ainda segundo o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, foram registradas seis chacinas que resultaram em 137 civis mortos. Conforme análise do Instituto, 134 chacinas ocorreram durante operações policiais. Em outubro de 2024, foram registradas duas chacinas, com seis mortos.

Dados detalhados

O mês em dados

Em outubro foram registrados pelo menos 162 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, o que indica que houve em média 40 tiroteios na região metropolitana por semana. As ações e operações policiais foram responsáveis por 38% dos confrontos, totalizando 61 registros. O número representa uma queda de 16% em comparação a outubro de 2024, quando foram mapeados 192 tiroteios. 44% deles (84) ocorreram nessas circunstâncias.

Ao todo, 265 pessoas foram baleadas na região metropolitana do Rio: 191 morreram e 74 ficaram feridas. O número de mortos apresentou aumento de 282%, enquanto o de feridos teve queda de 18% em comparação com outubro de 2024, quando 140 pessoas foram baleadas, das quais 50 morreram e 90 ficaram feridas. Entre as 265 pessoas baleadas em outubro deste ano, 77% (203 vítimas) foram atingidas durante ações e operações policiais: 152 morreram e 51 ficaram feridas. Em outubro de 2024, entre as 140 pessoas baleadas, 54% (76) foram atingidas durante ações e operações policiais: 15 morreram e 61 ficaram feridas.

Locais afetados

Municípios

Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Rio de Janeiro: 111 tiroteios, 166 mortos e 54 feridos
  • São Gonçalo: 12 tiroteios, 3 mortos e 9 feridos
  • Duque de Caxias: 8 tiroteios, 2 mortos e 4 feridos
  • Nova Iguaçu: 6 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
  • Belford Roxo: 5 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

  • Campinho (Rio de Janeiro): 12 tiroteios
  • Cascadura (Rio de Janeiro): 8 tiroteios
  • Jacarepaguá (Rio de Janeiro): 5 tiroteios, 3 mortos e 4 feridos
  • Tijuca (Rio de Janeiro): 5 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
  • Costa Barros (Rio de Janeiro): 4 tiroteios e 5 mortos
  • Complexo do Alemão (Rio de Janeiro): 4 tiroteios 

A Penha, onde ocorreu parte da operação policial em 28 de outubro, teve dois tiroteios no mês, que deixaram 121 mortos e 20 feridos.

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

Acompanhe o Fogo Cruzado nas redes: X (antigo Twitter), Bluesky, Facebook e Instagram.

Ou baixe o aplicativo para Android ou iOS.

Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

“Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

Chacinas: eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc. (SSP de SP).

O Estatuto do Idoso considera idosos com idade igual ou superior a 60 anos.

O Unicef considera crianças com idade inferior a 12 anos. 

O Unicef considera adolescentes com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos.

O Instituto Fogo Cruzado considera a Região Metropolitana do Rio como: Rio de Janeiro (Capital), Baixada Fluminense (Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica) e Leste Metropolitano (Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá).

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