Dez pessoas foram mortas em residências em seis municípios diferentes, metade delas durante ações policiais.
Salvador e Região Metropolitana registraram 133 tiroteios durante o mês de julho, que resultaram na morte de 101 pessoas e deixaram outras 30 feridas, segundo dados do sétimo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Neste mês, houve destaque no indicador “residências”, com 10 mortes registradas em seis dos 13 municípios mapeados pelo Instituto. Metade dessas mortes ocorreu durante ações e operações policiais.
Do total de tiroteios contabilizados (133) em julho, 63 ocorreram durante ações e operações policiais (47% do total); seis aconteceram em meio a disputas entre grupos armados; e 10, durante perseguições.
“Antes do Fogo Cruzado, não havia como identificar esse tipo de tendência na Bahia. A violência armada está diretamente ligada à falta de transparência e à escassez de dados de qualidade. Sem essas informações, é impossível construir políticas públicas eficazes de proteção à população”, afirma Tailane Muniz, coordenadora regional do Fogo Cruzado na Bahia.
O mapa da violência armada
- Salvador: 93 tiroteios, 67 mortos e 26 feridos
- Camaçari: 11 tiroteios, 9 mortos e 3 feridos
- Dias D’Ávila: 9 tiroteios e 8 mortos
- Lauro de Freitas: 8 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido
- Candeias: 5 tiroteio e 4 mortos
- São Francisco do Conde: 4 tiroteios e 2 mortos
- Madre de Deus: 1 tiroteio e 1 morto
- São Sebastião do Passé: 1 tiroteio e 1 morto
- Simões Filho: 1 tiroteio e 2 mortos
Durante o mês de julho, os bairros mais afetados pela violência armada em Salvador e Região Metropolitana foram:
- Portão (Lauro de Freitas): 4 tiroteios e 5 mortos
- Beiru /Tancredo Neves (Salvador): 4 tiroteios e 2 mortos
- Engenho Velho da Federação (Salvador): 4 tiroteios, sem vítimas
- Pau Miúdo (Salvador) : 4 tiroteios e 2 mortos
- São Caetano (Salvador): 4 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
- Engenho Velho de Brotas (Salvador): 3 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
- Federação (Salvador): 3 tiroteios e 5 feridos
O perfil da violência armada
- Foram registrados 133 tiroteios em Salvador e Região Metropolitana durante o mês de julho, uma redução de 14% em relação ao número de tiroteios do ano anterior (154).
- 63 tiroteios ocorreram durante ações e operações policiais. No mesmo mês de 2024, o Instituto Fogo Cruzado registrou 154 tiroteios, sendo 64 em ações e operações policiais. Houve uma redução de 2% nesses casos.
- Em julho, foram registradas 131 vítimas da violência armada: 101 pessoas mortas e 30 feridas. Isso representa um aumento de 13% em relação ao total de baleados no mesmo período do ano anterior, quando 116 pessoas foram baleadas: 97 morreram e 19 ficaram feridas.
- Dos 101 mortos, 94 eram homens e sete, mulheres. Entre os 30 feridos, 21 eram homens, sete eram mulheres, uma era mulher trans e travesti, e uma pessoa não teve o gênero identificado. Do total de mortos no ano anterior (97), 92 eram homens, quatro eram mulheres cis e uma era mulher trans/travesti. Entre as 26 pessoas feridas por arma de fogo no mesmo período do ano anterior, 17 eram homens, sete mulheres cis, uma mulher trans/travesti e uma pessoa sem identificação de gênero.
- Cinco adolescentes foram mortos e um ficou ferido. Entre os adultos, 96 foram mortos e 29 feridos. Em julho do ano passado, 97 adultos foram mortos. Entre os feridos, foram registrados 18 adultos e um idoso.
- Durante o mês de julho, 59 pessoas negras foram baleadas, quatro brancas, e, do total de atingidos (131), 68 não tiveram recorte racial identificado. Em julho de 2024, 45 pessoas negras foram baleadas, duas brancas e, das 116 vítimas, 69 não tiveram recorte racial identificado.
- Dois mototaxistas e um vendedor ambulante foram mortos. Dois agentes de segurança e uma liderança religiosa foram feridos. No mesmo período do ano anterior, uma liderança religiosa e um mototaxista foram mortos e dois agentes de segurança feridos.
- Em julho, 10 pessoas foram mortas por violência armada dentro de residências.
- Três pessoas foram baleadas em bares (duas morreram e uma ficou ferida), seis em eventos (uma morta e cinco feridas), oito baleadas dentro de automóveis (sete mortas e uma ferida)e uma pessoa foi ferida por arma de fogo em um shopping. No mesmo período do ano anterior, sete pessoas foram baleadas dentro de automóveis (4 morreram e 3 ficaram feridas), uma pessoa foi ferida dentro de um bar, uma morta em um lava-jato e 5 baseados em residências: 4 morreram e um ficou ferido.
- Três pessoas foram feridas por arma de fogo enquanto estavam em transporte público. Em julho de 2024, não houve vítimas nessas circunstâncias.
- Seis tiroteios foram registrados em meio a disputas, com 15 pessoas feridas e quatro mortas. No mesmo período do ano anterior, houve 22 tiroteios em disputas, com três mortos e dois feridos.
- Uma pessoa foi ferida por bala perdida, e 14 pessoas foram mortas em chacinas. Em julho de 2024, houve registro de uma pessoa morta e duas pessoas feridas por bala perdida e sete mortos em chacinas.
- Do total de tiroteios de julho (133), 10 ocorreram durante perseguições, que resultaram na morte de seis pessoas.
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios que produzimos mensalmente.
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“Vítima de bala perdida”: uma pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projeto (ISP).
Chacinas: eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc.