Ao todo, 21 pessoas foram mortas nas cinco chacinas ocorridas no mês, segundo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado.
Cinco homens foram mortos em um ataque a tiros em um bar em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Duas mulheres que passavam pelo local também foram atingidas por balas perdidas, uma delas morreu. O crime ocorreu na noite de 8 de fevereiro, nas proximidades da Rua Geni Saraíva, e é um retrato da atuação da violência armada no segundo mês de 2026.
O episódio foi um dos casos mais violentos registrados na região metropolitana do Rio de Janeiro ao longo de fevereiro. Dados do Instituto Fogo Cruzado mostram que o mês terminou com cinco chacinas no Grande Rio, o equivalente a uma a cada cinco dias, deixando 21 civis mortos por disparos de arma de fogo. No mesmo período de 2025, foram registradas quatro chacinas, com 13 mortos.
O Instituto contabiliza como chacinas situações em que três ou mais civis são mortos em um mesmo evento, independente da motivação dos disparos, que pode incluir ataques armados, disputas entre grupos criminosos ou ações policiais.
Entre as chacinas registradas em fevereiro deste ano, duas ocorreram durante ações ou operações policiais. Além desses episódios, confrontos entre facções e milícias também marcaram o mês. Ao todo, foram 14 tiroteios ligados a disputas entre esses grupos, que deixaram 30 pessoas baleadas, das quais 19 morreram e 11 ficaram feridas.
O número de confrontos desse tipo foi 42% menor que o registrado em fevereiro de 2025, quando 24 ocorrências foram mapeadas. Apesar da redução, o relatório mensal do Fogo Cruzado mostrou que a violência se mostrou mais letal: no mesmo período do ano passado, seis pessoas haviam sido baleadas nesses episódios, o que representa um aumento de 400% no número de vítimas.
“O aumento das chacinas e de pessoas baleadas em disputas entre grupos armados mostra que a violência no Rio de Janeiro está se tornando mais letal e mais concentrada. Quando há menos tiroteios, mas mais vítimas, significa que os confrontos estão mais intensos. Isso reforça a necessidade de políticas públicas que vão além da resposta policial imediata, com investimento em inteligência, presença do Estado nos territórios e proteção efetiva à população civil que vive no meio desses conflitos”, analisa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.
Ao todo, 132 pessoas foram baleadas em fevereiro na região metropolitana do Rio de Janeiro, segundo dados do Fogo Cruzado. Destas, 75 morreram e 57 ficaram feridas. O número de mortos aumentou 32%, enquanto o de feridos caiu 12% em comparação com fevereiro de 2025, quando 122 pessoas foram baleadas, das quais 57 morreram e 65 ficaram feridas.
Entre as vítimas deste ano também estão duas crianças, dois adolescentes e quatro idosos. Entre elas está uma menina de 9 anos. Raquel Heloísa Cádiz Vieira foi baleada durante um tiroteio no Catumbi, na região central do Rio, no dia 19 de fevereiro. Raquel estava em uma praça quando foi atingida, durante um confronto provocado por uma disputa entre grupos armados na região. Ela ficou internada por quase 15 dias e recebeu alta médica no último dia 2 de março.
Ao longo do mês, foram registrados 143 tiroteios ou disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio, uma média de 35 por semana.
As ações e operações policiais estiveram presentes em 43% desses casos, totalizando 62 ocorrências. Apesar da presença expressiva da polícia nesses episódios, o número representa uma queda de 32% em relação a fevereiro de 2025, quando foram mapeados 187 tiroteios, dos quais 49% (91) ocorreram nessas circunstâncias.
Os dados também indicam o peso dessas ações nas estatísticas de violência armada. Quase metade das pessoas baleadas no mês, 59 vítimas, ou 45% do total, foi atingida durante ações e operações policiais. Destas, 28 morreram e 31 ficaram feridas.
No mesmo período do ano passado, a participação dessas ações era ainda maior. Entre as 122 pessoas baleadas em fevereiro de 2025, 61% (75) foram atingidas durante ações e operações policiais, das quais 28 morreram e 47 ficaram feridas.
A violência armada também esteve presente em crimes de roubo. Ao menos 28 pessoas foram baleadas durante assaltos ou tentativas de roubo, e metade das vítimas morreu. Em fevereiro de 2025, foram mapeadas 20 vítimas em ocorrências desse tipo, das quais 11 morreram e nove ficaram feridas.
Dados detalhados
Municípios
Com 95 tiroteios mapeados no mês, a capital fluminense concentrou 66% dos registros ocorridos na região metropolitana. Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:
- Rio de Janeiro: 95 tiroteios, 49 mortos e 39 feridos
- São Gonçalo: 20 tiroteios, 5 mortos e 9 feridos
- Duque de Caxias: 6 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
- Niterói: 6 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
- Nova Iguaçu: 4 tiroteios, 11 mortos e 1 ferido
- São João de Meriti: 4 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
Bairros
Os bairros mais afetados pela violência armada foram:
- Paciência (Rio de Janeiro): 5 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
- Bangu (Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 2 mortos
- Centro (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 2 mortos e 3 feridos
- Maré (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido
- Taquara (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 5 mortos e 2 feridos
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.
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