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Casos de bala perdida disparam no Grande Recife e crescem 1.200% em outubro

Outubro de 2025 foi o segundo mês com mais vítimas de balas perdidas de 2025, aponta o Instituto Fogo Cruzado. Entre as vítimas estão duas crianças e um adolescente.

O número de vítimas de balas perdidas disparou na Região Metropolitana do Recife. Segundo o 10º relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, 13 pessoas foram atingidas por disparos desse tipo em outubro, um aumento de 1.200% em relação ao mesmo mês de 2024, quando apenas uma pessoa havia sido baleada e sobreviveu.

Das 13 vítimas mapeadas, uma morreu e outras 12 ficaram feridas. Entre elas estavam duas crianças, uma delas morta, e um adolescente. Três foram atingidas durante ações ou operações policiais, e duas em meio a disputas entre grupos armados. O levantamento mostra que, em média, quase três pessoas foram baleadas por semana no Grande Recife por tiros que não eram direcionados a elas.

A criança foi morta no bairro Macaxeira, na Zona Norte do Recife, em uma troca de tiros na noite de 10 de outubro. Na ocasião, duas crianças foram atingidas. Eduardo Negreiros do Nascimento, de 10 anos, morreu. Outubro foi o segundo mês com mais vítimas de balas perdidas em 2025, atrás apenas de março, que registrou 17 pessoas atingidas.

“A violência armada transforma locais de convivência em cenários de medo e insegurança. Nesse contexto, as pessoas ficam expostas a riscos, e tanto a sensação de segurança quanto a confiança são comprometidas, restringindo ainda mais seu já limitado acesso ao lazer. As causas são diversas, por isso a solução requer uma política pública de segurança eficaz, pautada por uma abordagem integrada que promova ambientes mais seguros, a prevenção da violência e o direito ao lazer e à convivência”, avalia Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco.

Não foram só as balas perdidas que marcaram a violência armada na região metropolitana do Recife. Durante o mês de outubro, foram registrados 131 tiroteios ou disparos de arma de fogo — número idêntico ao de outubro de 2024. Em 95% desses episódios houve vítimas, totalizando 161 pessoas baleadas, das quais 108 morreram e 53 ficaram feridas.

Entre os baleados do mês, o Instituto registrou duas crianças, uma morreu e uma ficou ferida, sete adolescentes, quatro morreram e três ficaram feridos e dois idosos, um deles morreu. 

“Os números revelam que as ocorrências de tiroteios no Grande Recife continuam intensas e afetam, predominantemente, os mais jovens. É fundamental que as ações de segurança pública sejam baseadas em evidências e considerem o impacto dessa violência sobre a população. Monitorar os dados e compreender o problema é o primeiro passo para salvar vidas e reconstruir a sensação de segurança nos territórios”, finaliza Ana Maria Franca

Dados detalhados

O mês em dados

Durante o mês de outubro, foram registrados 131 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Recife, segundo o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. O número é igual ao acumulado em outubro de 2024.

Houve vítimas em 95% dos tiroteios registrados no Grande Recife no mês. Ao todo, 161 pessoas foram baleadas, das quais 108 morreram e 53 ficaram feridas. O número de mortos apresentou queda de 2%, e o de feridos, aumento de 36%, em comparação com outubro de 2024, quando 149 pessoas foram baleadas, deixando 110 mortas e 39 feridas.

Em comparação com o mês de setembro, que acumulou 121 tiroteios e deixou 132 baleados (99 mortos e 33 feridos), outubro apresentou aumento de 8% nos tiroteios, de 11% no número de mortos, e de 61% no número de feridos.

O mapa da violência armada

Municípios

Entre os municípios mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Recife: 56 tiroteios, 44 mortos e 31 feridos
  • Jaboatão dos Guararapes: 20 tiroteios, 16 mortos e 6 feridos
  • Olinda: 14 tiroteios, 11 mortos e 4 feridos
  • Cabo de Santo Agostinho: 12 tiroteios, 10 mortos e 4 feridos
  • São Lourenço da Mata: 8 tiroteios, 7 mortos e 3 feridos

Bairros

Entre os bairros, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Cohab (Cabo de Santo Agostinho): 5 tiroteios, 5 mortos e 2 feridos
  • Afogados (Recife): 4 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido
  • Dois Unidos (Recife): 4 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido
  • Boa Viagem (Recife): 4 tiroteios, 1 morto e 3 feridos
  • Alto José do Pinho (Recife): 4 tiroteios, 1 morto e 2 feridos

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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O Unicef considera adolescentes com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos.

O Estatuto do Idoso considera idosos com idade igual ou superior a 60 anos.

“Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

O Instituto Fogo Cruzado considera Região Metropolitana do Recife como: Recife, Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista, São Lourenço da Mata e Goiana, que deixou de ser considerada região metropolitana em 2020, mas que para manter a fidelidade da série histórica nos comparativos, continuou a incluí-la.

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