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Baleados em assaltos aumentam enquanto tiroteios caem no Grande Rio em abril

Mesmo com queda nos tiroteios, ações policiais foram responsáveis por mais da metade dos registros, pior índice de 2026, segundo Instituto Fogo Cruzado.

A violência armada durante assaltos e tentativas de roubo se agravou na região metropolitana do Rio de Janeiro em abril de 2026. Ao menos 30 pessoas foram baleadas nessas ocorrências ao longo do mês, o equivalente a uma pessoa baleada por dia. O número representa um aumento de 50% em relação a abril de 2025, quando 20 pessoas foram atingidas em assaltos ou roubos. Já os tiroteios mapeados ao longo do mês diminuíram. 

Entre as vítimas está Marcos Vinícius Cerqueira Oliveira, morto enquanto estava acompanhado do filho de 7 anos durante uma tentativa de assalto, no dia 28, na Rua Dulce Rosalina, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio. 

“O crescimento expressivo e contínuo de pessoas baleadas durante assaltos evidencia como a violência armada está diretamente associada à rotina da população, especialmente em crimes que ocorrem em deslocamentos, no trabalho e em atividades rotineiras. Esses números mostram que o roubo deixou de ser apenas um crime patrimonial para se consolidar como um fator central de produção de violência armada. A média de uma vítima baleada por dia em assaltos é um dado alarmante e exige respostas urgentes do poder público, com políticas de prevenção, inteligência e proteção da população, sobretudo nas áreas que mais concentram esse tipo de crime”, analisa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

Os tiroteios, por outro lado, seguem em queda, segundo dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Durante o mês, foram registradas 165 ocorrências envolvendo disparos de armas de fogo, uma redução de 13% em comparação com os 189 tiroteios mapeados no mesmo período de 2025. Esses tiroteios deixaram 122 pessoas baleadas, das quais 47 morreram e 75 ficaram feridas.

Com 88 registros, as ações policiais foram responsáveis por 53% dos tiroteios mapeados no mês, o maior patamar de 2026 até o momento. Ao todo, 17 pessoas foram mortas e 48 ficaram feridas nessas ações.

As disputas entre grupos armados também estão em alta. 2026 já tem o maior número de pessoas baleadas em meio a disputas de facções e milícias, com 102 atingidos nos primeiros quatro meses do ano. Somente em abril foram 13 tiroteios, o equivalente a quase um registro a cada dois dias, com 21 baleados.

No dia 26, um tiroteio entre grupos armados no Jardim América, Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou duas pessoas baleadas e afetou a circulação de trens da SuperVia na Baixada Fluminense. 

“Facções e milícias não param de crescer, ganham dinheiro e poder disputando territórios na bala. Há 30 anos o Estado insiste numa política que não diminui a violência, não desarticula facções nem promove segurança. Não tem como esperar um resultado diferente quando insistimos numa estratégia que sabemos que não funciona”, conclui Carlos Nhanga.

Dados detalhados

Municípios

Com 101 tiroteios mapeados no mês, a capital fluminense concentrou 61% dos registros ocorridos na região metropolitana. Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Rio de Janeiro: 101 tiroteios, 25 mortos e 51 feridos
  • São Gonçalo: 17 tiroteios, 6 mortos e 11 feridos
  • Duque de Caxias: 9 tiroteios, 7 mortos e 2 feridos
  • Nova Iguaçu: 9 tiroteios, 5 mortos e 1 ferido
  • Niterói: 9 tiroteios, 1 morto e 2 feridos

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

  • Maré (Rio de Janeiro): 6 tiroteios e 3 feridos
  • Taquara (Rio de Janeiro): 5 tiroteios, 1 morto e 4 feridos
  • Curicica (Rio de Janeiro): 5 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
  • Piedade (Rio de Janeiro): 5 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
  • Barros Filho (Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 5 feridos

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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