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17% dos baleados no Grande Recife em março foram atingidos dentro de casa

Número de vítimas é o maior registrado dos últimos nove meses, aponta relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado

A violência armada dentro de casa atingiu, em março, o maior patamar dos últimos nove meses no Grande Recife. Ao menos 27 pessoas foram baleadas em residências na região metropolitana, e 22 não resistiram aos ferimentos. O número de vítimas representa 17% de todos os baleados registrados no Grande Recife em março e é 62,5% maior do que no mesmo período de 2025, quando 16 pessoas foram atingidas dentro de casa.

Entre os casos está o de Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos, morta a tiros em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ela possuía uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que invadiu o imóvel, efetuou os disparos e, em seguida, tirou a própria vida. O caso é um dos três feminicídios mapeados pelo instituto Fogo Cruzado em março, sendo dois deles cometidos dentro de residências.

No total, foram 155 pessoas atingidas por disparos no mês, sendo 111 mortas e 44 feridas. O número representa um aumento de 7% em relação a março de 2025, quando 145 vítimas foram contabilizadas. O total de tiroteios também cresceu: de 128 para 140 ocorrências, alta de 9%.

“Em Pernambuco, os índices confirmam o que moradores já vivem na prática: a insegurança se instalou no cotidiano e as pessoas seguem sem proteção efetiva. A população permanece refém de uma realidade que se repete mês após mês, sem perspectiva de mudança: uma insegurança generalizada que invade, inclusive, residências”, avalia Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco.

Março também registrou piora em outros indicadores. Casos de homicídios múltiplos, quando mais de uma vítima é morta por disparo de arma de fogo na mesma ocorrência, mais que dobraram ao longo do mês, em comparação com o mesmo período. Foram sete episódios, com 14 vítimas, contra três casos e seis vítimas em março de 2025.

A violência patrimonial também apresentou alta no Grande Recife em março. Casos envolvendo baleados em assaltos cresceram 133%, indo de três baleados em março de 2025, para sete vítimas em março deste ano. Entre os casos está o do policial civil Fábio Fernando Souza da Câmara, de 52 anos, morto a tiros durante uma tentativa de assalto na Cidade Tabajara, em Olinda.

Dados detalhados

Vítimas em residências

  • Março/2026: 27 pessoas baleadas em residências – 22 mortas e 5 feridas
  • Fevereiro/2026: 20 pessoas baleadas em residências – 16 mortas e 4 feridas
  • Janeiro/2026: 19 pessoas baleadas em residências – 18 mortas e 1 ferida
  • Dezembro/2025: 21 pessoas baleadas em residências – 16 mortas e 5 feridas
  • Novembro/2025: 12 pessoas baleadas em residências – 10 mortas e 2 feridas
  • Outubro/2025: 21 pessoas baleadas em residências – 15 mortas e 6 feridas
  • Setembro/2025: 18 pessoas baleadas em residências – 17 mortas e 1 ferida
  • Agosto/2025: 26 pessoas baleadas em residências – 22 mortas e 4 feridas
  • Julho/2025: 18 pessoas baleadas em residências – 11 mortas e 7 feridas

Municípios

A capital concentrou 34% dos tiroteios mapeados ao longo do mês. Ao todo, 48 casos foram registrados no período. Entre os municípios mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Recife: 48 tiroteios, 41 mortos e 14 feridos
  • Olinda: 20 tiroteios, 16 mortos e 8 feridos
  • Jaboatão dos Guararapes: 17 tiroteios, 13 mortos e 5 feridos
  • Cabo de Santo Agostinho: 13 tiroteios, 10 mortos e 2 feridos
  • Paulista: 11 tiroteios, 7 mortos e 6 feridos

Bairros

Entre os bairros, os mais afetados pela violência armada foram:

  • Cohab (Recife): 5 tiroteios e 6 mortos
  • Desterro (Abreu e Lima): 4 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
  • Ponte dos Carvalhos (Cabo de Santo Agostinho): 4 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido
  • Maranguape II (Paulista): 4 tiroteios, 2 mortos e 4 feridos

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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