- Ao todo, 323 pessoas foram baleadas, 41 dentro de residências
- 46% dos mortos no semestre foram atingidos em ações/operações policiais
- Dos 312 tiroteios ocorridos, 41% aconteceram em ações/operações policiais
Nos primeiros seis meses de 2024, 312 tiroteios/disparos de arma de fogo foram mapeados na região metropolitana de Belém. Em média, houve 52 tiroteios por mês. Os dados fazem parte do relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado nesta quinta-feira (18).
Entre os registros de tiroteios, 128 ocorreram em meio a ações/operações policiais, equivalendo a 41% dos eventos mapeados. De acordo com os dados, 323 pessoas foram baleadas nestes tiroteios: 240 morreram e 83 ficaram feridas. Entre as vítimas, 137 foram atingidas em ações/operações policiais. Os mortos em ações/operações representaram 46%, e os feridos, 33% das vítimas no semestre. A participação policial no número número de tiroteios e de mortos é a maior registrada pelo Fogo Cruzado nas quatro regiões metropolitanas monitoradas. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, 33% dos tiroteios e 44% dos mortos foram mapeados durante ações policiais. Na região metropolitana de Salvador, são 38% e 36%, respectivamente. No Grande Recife, 4% dos tiroteios e 2% dos mortos foram mapeados durante ações policiais.
13% das pessoas baleadas, entre janeiro e junho deste ano, foram atingidas quando estavam dentro de casa. Ao todo, 41 pessoas foram baleadas nestes locais. Entre as vítimas, 39 morreram e duas ficaram feridas. Em média, seis pessoas foram baleadas por mês dentro da própria casa na RMB.
“O elevado número de baleados dentro de residências neste primeiro semestre é motivo de preocupação. Estamos acostumados a ver no próprio lar um local de proteção e segurança, então quando este número vem à tona de uma forma tão alarmante, percebemos que a violência armada no Pará, sobretudo na região metropolitana de Belém, tem se mostrado cada vez mais grave. Dados como os deste relatório semestral servem de insumos para que políticas públicas sejam pensadas para proteger a população com embasamento, seja nas ruas ou no próprio lar”, avalia Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará.
Houve quatro casos de chacinas mapeadas na região metropolitana de Belém, no primeiro semestre de 2024, que resultaram na morte de 13 civis. Todos os casos ocorreram durante ações/operações policiais.
No primeiro semestre de 2024, houve 46 casos de ataques armados sobre rodas, dinâmica também conhecida como “carro preto” ou “carro prata”. Ao todo, 56 pessoas foram baleadas durante essas ações. 35 morreram e 21 ficaram feridas.
O perfil das vítimas
Agentes de segurança
23 agentes de segurança foram baleados ao longo do semestre: 13 morreram e 10 ficaram feridos. Entre os 13 agentes mortos, oito foram atingidos quando estavam fora de serviço/de folga, quatro eram aposentados/exonerados do cargo e um não teve o status de serviço revelado. Entre os 10 agentes feridos, cinco foram atingidos quando estavam fora de serviço/de folga, quatro quando estavam em serviço e um era aposentado/exonerado do cargo.
Os policiais militares foram a categoria mais afetada entre os agentes de segurança baleados no período, representando 69,5% dos atingidos, com 16 vítimas, sendo sete mortos e nove feridos. Houve ainda três policiais penais mortos e um ferido; dois guardas municipais mortos e um policial civil morto a tiros.
Vítimas por faixa etária
Uma criança foi baleada e sobreviveu. Cinco adolescentes foram baleados, dos quais quatro morreram e um ficou ferido. E houve ainda três idosos baleados: dois morreram e um ficou ferido.
O mapa da violência armada
A distribuição da violência armada nos municípios da região metropolitana de Belém neste primeiro semestre ficou da seguinte forma:
- Belém: 157 tiroteios, 119 mortos e 48 feridos
- Ananindeua: 59 tiroteios, 47 mortos e 10 feridos
- Castanhal: 26 tiroteios, 19 mortos e 7 feridos
- Marituba: 25 tiroteios, 24 mortos e 2 feridos
- Barcarena: 21 tiroteios, 18 mortos e 2 feridos
- Benevides: 12 tiroteios, 9 mortos e 10 feridos
- Santa Izabel do Pará: 10 tiroteios, 3 mortos e 3 feridos
- Santa Bárbara do Pará: 2 tiroteios 1 morto e 1 ferido
Entre os bairros que compõem a região metropolitana de Belém, os mais afetados no primeiro semestre foram:
- Guamá (Belém): 18 tiroteios, 15 motos e 8 feridos
- Jurunas (Belém): 10 tiroteios, 8 mortos e 5 feridos
- Sacramenta (Belém): 10 tiroteios, 7 mortos e 4 feridos
- Terra Firme (Belém): 8 tiroteios e 8 mortos
- Coqueiro (Belém): 7 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido
Dos cinco bairros mais afetados, todos estão localizados na capital. O Curuçambá, em Ananindeua, foi o sexto bairro mais afetado pela violência armada, com sete tiroteios, cinco mortos e três feridos no semestre.
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios que produzimos mensalmente.
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