A cada três pessoas baleadas no Grande Rio em julho, uma foi atingida na Baixada Fluminense, aponta o relatório do Instituto Fogo Cruzado.
O sétimo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado de 2025 mostra que, durante o mês de julho, ao menos 45 pessoas foram vítimas da violência armada na Baixada Fluminense. Entre elas, 28 morreram e 17 ficaram feridas. A região, que é composta pelos municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica, concentrou 33% dos baleados atingidos ao longo de julho na região metropolitana do Rio. Isso indica que, a cada três pessoas baleadas no Grande Rio ao longo do mês, uma foi atingida na Baixada Fluminense.
Com 48 registros, a Baixada Fluminense também foi a segunda região do Grande Rio com mais tiroteios mapeados em julho, atrás somente da Zona Norte, na capital, que acumulou 111 tiroteios.
A distribuição da violência armada entre elas ficou da seguinte forma:
- Zona Norte (Capital): 111 tiroteios, 13 mortos e 18 feridos
- Baixada Fluminense: 48 tiroteios, 28 mortos e 17 feridos
- Zona Oeste (Capital): 30 tiroteios, 18 mortos e 11 feridos
- Leste Metropolitano: 29 tiroteios, 11 mortos e 18 feridos
- Centro (Capital): 4 tiroteios e 1 morto e 2 feridos
“A Baixada Fluminense é uma região onde as desigualdades se concentram, mantidas através da alta repressão policial e poucas políticas sociais de fato desenhadas para melhorar o dia a dia dos moradores. A região é marcada por intensos confrontos armados, alto número de vítimas da violência armada e pelo domínio territorial das milícias e facções de tráfico disputando áreas estratégicas. É necessário que existam políticas de segurança pública que vão além das ações policiais tradicionais. É preciso que se ofereça mais segurança e garanta o acesso a serviços básicos para a população”, avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.
O mês em dados
Durante o mês de julho, foram registrados pelo menos 222 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro. O número representa um aumento de 4% em comparação a julho de 2024, quando foram mapeados 214 tiroteios, segundo o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado.
Entre os 222 tiroteios ocorridos no mês, 35% (77) aconteceram em ações e operações policiais. Em julho de 2024, dos 214 tiroteios durante o mês, 41% (87) ocorreram nessas circunstâncias.
Ao todo, 137 pessoas foram baleadas na região metropolitana do Rio: 71 morreram e 66 ficaram feridas. O número de mortos aumentou em 9%, enquanto o de feridos aumentou 8% em comparação com julho de 2024, quando 126 pessoas foram baleadas, das quais 65 morreram e 61 ficaram feridas.
Entre as 137 pessoas baleadas em julho deste ano, 44,5% (61 vítimas) foram atingidas durante ações e operações policiais: 26 morreram e 35 ficaram feridas. Em julho de 2024, entre as 126 pessoas baleadas, 56% (71) foram atingidas durante ações e operações policiais: 40 morreram e 31 ficaram feridas.
Julho registrou queda de 3% nos tiroteios, aumento de 6% no número de mortos e redução de 6% na quantidade de feridos em comparação com o mês de junho, que acumulou 228 tiroteios, 67 mortos e 70 feridos.
Locais afetados
Municípios
Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:
- Rio de Janeiro: 145 tiroteios, 32 mortos e 31 feridos
- São Gonçalo: 16 tiroteios, 6 mortos e 9 feridos
- São João de Meriti: 10 tiroteios, 4 mortos e 2 feridos
- Niterói: 9 tiroteios, 2 mortos e 7 feridos
- Nova Iguaçu: 8 tiroteios, 7 mortos e 2 feridos
- Duque de Caxias: 8 tiroteios, 6 mortos e 4 feridos
- Mesquita: 8 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
Bairros
Os bairros mais afetados pela violência armada foram:
- Cascadura (Rio de Janeiro): 18 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
- Vila Isabel (Rio de Janeiro): 13 tiroteios e 1 morto
- Costa Barros (Rio de Janeiro): 11 tiroteios, 2 mortos e 3 feridos
- Bangu (Rio de Janeiro): 7 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos
- Madureira (Rio de Janeiro): 7 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
O perfil da violência armada
Em julho deste ano, uma criança foi morta a tiros. Em julho de 2024, uma criança foi baleada e sobreviveu.
Seis adolescentes foram baleados na região metropolitana do Rio: quatro morreram e dois ficaram feridos. Em julho de 2024, quatro adolescentes foram baleados e sobreviveram.
Ainda em julho, dois idosos foram baleados: um morreu e um ficou ferido. No mesmo período de 2024, três idosos foram baleados: um morreu e dois ficaram feridos.
Ao menos 15 agentes de segurança foram baleados na região metropolitana do Rio em julho deste ano: oito morreram (dois em serviço, cinco fora de serviço/de folga e um era aposentado/exonerado do cargo) e sete ficaram feridos (quatro em serviço, dois fora de serviço/de folga e um era aposentado/exonerado do cargo). Em julho de 2024, foram registrados 12 agentes de segurança baleados na região metropolitana do Rio: três morreram (dois em serviço e um fora de serviço/de folga) e nove ficaram feridos (três em serviço e seis fora de serviço/de folga).
Circunstância
Em julho, ao menos 17 pessoas foram baleadas durante roubos/tentativas de roubo: seis morreram e 11 ficaram feridas. Em julho de 2024, 25 pessoas foram baleadas durante roubos/tentativas de roubo: oito morreram e 17 ficaram feridas.
Ao menos 10 pessoas foram vítimas de bala perdida no Grande Rio em julho: todas sobreviveram. Seis delas foram atingidas em meio a ações ou operações policiais. Em julho de 2024, quatro pessoas foram vítimas de balas perdidas e também sobreviveram. Entre as quatro vítimas, três foram atingidas em ações ou operações policiais
Houve ainda três chacinas que resultaram na morte de 10 civis. Uma delas ocorreu durante uma ação ou operação policial, deixando três civis mortos. Em julho de 2024, houve oito chacinas que deixaram 31 civis mortos. Seis delas ocorreram em ações ou operações policiais, deixando 24 civis mortos.
Acumulado do ano
Em 2025, entre janeiro e julho, foram registrados pelo menos 1.454 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Desses, 582 ocorreram durante ações/operações policiais. Ao todo, 953 pessoas foram baleadas neste período, das quais 478 morreram e 475 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2024 — que concentrou 1.560 tiroteios (sendo 546 em ações/operações policiais), com 870 pessoas baleadas (448 mortas e 422 feridas) —, o ano de 2025 apresenta, até agora, queda de 7% nos tiroteios; o número de tiroteios durante ações/operações policiais teve aumento de 7%; o de mortos teve aumento de 7%; e o de feridos, aumento de 13%.
SOBRE O FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios que produzimos mensalmente.
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Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.
“Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).
Chacinas: eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc. (SSP de SP).
O Estatuto do Idoso considera idosos com idade igual ou superior a 60 anos.
O Unicef considera crianças com idade inferior a 12 anos.
O Unicef considera adolescentes com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos.
O Instituto Fogo Cruzado considera a Região Metropolitana do Rio como: Rio de Janeiro (Capital), Baixada Fluminense (Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica) e Leste Metropolitano (Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá).