Número equivale a mais de mil unidades de saúde da região

Por: Gabrielli Thomaz e Mayara Mangifeste

Marcado pela pandemia causada pelo novo coronavírus, o primeiro semestre de 2020 teve 2.606 tiroteios/disparos de armas de fogo na Região Metropolitana do Rio. Destes registros, a plataforma Fogo Cruzado mapeou que 846 ocorreram próximo à unidades de saúde públicas e privadas – o que representa 32% do total de tiros. Com uma média de 5 tiroteios por dia no entorno* de unidades de saúde, das 4.190 unidades existentes no Grande Rio, 1.285 foram afetadas por tiros.

A Zona Oeste teve 228 tiroteios/disparos de arma de fogo no entorno das unidades de saúde públicas e privadas – o que representa 27% do total de tiros próximos às 846 unidades na região. Em seguida, vêm Zona Norte (210), Baixada Fluminense (181), Leste Metropolitano (160) e Zona Sul (40). 

No Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte, um tiro atingiu a linha que abastece a unidade, provocando queda de energia do hospital. Por causa disso, das 70 pessoas internadas, 11 tiveram parada cardíaca – destas, 2 morreram (uma delas, Bernardo dos Reis Santos, de 24 anos, estava internado com suspeita de Covid-19).

O Rio de Janeiro foi o município da Região Metropolitana que teve mais tiroteios no entorno das unidades de saúde: foram 505 registros, o que representa 60% de todos os tiros que ocorreram próximos às unidades (846). Em seguida, vem São Gonçalo (92), Niterói (67), Belford Roxo (44) e Nova Iguaçu (36). O Rio de Janeiro também foi o município que teve o maior número de baleados próximos às unidades (142, destes, 65 morreram).

A Vila Kennedy concentrou o maior número de tiroteios em torno de unidades de saúde: foram 149 nestes 6 meses. Logo depois vem Tijuca (41), Pacheco, em São Gonçalo (20), Copacabana e Maré (17) e Acari (14). Só Clínica da Família Wilson Mello Santos Zico, na Vila Kennedy, teve 140 tiroteios em seu entorno – esta foi a unidade de saúde mais afetada nestes 6 meses. A clínica também foi a mais afetada no mesmo período de 2019, tendo 109 registros de tiros ao seu redor.

No dia 18 de fevereiro, uma operação policial no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio – e que durou mais de 15 horas – terminou com 3 mortos e interrompeu o atendimento de unidades de saúde da região. 

Tiros na quarentena

Dos 846 tiroteios/disparos de arma de fogo próximos a unidades de saúde públicas e privadas, 516 deles ocorreram durante o período de isolamento social – iniciado após o decreto oficial do dia 13 de março –, com uma média de 5 tiros por dia próximos a unidades de saúde neste período. Houve, ainda, presença de agentes públicos de segurança em 120 registros.

No dia 14 de junho, 11 dias após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin determinar a suspensão de operações policiais em favelas do Rio durante a pandemia, um intenso tiroteio durante ação policial na Rocinha, na zona sul do Rio, terminou com 1 morto, 2 feridos e 1 Policial Militar atingido por estilhaços. Um gerador de energia foi atingido pelos disparos e queimou, deixando parte da favela sem luz. Computadores e paredes da UPA da Rocinha também foram atingidos durante o tiroteio.

Computador da UPA da Rocinha atingido por um disparo — Foto: Reprodução

* Unidades de saúde: Considera 4190 unidades de saúde na Região Metropolitana do Rio de Janeiro georreferenciadas pelo MP in Mapas, incluindo atendimento básico, especializado e emergencial. Foram considerados apenas tiroteios/disparos em um raio de 300 metros das unidades de saúde públicas e privadas, sem restrições de dias e horários.

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