Tiroteios afetam cotidiano escolar no Grande Rio

Só este ano, 6 pessoas foram feridas na escola, no entorno ou a caminho dela

Nos 5 primeiros meses de 2019, a plataforma Fogo Cruzado registrou 3504 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio. Deste número, 1410 casos ocorreram em horário escolar no perímetro de 300 metros de escolas e creches da rede pública e privada*, o que representa 40% dos registros desse ano. Ao todo, 6 pessoas foram baleadas dentro ou próximo de estabelecimentos de ensino, ninguém morreu. Comparado com o mesmo período de 2018 (1504 registros), houve uma queda de 6% no número de tiroteios no entorno de escolas este ano. Dos 3 baleados no mesmo período de 2018, 1 morreu.

No total deste ano, 1272 escolas e creches tiveram registros de tiroteios no entorno em horário escolar, destas, 695 foram da rede pública e 577 da rede privada de ensino. Em 2019 houve uma queda de 18% no número de estabelecimentos de ensino afetados comparado com 2018, quando 1553 escolas/creches foram afetadas.

O Rio de Janeiro foi o município com maior número de registros em áreas escolares (953), seguido de São Gonçalo (125), Belford Roxo (93), Niterói (77) e Duque de Caxias (59). O município do Rio representa 68% dos registros na Região Metropolitana.

Foi no município de Belford Roxo, terceiro no ranking dos mais afetados, que duas escolas foram atingidas pelo mesmo tiroteio no Complexo do Roseiral, no dia 13 de março: o refeitório do Colégio Estadual Marcilio Dias, no Parque dos Califas, foi atingido por um projétil. No mesmo dia, um pedestre foi baleado enquanto passava na frente da Escola Municipal Padre Ramon, a menos de 600 metros da escola localizada no Parque dos Califas.

A Vila Kennedy foi o bairro que concentrou o maior número de tiroteios/disparos no entorno de escolas e creches no Grande Rio este ano, foram 70 no total. Em seguida vem Tijuca (54), Complexo do Alemão (52), Cidade de Deus (49) e Praça Seca (42). O Complexo da Maré ficou na 20ª posição do ranking com 15 tiroteios/disparos, mas concentrou o maior número de mortos em tiroteios/disparos no entorno de escolas: 15 baleados, sendo 10 mortos.

Foi na Vila Kennedy o primeiro caso de balas perdidas dentro de escolas em 2019, que ocorreu ainda na primeira semana do ano letivo, quando a estudante Barbara Ferreira Cleto, de 12 anos, foi atingida dentro da quadra do colégio no dia 12 de fevereiro.

Também é na Vila Kennedy que estão as duas escolas mais afetadas por tiroteios no seu entorno: o Espaço de Desenvolvimento Infantil Vila Kennedy (41), e a Escola Municipal Coronel José Gomes Moreira (37). Em seguida, vem a Escola Municipal Alberto Rangel (23), na Cidade de Deus; O Ciep Doutor Antoine Magarinos Torres Filho (22) e a Creche Municipal Raio de Sol (22), na Tijuca.

A Zona Norte é a região do Grande Rio que concentra o maior número de tiroteios em áreas escolares: 50136% do total, seguida da Zona Oeste (277), Baixada Fluminense (245), Leste Metropolitano (212), Zona Sul (89) e Centro (86).

Foi na Zona Norte que Júlia Oliveira Santos, de 13 anos foi atingida. A estudante foi baleada ao sair para a escola por volta das 7 horas da manhã do dia 02 de maio, quando começou um tiroteio no Complexo do Chapadão, na Pavuna.

Por ao menos 5 vezes, alunos, professores e funcionários tiveram que se abrigar no corredor das escolas do Grande Rio para se proteger de tiroteios – 3 destes casos ocorreram em colégios de São Gonçalo, no Leste Metropolitano. Entre os casos está o do Ciep 239, Professora Elza Vianna Fialho, em Vista Alegre, São Gonçalo. Uma ação policial durante tentativa de assalto na porta da escola acabou em tiroteio e assustou estudantes da unidade no dia 16 de maio.

Diretores poderão suspender aulas

Segundo o Projeto de Lei nº 1.103/2018, de autoria do vereador Junior da Lucinha (MDB) e baseado nos dados da plataforma Fogo Cruzado, diretores de escolas poderão suspender as aulas em caso de tiroteios no entorno da instituição para que não haja risco à integridade dos alunos, professores e funcionários. A decisão será tomada pela equipe da escola, que deverá se reunir em caráter emergencial para votar pela suspensão temporária das aulas. Se aprovada, a medida não deverá afetar o período de recesso e as férias escolares e as aulas deverão ser repostas durante o ano letivo. Para caminhar, o Projeto de Lei depende de ser colocado na ordem do dia pelo diretor da casa, o vereador Jorge Felippe (MDB).

*Os dados referem-se a dias de semana, entre janeiro e maio de cada ano, entre 06 e 22 hrs, de forma a cobrir os turnos da manhã, tarde e noite. O perímetro delimitado foi de 300 metros dos estabelecimentos educacionais – creches e escolas em atividade, públicas e privadas.

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