Ao menos 4 vezes por dia houve tiroteio nos arredores de Unidades

Por: Olivia Kerhsbaumer

Nem durante a pandemia a população do Grande Rio consegue receber assistência de saúde em segurança. Em 2020, a plataforma Fogo Cruzado registrou 1.556 tiroteios no entorno de unidades de saúde* da região metropolitana: ao todo 1.742 unidades – públicas e privadas – foram afetadas. Nessas situações, 569 pessoas foram baleadas, destas 275 morreram. 

A Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro foi a região onde mais houve tiroteios no entorno de unidades de saúde: foram 394; seguida da Zona Oeste (393), a Baixada Fluminense (328) e o Leste Metropolitano (312). A Zona Sul e o Centro do Rio foram as regiões onde houve menos tiroteios perto de unidades de saúde (77 e 52, respectivamente).

Apesar da redução de 33% nos registros de 2019 para 2020, a incidência de tiroteios no entorno de unidades de saúde na capital fluminense continua alta e o Rio segue liderando as estatísticas entre os municípios com mais registros: 916. A lista continua com São Gonçalo (192), Niterói (112) e Duque de Caxias (86). 

O trabalho dos profissionais de saúde no Rio de Janeiro acontece dentro de uma realidade de constantes tiroteios. Somente perto da Clínica da Família Wilson Mello Santos Zico, na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio, foram 243 tiroteios este ano. A unidade de saúde foi a que mais teve tiros em seu entorno desde que o Fogo Cruzado começou a fazer o levantamento sobre tiroteios no entorno de unidades de saúde do Grande Rio, em 2017. 

O Centro Municipal de Saúde Figueiredo Filho, no Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio, foi o segundo mais prejudicado, com 50 tiros em seu entorno e, em terceiro lugar ficou o Posto Municipal de Saúde Adolfo Lutz, no Amendoeira, em São Gonçalo, com 34 tiroteios. 

Sem quarentena para os tiroteios

Na tentativa de mitigar essas situações em que as pessoas estão expostas a tiroteios durante a pandemia, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin determinou a suspensão de operações policiais em favelas do Rio. Mas poucos dias depois da resolução do ministro, a UPA da Rocinha, na Zona Sul do Rio, teve computadores e paredes atingidos durante o tiroteio. Os tiros foram decorrentes de uma ação policial que terminou com 1 morto, 2 feridos e 1 policial militar atingido por estilhaços. 

Computador da UPA da Rocinha atingido por um disparo — Foto: Reprodução 

*Unidades de saúde: Considera 4190 unidades de saúde na Região Metropolitana do Rio de Janeiro georreferenciadas pelo MP in Mapas, incluindo atendimento básico, especializado e emergencial. Foram considerados apenas tiroteios/disparos em um raio de 300 metros das unidades de saúde públicas e privadas, sem restrições de dias e horários.

**Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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