Por Carlos Nhanga e Olivia Kerhsbaumer 

Disparo acidental, homicídio, tentativa de roubo, execução, ação policial, bala perdida e ataque a civis: esses foram os motivos que o Fogo Cruzado mapeou e que vitimaram as 16 pessoas dentro de casa mapeadas pela plataforma Fogo Cruzado nos 6 primeiros meses do ano no Grande Rio – 10 delas morreram. 

O emblemático caso do adolescente João Pedro, de 14 anos, morto a tiros dentro de casa durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, reforça as estatísticas de anos anteriores e a tese de que nem dentro de casa há segurança. Mesmo ainda altos, os casos registrados no primeiro semestre de 2020 (16 baleados) representam uma queda de 69% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve 51 baleados dentro de casa – destes 43 morreram. 

A casa onde João Pedro foi morto teve 72 marcas de tiros – Foto Jack Silva / Agência O Globo

“Ela estava dormindo”

No dia 25 de maio, Bianca Regina de Oliveira, de 22 anos, foi baleada na cabeça dentro de casa, na Cidade de Deus, zona oeste do Rio. De acordo com o marido da vítima, ela estava dormindo e levantou para pegar o celular quando foi atingida. Bianca foi socorrida, passou por cirurgia e sobreviveu. O tiroteio que vitimou Bianca aconteceu durante uma operação policial na região.

Relato do marido de Bianca sobre o momento em que ela foi baleada. Fonte: G1

Municípios

Neste primeiro semestre, São Gonçalo foi o município com mais baleados em residências. Além do adolescente João Pedro, outras 4 pessoas morreram na cidade. Depois de São Gonçalo, ficaram Rio de Janeiro, com 3 baleados, Maricá e São João de Meriti (2) e Belford Roxo, Niterói, Queimados e Duque de Caxias (1).


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