Havia presença de agentes de segurança em 37% deles 

Por Olivia Kerhsbaumer

Em 2019, o Fogo Cruzado mapeou 2.335 tiroteios/disparos de arma de fogo nos arredores de escolas da região metropolitana do Rio de Janeiro – o equivalente a 32% de todos os tiroteios no Grande Rio em 2019 (7.365). Os municípios que concentraram mais tiros perto de instituições de ensino foram Rio de Janeiro (1.622), São Gonçalo (201), Belford Roxo (137), Niterói (113) e Duque de Caxias (82). 

Apesar de ainda alto, o dado representa uma queda de 26% nos tiroteios no entorno de escolas do Grande Rio em relação a 2018, que teve no total 3.162 registros. Já em relação a 2017, que teve 1.439 tiros próximos de escolas, houve um aumento de 62%. Os tiroteios no entorno de escolas terminaram com 916 baleados (445 mortos e 471 feridos) – em 37% deles havia presença de agentes de segurança*. 

Vila Kennedy Bicampeã 

Ketellen estava acompanhada pela mãe quando foi baleada Foto: Redes Sociais

A Vila Kennedy, bairro do Grande Rio que teve mais tiros durante de 2018 (365), foi o bairro com mais tiros também em 2019 (376) . Não por acaso foi “bicampeã” também  na lista de bairros com mais tiros perto de escolas em 2019: 150 registros em 2019 contra 190 em 2018. Em seguida vem a Cidade de Deus (124), Tijuca (71), Complexo do Alemão (70) e Complexo da Maré (61). 

Foi na Vila Kennedy que a adolescente Bárbara Ferreira Cleto, 12 anos, foi ferida na perna por bala perdida dentro da escola durante um tiroteio em ação policial no dia 12 de fevereiro. Também na zona oeste a menina Ketellen Umbelino de Oliveira Gomes, de 5 anos, foi morta por bala perdida no dia 12 de novembro, quando estava a caminho da escola, no bairro de Realengo.

O estudo considerou 7.386 escolas e creches públicas e privadas nos 21 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em um raio de 300 metros das unidades, em dias letivos e horário escolar (de segunda à sexta-feira de 06 às 22 hrs).

Crianças pedem paz

Crianças se protegem de tiros na Maré — Foto: Reprodução/Redes sociais


“Um dia eu estava no pátio da escola fazendo educação física. De repente, o helicóptero passou dando tiro para baixo. Aí, todo mundo correu para o canto da arquibancada. Quando passou o tiro, a gente correu para dentro da escola até minha mãe me buscar.”, relatou uma criança moradora do Complexo da Maré em uma carta enviada ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em agosto de 2019. 

As palavras de 1.500 crianças da Maré enviadas ao Tribunal eclodiu em toda imprensa nacional e internacional após o tiroteio do dia 18 de setembro durante uma operação com uso de helicópteros no Complexo da Maré. O intenso tiroteio suspendeu as aulas e deixou alunos em pânico no corredor de uma escola no local. Não houve registro de vítimas na ocasião. Através da carta, as crianças pediam a volta de uma Ação Civil Pública (ACP) – que havia sido suspensa – e que regulamenta as operações policiais no local. 

Veja lista completa de escolas afetadas clicando aqui.

*Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

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