Número de baleados dentro de residências aumentou 17% este ano

Por: Katarina Scervino

O ano de 2020 vem tendo como marca principal a pandemia do novo coronavírus que já atingiu 188 países pelo mundo, incluindo o Brasil. Dentre as medidas adotadas para conter o avanço da doença, ficar em casa é a principal delas. Porém, os dados e análises do Fogo Cruzado mostram que as residências não têm sido um lugar seguro para todas as pessoas. 

Só no primeiro semestre do ano, a plataforma Fogo Cruzado registrou 72 tiroteios/disparos de arma de fogo dentro de residências no Grande Recife, deixando 73 pessoas mortas e 17 feridas. 

Mais da metade (58%) das pessoas baleadas em casa este ano, foram vitimadas no período da quarentena (de 21 de março a 30 de junho): houve 43 mortos e 9 feridos.

Em comparação com os primeiros 6 meses de 2019, este ano houve aumento de 17% no número de pessoas baleadas em casa: 73 pessoas foram mortas e 17 ficaram feridas. No mesmo período do ano passado houve 60 mortos e 17 feridos.

Engenho Velho, em Jaboatão dos Guararapes (6); Pina, em Recife (5);  Centro de Cabo de Santo Agostinho (4); e Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes (4) foram as regiões com o maior número de vítimas totais, entre mortos e feridos, baleadas em casa.

Os bairros com o maior número de pessoas assassinadas a tiros foram Engenho Velho, em Jaboatão dos Guararapes (6); Centro, Ponte dos Carvalhos e Charneca, ambos em Cabo de Santo Agostinho (3 cada); e Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes (também com 3 mortos).

Todos estes bairros são áreas que, em geral, apresentam indicadores de média a alta vulnerabilidade social, com pouco investimento em saneamento básico e também em segurança pública. Juntos, esses problemas contribuem com o aumento da insegurança dentro de suas próprias casas com relação tanto ao coronavírus, quanto à violência armada nessas regiões. 

Adolescência em risco

Neste primeiro semestre de 2020, 3 adolescentes foram mortos e 1 foi ferido em casa. No mesmo período de 2019, 8 adolescentes foram baleados em casa: todos morreram.

Conheça alguns casos deste ano:

Em 15 de janeiro, uma adolescente de 16 anos, e homem de 26 anos, foram baleados dentro de casa do bairro do Jiquiá, Zona Oeste do Recife.

Já na quarentena, em 22 de abril, Anderson Manoel da Silva, de 16 anos, foi morto a tiros enquanto dormia ao lado da sua mãe, dentro de casa, no bairro do Desterro, em Abreu e Lima. Um homem invadiu a casa e disparou uma vez contra o rosto de Anderson, que morreu na hora.

Em 15 de maio, um adolescente de 15 anos e sua sogra, Edivânia Barros da Silva, de 38 anos, foram mortos a tiros dentro de casa, na rua Bela Vista, em Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho. O alvo dos disparos seria um filho de Edivânia, que não estava presente no momento. O adolescente morto foi confundido. 

Em 29 de junho, Lucas Dias da Silva, de 16 anos, e sua mãe Rosângela Francisca Dias, de 44 anos, foram mortos a tiros dentro de casa, na rua Major Guilherme Bonifácio, em Água Fria, no Recife. Os dois estavam dormindo quando a casa foi invadida. Eles foram amarrados e feitos refém durante o roubo e foram mortos em seguida. 

Violência de gênero

Do total de mortos (73) a tiros em casa no primeiro semestre de 2020, 88% eram homens (64) e 12% eram mulheres (9). Do total de feridos (17), 65% eram homens (11) e 35% mulheres (6). 

Apesar de quantitativamente menor, os casos em que as vítimas são mulheres parecem repetir um padrão, onde o agressor é alguém próximo, como mostram os casos registrados

Em 13 de maio, já na quarentena, uma mulher de 41 anos foi morta pelo marido com um tiro no rosto no bairro Jardim Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes. Em seguida, o marido da vítima foi baleado pelo filho do casal. 

Ainda em maio, no dia 22, Rosemilda Maria de Sousa, de 44 anos, foi morta com 15 tiros dentro de casa, na rua Dois do bairro da Charnequinha, em Cabo de Santo Agostinho. O ex-namorado dela foi visto, segundo testemunhas, fugindo em uma moto e é o principal suspeito.

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