Só as rodovias foram afetadas 159 vezes por tiroteios nesse período

Por: Kathleem Barbosa e Olivia Kerhsbaumer

A violência armada afeta diariamente a vida das pessoas na Região Metropolitana do Rio. O direito de ir e vir – sempre lembrado – é constantemente ameaçado em decorrência de tiroteios no entorno dos corredores de transporte no Grande Rio. E neste primeiro semestre não foi diferente. 

A plataforma Fogo Cruzado mapeou 227 tiroteios/disparos de arma de fogo no entorno de grandes corredores de transporte em massa. As rodovias e grandes avenidas foram a modalidade de transporte mais afetada (159 vezes), seguidas por trens (60), BRTs (55), e o trecho de superfície da Linha 2 do metrô (27)*. Apesar de alto, em relação ao mesmo período de 2019, houve queda de 44% desses episódios. No mesmo período do ano passado, foram 406. Como as vias são tangenciadas por diferentes modais e há entroncamentos, um tiro pode afetar mais que um corredor ou transporte. 

A famosa rodovia nacional BR-101 – que entra na Região Metropolitana do Rio pelo município de Itaguaí e segue até a Rodovia Mário Covas, também chamada de Niterói-Manilha – teve 57 registros de tiros em suas imediações e ficou no topo da lista de rotas de transporte mais prejudicadas. Em seguida estão o BRT TransBrasil com 31, a Rodovia RJ-085 (que liga São João de Meriti ao município de Duque de Caxias) com 30 registros, o trecho de superfície da Linha 2 do metrô com 27 registros, e o ramal de trem Belford Roxo, com 27 tiroteios/disparos em seu entorno. 

Ainda houveram outras linhas prejudicadas com tiroteios/disparos em suas proximidades, são elas: o BRT Transcarioca com 26 registros de tiros, o ramal de trem Saracuruna com 25, o ramal de trem Japeri com 10 e o ramal de trem Vila Inhomirim com 2.

Houve ruas que chegaram a ser completamente fechadas por causa da violência armada. Em 6 meses, vias foram fechadas 9 vezes. O último registro de fechamento foi durante uma operação policial no Parque União, no Complexo da Maré, em 17 de junho. A operação começou cedo, às 8h13 da manhã, e terminou às 10h04. Com o intenso tiroteio, a Avenida Brasil ficou fechada na altura do Complexo da Maré durante 1h e 51 minutos. A operação terminou com 2 feridos – Marcela Cristina Moreira da Silva, atingida por bala perdida no braço e Thiago de Lima Pinóquio, 23 anos.

Movimentação do Batalhão de Choque na Av. Brasil próximo ao Complexo da Maré – Foto: Reprodução/TV Globo

*A soma das ocorrências em cada modalidade não é igual ao total, porque alguns registros podem ocorrer num entrocamento entre mais de uma modalidade.

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