O dia a dia de quem transita pelas ruas do Rio

Por: Kathleem Barbosa

Transitar no Rio nem sempre é seguro. Para a população que usufrui do transporte urbano diariamente, sair de casa é uma incerteza sobre o que pode acontecer no caminho. Pode haver um assalto, um arrastão, uma disputa entre facções ou operação policial pelas proximidades. E às vezes, a bala pode atingir quem está dentro de um ônibus ou carro, indo pro trabalho etc.

Como assegurado no art. 5º da Constituição federal de 1988, o direito de ir e vir deveria ser garantido aos cidadãos, mas a realidade é outra. A lei diz que “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. Mas nem sempre.

Quando esse direito não é garantido, o resultado entra para as estatísticas do Fogo Cruzado. No dia 19 de setembro de 2020, durante um tiroteio na Av. Brasil, duas pessoas foram baleadas – uma delas não resistiu aos ferimentos. Na ocasião, além da interdição da via na altura de Parada de Lucas, que durou cerca de 1 hora, era possível ver os motoristas se escondendo dos tiros nas muretas da via expressa do Rio. Momento de pânico para quem estava passando na região.

Esse caso não foi o único. Às 12 horas e 39 minutos do dia 6 de dezembro de 2020, disparos foram ouvidos na Linha Vermelha, uma das principais vias expressas de transporte do Rio de Janeiro. Uma ação policial seguida de tiroteio assustou motoristas que passavam por ali. Eles precisaram voltar pela contramão para fugir dos disparos. A via precisou ser interditada por quase uma hora nos dois sentidos na altura do Caju até que a situação fosse normalizada. Esse é o retrato do dia a dia na cidade do Rio.

Estas histórias são cotidianas para o carioca. A rodovia nacional BR-101 – que vai de Itaguaí à Rodovia Mário Covas, também chamada de Niterói-Manilha – foi a mais afetada pela violência armada em 2020: foram 104 vezes. Assim, ela se manteve no topo da lista das vias mais impactadas pela violência no Grande Rio em 2020.

Logo em seguida, vem o BRT TransBrasil, que foi afetado 56 vezes, o BRT Transcarioca com 54, a linha 2 do Metrô na superfície com 53, o ramal Saracuruna da Supervia com 47 e a rodovia RJ-085 – que liga São João de Meriti ao município de Duque de Caxias – também com 47.

No total, houve 437 tiroteios/disparos no entorno de corredores de transporte do Grande Rio. Apesar de ainda alto, esse número representa uma queda de 39% em relação ao mapeamento de 2019 (711). 

O método de cálculo para esta estatística considera um raio de 100 metros das vias, de modo a calcular o impacto no fluxo de cada via ou modal de transporte. O desenho das vias foi obtido via MP em Mapas e inclui Rodovias, Linhas Expressas, Ramais de Trem, Linhas de VLT, a parte não subterrânea da Linha 2 do metrô e os trajetos de BRT – 

As rodovias, assim como no primeiro semestre, foram as mais afetadas, 296 vezes ao longo de 2020, seguida por trens (121), BRTs (108), metrôs na superfície (42) e VLT (3). 

*A soma das ocorrências em cada modalidade não é igual ao total, porque alguns registros podem ocorrer num entrocamento entre mais de uma modalidade.

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