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Rio de Janeiro apreendeu 430 munições por dia entre 2014 e 2017

 64% das munições apreendidas no estado eram de armas de calibres restritos, como fuzis

Existem cinco AISP que estão entre as 10 principais, tanto em quantidade de munições apreendidas quanto em apreensão de armas e também em letalidade violenta: 41, 25, 14, 7, 8. Dentre estas, a AISP 41, que engloba a área da de Irajá e Vila da Penha, aparece também como 4º lugar de destaque entre os locais com maiores registros de tiroteio pelo Fogo Cruzado.

O Instituto Sou da Paz produziu um relatório inédito sobre a apreensão de munições no estado do Rio de Janeiro, entre janeiro de 2014 e junho de 2017, com base em dados oficiais fornecidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ). Dados sobre tiroteios/disparos de armas de fogo – registrados entre 2016 e 2017 – possibilitaram cruzamentos de informações e análises adicionais. Baixe aqui a íntegra da pesquisa.

Foi possível analisar a apreensão de munições por calibre, por dia, por circunscrição policial (138 unidades CIPS), por Área Integrada de Segurança Pública (39 unidades) e também comparar a dinâmica da apreensão de munições com a dinâmica da apreensão de armas de fogo e de crimes letais.

Por que este tema é importante?

O acesso ilegal a munições é um elemento fundamental da violência armada ainda muito pouco trabalhado no Brasil. O objetivo deste relatório é fornecer análises de padrões existentes e evidências da necessidade de um melhor controle sobre a produção e comercialização de munições no Brasil, assim como de uma política de apreensão mais assertiva.

“Munição farta significa mais potencial das quadrilhas em se enfrentar e para enfrentar a polícia. Em outras palavras, significa mais policiais mortos e a população em meio ao fogo cruzado acirrado”, comenta Ivan Marques, diretor-executivo do Instituto Sou da Paz.

Principais destaques no relatório:

  • Entre janeiro de 2014 e junho de 2017 foram apreendidas 777 munições[1] no estado, o equivalente a 430 munições por dia ou 1 munição para cada 30 habitantes.
  • A apreensão de munições no Rio de Janeiro vinha crescendo continuamente entre 2014 e 2016, mas sofreu uma desaceleração no primeiro semestre de 2017 (71.190 munições). Em um cenário de recrudescimento da violência, a hipótese é de menos eficiência da polícia, provavelmente impactada pela crise fiscal (atraso de salário, problemas de viatura, entre outros). Isto porque outros indicadores operacionais caíram no mesmo período (como apreensão de armas, ainda que em menor proporção) em contrapartida aos tiroteios e mortes violentas que só crescem.

Munições por tipo

  • 64% das munições apreendidas são de calibres restritos. Chama a atenção o alto percentual de munições de fuzis apreendidas (22% do total). Possivelmente o RJ é o estado do país com maior número de fuzis e que possui uma dinâmica de disputa de território decorrente do tráfico bem específica, o que ajuda a explicar a procura por armas e munições de guerra, como os fuzis. A alta proporção de munições restritas significa, na prática, uma capacidade maior do crime de se opor à lei e ao Estado, por isso este achado é tão preocupante.

Munições no território

  • 20 das 138 delegacias policiais do Estado somam 52% das apreensões de munições, demonstrando uma alta concentração. Na análise das áreas integradas da capital é possível ver que salta aos olhos regiões como Acari, Pavuna, Irajá e Realengo (AISP 41 e 14) onde se localizam o Complexo do Chapadão e Pedreira. Nestas áreas, além de alta apreensão de armas e munições há alta taxa de letalidade violenta (homicídios, latrocínios e mortes decorrentes de intervenção policial), como indicam os mapas abaixo. Fora da capital, São Gonçalo e Cabo Frio também concentram estas três características.

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Munições por marca

  • 42% das munições apreendidas em 2014 (último ano em que este dado foi disponibilizado) eram da fabricante brasileira Companhia Brasileira de Cartuchos, sendo de longe a marca mais apreendida.

“Sabendo que legalmente a responsabilidade pela fiscalização da fabricação e comércio da munição é no Brasil uma responsabilidade do Exército, é preciso mobilizar o atual apoio federal no estado para descobrir qual é o percurso desta munição, da fábrica até chegar na mão de criminosos, e interromper este fornecimento”, comenta Ivan.

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Existem cinco AISP que estão entre as 10 principais, tanto em quantidade de munições apreendidas quanto em apreensão de armas e também em letalidade violenta: 41, 25, 14, 7, 8. Dentre estas, a AISP 41, que engloba a área da de Irajá e Vila da Penha, aparece também como quarto lugar de destaque entre os locais com maiores registros de tiroteio pelo Fogo Cruzado. Estas são áreas que merecem atenção diferenciada no que se refere aos investimentos de políticas de segurança preventivas, tanto das motivações da violência letal por meio de atendimento aos grupos mais vulneráveis como também de prevenção ao tráfico de armas e munições, identificando as rotas e origens recorrentes para impedir que elas continuem a chegar nestes locais.

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[1] Aqui nos referimos apenas a munições íntegras apreendidas.

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