Mapeamento do Instituto Fogo Cruzado revela maior número de baleadas na região

A violência desenfreada é ainda o maior desafio para os moradores do Leste Metropolitano. Apesar de ter ficado atrás da Zona Norte e empatar com a Baixada Fluminense em número de tiroteios, a área concentrou quase a metade dos baleados na Região Metropolitana do Rio, 48%, só no mês de setembro. 

De acordo com o mapeamento do Instituto Fogo Cruzado, houve 68 tiroteios/disparos de arma de fogo na localidade. Uma média de dois por dia na região composta pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá. No total, houve 286 tiroteios no Grande Rio. A Zona Norte e a Baixada Fluminense tiveram 78 e 68 casos no mês, respectivamente. 

Chacinas, balas perdidas, adolescentes e idosos atingidos fizeram parte do dia a dia do Leste Metropolitano, que teve a maior parte das vítimas em quase todos os indicadores do Fogo Cruzado. As duas chacinas que ocorreram na Região Metropolitana do Rio foram na região.  Entre as sete vítimas de bala perdida, cinco foram no Leste. Três, dos seis adolescentes atingidos, foram baleados no Leste Metropolitano, e o único idoso baleado em toda a região metropolitana também foi atingido na área. 

Sozinho, São Gonçalo foi o mais violento para a população. Embora tenha ficado atrás da cidade do Rio de Janeiro nos tiroteios – foram 150 registros no Rio e 48 em São Gonçalo -, o município teve 51 baleados no mês – 21 mortos e 30 feridos -, o que equivale a 81% do total de atingidos por bala em todo Leste Metropolitano.

O município foi o mais letal para a população da terceira idade. Em um relatório produzido pelo Instituto Fogo Cruzado e divulgado no dia 1º de outubro, Dia do Idoso, São Gonçalo, mais uma vez, concentrou a maior parte dos idosos baleados este ano.

Últimos dados

Em setembro de 2021, o Instituto Fogo Cruzado mapeou 286 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Embora ainda um número assustador, houve queda de 9% se comparado ao mesmo período de 2020, quando foram registrados 315 tiroteios.

Neste ano, 100 dos 286 tiroteios ocorreram na presença de agentes de segurança*, o que representa 35% do total de tiroteios. Houve um aumento de 33%, em relação à mesma época de 2020, quando foram registrados 75 disparos com presença de agentes.

Neste mês que passou, 131 pessoas foram baleadas quando 61 morreram e 70 ficaram feridas. O número de mortos é 39% maior e o de feridos é 1% maior que o registrado em setembro de 2020, quando houve 113 baleados, destes, 44 mortos e 69 feridos.

Em comparação com agosto, que mapeou 340 tiroteios, 172 baleados, sendo 90 mortos e 82 feridos, setembro apresentou queda de 16% nos tiroteios, de 32% nos mortos e de 15% nos feridos.

No mês de setembro, entre as datas mais afetadas pela violência armada, o dia 17 concentrou o maior número de tiroteios, com 22 registros. O dia 23 registrou o maior número de mortos, com oito vítimas e, no dia 24, o maior número de feridos, com oito atingidos.

O mapa da violência

Entre os municípios que fazem parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, os cinco mais afetados pela violência armada em setembro foram:

  • Rio de Janeiro: 150 tiroteios, 14 mortos e 16 feridos
  • São Gonçalo: 48 tiroteios, 21 mortos e 30 feridos
  • Duque de Caxias: 21 tiroteios, 6 mortos e 2 feridos
  • Niterói: 15 tiroteios, 1 morto e 6 feridos
  • Belford Roxo: 13 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos

Os cinco bairros mais violentos:

  • Bangu: 10 tiroteios e 2 feridos
  • Brás de Pina: 9 tiroteios e 1 morto
  • Campo Grande: 7 tiroteios e 2 mortos
  • Vila Isabel: 7 Tiroteios
  • Vila Kennedy: 7 Tiroteios

Das seis regiões as mais afetadas por tiroteios:

  • Zona Norte: 78 tiroteios, 8 mortos e 11 feridos
  • Leste Metropolitano: 68 tiroteios, 25 mortos e 38 feridos
  • Baixada Fluminense: 68 tiroteios, 22 mortos e 16 feridos
  • Zona Oeste: 55 tiroteios, 5 mortos e 4 feridos
  • Zona Sul: 11 tiroteios e 1 ferido
  • Centro: 6 tiroteios e 1 morto

Foram 20 tiroteios em áreas de unidade de polícia pacificadora (UPP) e das áreas mais afetadas pela violência armada:

  • Rocinha: 4 tiroteios
  • Macacos: 4 tiroteios
  • Tabajaras: 2 tiroteios
  • Turano: 2 tiroteios
  • Andaraí: 2 tiroteios
  • Complexo do Alemão: 2 tiroteios
  • Chapéu-Mangueira/Babilônia: 1 tiroteio e 1 ferido

As vítimas da violência

  • Houve duas chacinas** na Região Metropolitana do Rio. Em todas delas havia presença de agentes de segurança. No total, 7 pessoas foram mortas. No mesmo período de 2020, duas chacinas e seis óbitos no total, todas na agentes de segurança.
  • Sete pessoas foram vítimas de bala perdida*** na Região Metropolitana do Estado, duas morreram e cinco ficaram feridas. No mesmo período de 2020, houve oito vítimas: uma morreu e sete ficaram feridas. 
  • Seis adolescentes**** e um idoso***** foram baleados na Região Metropolitana do Rio, destes, três adolescentes e um idoso morreram. No mesmo período de 2020, duas crianças******, dois adolescentes e três idosos foram atingidos matando um idoso. 

Acumulado de 2021

De janeiro até setembro, o Instituto Fogo Cruzado mapeou 3.795 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região metropolitana do Rio, em 1.168 deles houve presença de agentes de segurança. Ao todo, 1.622 pessoas foram baleadas, 843 morreram e 779 ficaram feridas. Houve um aumento de 7% nos tiroteios gerais se comparado ao mesmo período de 2020, que teve 3.558 tiroteios, 986 na presença de agentes de segurança, deixando 665 mortos e 686 feridos. Houve ainda aumento de 18% nos casos com presença de agentes de segurança, assim como  27% no número de mortes e 13% no de feridos.

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Instituto Fogo Cruzado usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da Instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real. Elas estão disponíveis no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

* Presença de agentes: situações em que há presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: operação, ação, assalto a agentes etc.

** Chacinas: eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação: chacinas – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc (SSP de SP).

*** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

**** Adolescentes: Com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos (UNICEF)

***** Idoso: Com idade a partir de 60 anos (Estatuto do Idoso)****** Criança: com idade inferior a 12 anos (UNICEF)

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