Apesar da redução, Região Metropolitana do estado teve média de 14 tiroteios/disparos por dia

No primeiro semestre de 2020, a plataforma Fogo Cruzado registrou 2.606 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio. Neste período, que foi marcado pela pandemia do novo coronavírus e por uma série de medidas de isolamento para conter o avanço da contaminação, o número é 38% menor que o registrado nos primeiros 6 meses de 2019, quando houve 4.174 disparos. 

A média de tiroteios por dia também diminuiu – foram 14 registros diários nos primeiros 6 meses de 2020, contra 23 no mesmo período de 2019. Houve redução também no número de tiroteios com a presença de agentes de segurança* – foram 770 neste semestre e 1.204 nos 6 primeiros meses de 2019.

Ao todo, 1.040 pessoas foram baleadas** – destas, 518 morreram e 522 ficaram feridas. Dos 2.606 tiroteios/disparos registrados, em 74% não houve vítimas. Já no mesmo período de 2019, 1.513 pessoas foram baleadas, o que representa uma queda de 34% nos mortos (779) e de 29% nos feridos (734).

Veja os destaques deste primeiro semestre:

  • Número total de tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: 2.606
  • Média de tiroteios/disparos de arma de fogo por dia: 14
  • Número total de baleados: 1.040
  • Número total de mortos: 518
  • Dia com mais tiroteios/disparos de arma de fogo: 06/04, com 29 registros
  • Dia com mais mortos: 15/05, com 15 mortos
  • Dia com mais feridos: 04/02, com 16 feridos
  • Mês com mais tiroteios/disparos de arma de fogo: Maio, com 505 registros
  • Mês com mais mortos: Janeiro, com 118 mortos
  • Mês com mais feridos: Fevereiro, com 117 feridos
  • Do total de tiroteios/disparos (2.606), em 74% não houve vítimas (1916 casos)
  • Do total de tiroteios/disparos (2.606), em 30% havia a presença de agentes de segurança (770 casos)

Regiões

A Zona Norte do Rio, com 892 registros, concentrou 34% do total acumulado de tiroteios no Grande Rio*** (2.606), sendo a região com mais registros neste semestre. Em seguida, vem a Baixada Fluminense (558), Zona Oeste (516), Leste Metropolitano (483), Centro (104) e Zona Sul (53). 

Apesar de figurar em quarto lugar no ranking de regiões com mais tiroteios, o Leste Metropolitano, no entanto, teve o maior número de baleados. Das 518 mortes no Grande Rio, 180 ocorreram no Leste, o que representa 35% de todos os mortos. A região também concentrou o maior número de feridos: dos 522 registrados no Grande Rio, 166 foram no Leste, o que representa 32% do total de feridos.

Municípios

O Rio de Janeiro foi o município da Região Metropolitana do Rio com mais tiroteios/disparos de arma de fogo neste primeiro semestre: foram 1.565 registros – 60% do total acumulado no período (2.606). São Gonçalo (338), Duque de Caxias (145), Belford Roxo (135) e Niterói (108) completaram o ranking. A capital fluminense também foi o município com o maior número de mortos (184) e de feridos (244)

Bairros

A Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, foi o bairro do Grande Rio com mais tiros no primeiro semestre: 188 tiroteios/disparos de arma de fogo. Em seguida, vêm Cidade de Deus (95), Complexo do Alemão (80), Tijuca (55) e Bangu (48). Na terceira posição do ranking o Complexo do Alemão, na Zona Norte, teve o maior número de mortos (17), e Bangu, vizinho a campeã Vila Kennedy, foi quinto bairro no ranking de mais tiros, mas com o maior número de feridos (22).

A Vila Kennedy, que ocupa a primeira posição entre os bairros com mais tiroteios por 9 meses consecutivos, foi também o que mais teve tiros em todo o ano de 2019 (376) e 2018 (365).

UPPs

Dos 2.606 tiroteios registrados na Região Metropolitana do Rio no primeiro semestre, 303 deles ocorreram em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Ao todo, 71 pessoas foram baleadas nestas áreas, das quais 39 morreram e 32 ficaram feridas. 

Complexo do Alemão (80), Complexo da Penha (30), Borel (24), Macacos (24) e Complexo de Manguinhos (22) foram as áreas de UPP com mais tiroteios/disparos de arma de fogo no período. O Complexo do Alemão teve também o maior número de mortos (17), e o Complexo de Manguinhos, o maior número de feridos (7).

Leste Metropolitano

Dos 2.606 tiroteios/disparos de arma de fogo registrados no Grande Rio no primeiro semestre, 483 (19%) deles ocorreram no Leste Metropolitano, que concentra os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá. Ao todo, 346 pessoas foram baleadas na região, destas 180 morreram e 166 ficaram feridas.

Dos 483 tiroteios registrados no Leste, a maioria (338 deles – 70%) ocorreu em São Gonçalo. Em seguida, vêm Niterói (108), Itaboraí (22), Maricá (14) e Cachoeiras de Macacu (1). São Gonçalo também teve o maior número de mortos (130) e de feridos (119) entre os municípios do Leste Metropolitano.

Amendoeira, em São Gonçalo, foi o bairro do Leste com mais tiroteios/disparos de arma de fogo: 38. Em seguida, vêm Jardim Catarina (27), Pacheco (27), Santa Rosa (15) e Salgueiro (14). Jardim Catarina teve o maior número de mortos (12) e de feridos (15) entre os bairros do Leste Metropolitano. Santa Rosa foi o único bairro fora de São Gonçalo a compor o ranking dos 5 bairros com mais tiros no semestre. O bairro fica em Niterói.

Baixada Fluminense

A Baixada Fluminense concentrou 21% do total de tiroteios registrados no Grande Rio no primeiro semestre de 2020 (2.606). Foram 558 registros na região, que é composta pelos municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica. Ao todo, 266 pessoas foram baleadas: das quais 154 morreram e 112 ficaram feridas

Duque de Caxias (145), Belford Roxo (135), Nova Iguaçu (83), São João de Meriti (69) e Mesquita (41) foram os 5 municípios com mais tiroteios na Baixada Fluminense. Belford Roxo teve o maior número de mortos (36) e Duque de Caxias o maior número de feridos (32).

Olavo Bilac (15) e Vila Centenário (14), em Duque de Caxias, Centro (14) e Bom Pastor (13), em Belford Roxo, e Vilar dos Teles (12), em São João de Meriti, foram os bairros com mais tiroteios na Baixada Fluminense. Vilar dos Teles também teve o maior número de mortos (9), enquanto Amapá, em Duque de Caxias, e Nova Belém, em Japeri, tiveram o maior número de feridos – 6 cada.

Agentes de segurança

No primeiro semestre de 2020, 72 agentes de segurança**** foram baleados – 32 deles morreram. Neste período houve queda de 43% em comparação com o primeiro semestre de 2019, quando 126 agentes foram baleados, dos quais 30 morreram.

Do total de agentes mortos neste primeiro semestre (32), 19 estavam fora de serviço, 9 estavam em serviço e 4 eram aposentados/exonerados. Do total de feridos (70), 24 estavam em serviço, 15 estavam fora de serviço e 1 era aposentado/exonerado/da reserva.

Múltiplas mortes

No primeiro semestre de 2020, houve 24 casos em que 3 ou mais civis foram mortos a tiros em uma mesma situação. No total, 93 civis morreram nestas circunstâncias. Em 75% dos casos (18) houve presença de agentes de segurança. Em comparação com o mesmo período de 2019, quando houve 34 casos com 144 mortos no total, neste semestre houve queda de 29% nos casos e de 35% nos mortos.

Tiros em residências

Nos 6 primeiros meses de 2020, houve 19 casos de tiroteios/disparos de arma de fogo dentro de residências no Grande Rio. Ao todo 10 pessoas foram mortas (8 homens e 2 mulheres) e 6 ficaram feridas (3 homens e 3 mulheres) quando estavam dentro de casa. Do total de baleados em casa (16), 5 foram atingidos por balas perdidas (2 mortos e 3 feridos). 

Em 4 dos casos, os tiros atingiram a estrutura das casas, mas sem ferir ninguém. 

Em comparação com o primeiro semestre de 2019 (quando houve 31 casos que resultaram em 43 mortos e 8 feridos), houve queda de 39% no número de casos, de 77% nos mortos e de 25% nos feridos.

Vítimas por faixa etária

Nestes primeiros 6 meses, 17 crianças (com idade inferior a 12 anos), 24 adolescentes (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) e 14 idosos (a partir de 60 anos) foram baleados na Região Metropolitana do Rio. Destes, 6 crianças, 11 adolescentes e 10 idosos morreram. No mesmo período de 2018 foram 10 crianças, 46 adolescentes e 20 idosos baleados, dos quais, 3 crianças, 27 adolescentes e 12 idosos morreram.

Balas perdidas

Houve 69 vítimas de bala perdida***** na Região Metropolitana do Rio neste primeiro semestre – 12 delas morreram e 57 ficaram feridas. O total de vítimas é 27% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando houve 94 baleados – sendo 24 mortos e 70 feridos.

Entre os baleados este ano houve: 2 agentes de segurança, 13 crianças, 8 adolescentes, 5 idosos e 2 animais foram vítimas de balas perdidas.

Motivos

Dos 2.606 tiroteios/disparos de arma de fogo mapeados pelo Fogo Cruzado no primeiro semestre de 2020, em 32% (846) dos registros foi possível identificar a motivação. 

Ação/operação policial (564), homicídio/tentativa de homicídio (127), roubo/tentativa de roubo (88), ataque a civis (19) – aplicado a ataques a estabelecimentos civis como lojas, bares, pontos de ônibus, etc. – , e “guerra” (13) – aplicado a casos onde há disputa entre facções, sem a presença de agentes de segurança, foram os motivos mais indicados como razão para os disparos.

Vias e modais de transporte afetados

Houve, nos 6 primeiros meses do ano, 227 tiroteios/disparos de arma de fogo em um raio de até 100 metros de corredores de transportes da Região Metropolitana do Rio. 

Do total de vias e modais de transporte, rodovias e avenidas foram afetadas 159 vezes, seguidas de trens (60), BRTs (55) e metrô****** (27).

A BR-101 – que inclui a Avenida Brasil, além de ter em seu trecho no Leste Metropolitano uma ligação entre Niterói e Manilha – foi a rota mais afetada: foram 57 tiroteios/disparos em seu entorno. Em seguida, vem o BRT TransBrasil (31); a RJ-085 – que liga o município de São João de Meriti a cidade de Duque de Caxias – (30); o metrô – Linha 2 (superfície) – (27); e o trem ramal Belford Roxo (27).

Vale frisar que nesta contagem, um mesmo registro de tiro pode ocorrer próximo a mais de uma via/rota, o que significa que um tiro pode aparecer mais de uma vez em diferentes pontos de tráfego urbano.

Unidades de saúde afetadas

Dos 2.606 tiroteios/disparos de arma de fogo que ocorreram no primeiro semestre do ano, 32% (846) deles ocorreram no entorno de unidades de saúde públicas e privadas da Região Metropolitana do Rio. Isto representa uma média de 5 tiroteios/disparos por dia ao redor das unidades.

Das 4.190 unidades de saúde do Grande Rio, 1.285 ou 31% – delas foram afetadas pelos tiros disparados em até 100 metros de seu entorno.

Rio de Janeiro (505), São Gonçalo (92), Niterói (67), Belford Roxo (44) e Nova Iguaçu (36) foram os municípios com mais tiros no entorno de unidades de saúde.

Entre os bairros, a Vila Kennedy (149), Tijuca (41), Pacheco, em São Gonçalo (20), Copacabana (17) e Maré (17), foram os com mais tiros próximos às unidades.

* Presença de Agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

** Considera-se baleados a soma de mortos e feridos.

*** Grande Rio: termo utilizado para falar da Região Metropolitana do Rio, que inclui Baixada Fluminense, Leste Metropolitano e a cidade do Rio de Janeiro.

**** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

***** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

****** Para o metrô, foram mapeados somente tiroteios nos trechos em que fica a parte não subterrânea da Linha 2 do metrô, entre a Cidade Nova e a Pavuna.

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