Também houve redução de 35% na participação de agentes de segurança nos tiroteios

Durante o mês de novembro, a plataforma Fogo Cruzado registrou 301 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 35% a menos que o registrado no mesmo período de 2019, quando houve 463 tiroteios.

No penúltimo mês do ano também houve queda de 35% na quantidade de tiroteios com a participação de agentes de segurança*: foram 98 em 2020 e 150 no mesmo período do ano passado.

Também houve redução de 27% no número de baleados (soma de mortos e feridos): foram 135 pessoas em novembro de 2020, destas, 64 morreram; e 184 em novembro de 2019 (sendo 101 mortas e 83 feridas).

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio em novembro:

  • O Rio de Janeiro, com 175 registros, teve o maior número de tiroteios/disparos de arma de fogo no mês de novembro, concentrando 58% do total registrado na Região Metropolitana do Rio (301). Em seguida no ranking, ficaram os municípios de São Gonçalo (44), Duque de Caxias (24), Niterói (10) e Belford Roxo (10). A capital fluminense também concentrou o maior número de baleados: foram 49 (sendo 19 mortos e 30 feridos). Em segundo lugar no ranking de tiroteios, São Gonçalo teve 38 baleados, quase 1 baleado por tiroteio registrado no município este mês.
  • Em comparação com outubro, que teve 420 tiroteios/disparos de arma de fogo, o número de registros em novembro (301) teve queda de 28%. Também houve diminuição de 48% no número de mortos e de 18% no de feridos: foram 64 mortos e 71 feridos em novembro; e 124 mortos e 87 feridos em outubro.
  • Em novembro, os dias 6, 7 e 20 tiveram o maior número de tiroteios, foram 15 em cada. Entre os mortos, os dias 6 e 24 tiveram o maior número de vítimas, foram 7 em cada. E entre os feridos, os dias 2, 17 e 21 concentraram o maior número de registros: foram 5 em cada.
  • A Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, voltou ao posto de bairro com mais tiroteios/disparos de arma de fogo no Grande Rio em novembro – liderado em outubro pela Tijuca: foram 28 registros. Em seguida, ficaram Complexo do Alemão, Tijuca e Jardim Olavo Bilac, em Duque de Caxias, empatados com 7 registros cada; e Padre Miguel, Andaraí e Cidade de Deus, com 6 registros cada.
  • Houve 40 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) este mês. Providência (8), Complexo do Alemão (7), Andaraí (5) e, empatadas em quarto lugar, ficaram Formiga, Complexo da Penha, Tabajaras, Complexo de Manguinhos e Jacarezinho, com 2 registros cada.
  • A Zona Norte do Rio teve 92 tiroteios/disparos de arma de fogo e concentrou 31% do total acumulado no mês de novembro (301). Em seguida, vieram as regiões da Baixada Fluminense (69), Zona Oeste (58), Leste Metropolitano (57), Centro (17) e Zona Sul (8). Na quarta posição no ranking, o Leste Metropolitano – que abrange os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá – teve 47 babelados (sendo 20 mortos e 27 feridos), concentrando 35% do total de baleados no Grande Rio em novembro (135).
  • Em novembro, houve 2 casos com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação** no Grande Rio, ao todo, 6 civis foram mortos nestas circunstâncias: em nenhum dos casos houve presença de agentes de segurança. No mesmo período de 2019, foram 5 casos que deixaram 21 mortos no total. Em 4 deles houve presença de agentes. Este mês teve redução de 60% na quantidade de casos e também de 71% na quantidade de mortos nestas situações.
  • Este mês, 12 agentes de segurança*** foram baleados no Grande Rio: 3 morreram (1 em serviço) e 9 ficaram feridos (5 em serviço). Número de baleados indica queda de 14% em comparação com novembro de 2019, quando 14 foram atingidos: sendo 6 mortos (todos fora de serviço) e 8 feridos (6 em serviço e 2 fora de serviço).
  • Número de vítimas de bala perdida**** diminuiu 38% em novembro: foram 8 pessoas atingidas (5 delas sobreviveram). Entre as vítimas estava o ator Bruno Miranda, conhecido pelo personagem Borat do programa “Amor e Sexo”. Ele foi atingido por uma bala perdida no dia 25, quando estava na praia do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, mas sobreviveu. Na ocasião, uma briga entre os motoristas – entre eles, um policial militar – de dois carros que colidiram na Rua Maurício da Costa Faria e provocou o capotamento de um deles, terminou em tiros, que acabaram por acertar o ator. No mesmo período de 2019, foram 13 vítimas de bala perdida (4 delas morreram). 
  • Em novembro, 6 adolescentes (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) foram baleados no Grande Rio: destes, 4 morreram. Entre as vítimas está Hevelyn de Sant’anna Rosa, de 17 anos. A adolescente foi morta após ser baleada na cabeça na Favela da Carobinha, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, no dia 5. As primeiras informações apontaram que Hevelyn teria sido vítima de feminicídio. No mesmo período de 2019, 2 crianças (com idade inferior a 12 anos), 4 adolescentes e 3 idosos (a partir de 60 anos) foram baleados: destes, 1 criança, 3 adolescentes e 3 idosos morreram. 
  • No acumulado do ano – de janeiro até novembro – o Fogo Cruzado registrou 4.282 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao todo, 1.697 pessoas foram baleadas: destas, 853 morreram e 844 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2019, houve queda de 39% no número de tiroteios, de 40% na quantidade de mortos e de 34% no número de feridos. Em 2019 foram registrados 7.002 tiroteios, que deixaram 2.710 pessoas baleadas (1.426 mortas e 1.284 feridas).

* Presença de agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

** Eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação – chacinas, mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc.

*** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

**** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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