Número de idosos e crianças baleados este mês já é 5 vezes maior que em janeiro de 2019

Em janeiro, a plataforma Fogo Cruzado registrou 430 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. Em comparação com o mesmo período de 2019, em que teve 680 registros, este ano houve uma queda de 37% no número de tiros. Ao todo, 211 pessoas foram baleadas este mês, 117 delas morreram – 28% a menos que os 293 baleados em janeiro do ano passado. Este mês também teve uma queda de 38,5% no número de tiroteios com a presença de agentes de segurança no Grande Rio, foram 142 em 2020 e 231 em 2019.

A Vila Kennedy, “campeã” entre os bairros do Grande Rio no número de tiroteios/disparos de arma de fogo em todo o ano de 2019, se manteve no topo este mês: foram 28 registros. Em seguida vem Cidade de Deus (26), Complexo do Alemão (12), Tijuca (12) e Jardim Catarina, em São Gonçalo (9), Bangu (8), Penha (8) e Pacheco, também em São Gonçalo (8).

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio em janeiro:

  • O Rio de Janeiro concentrou 54% dos tiroteios/disparos de arma de fogo entre os municípios do Grande Rio este mês, foram 234 no total. São Gonçalo (82), Belford Roxo (25), Duque de Caxias (23) e Niterói (18) completaram o ranking. A capital fluminense também teve o maior número de baleados (90).
  • Em comparação com dezembro de 2019, que contou com 364 tiroteios/disparos de arma de fogo, o mês de janeiro apresentou aumento de 18%, foram 66 registros a mais que no mês anterior. O número de baleados teve aumento ainda maior, de 26%: foram 211 este mês e 168 em dezembro.
  • Em janeiro, houve 53 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Complexo do Alemão (12), Complexo da Penha (7), Complexo de Manguinhos (7), Borel (6) e Jacarezinho (3) tiveram o maior número de registros. Em sexto lugar no ranking, o Vidigal teve o maior número de mortos este mês (4).
  • Dos 430 tiroteios/disparos de arma de fogo registrados este mês, 27% deles ocorreram na zona norte, foram 114 no total. Leste Metropolitano (102), Baixada Fluminense (94), zona oeste (89), Centro (18) e zona sul (13) completaram o ranking. O Leste Metropolitano**, na segunda posição das regiões com mais tiros, chamou atenção para o número de mortos este mês: dos 117 mortos no Grande Rio, 36% (42) ocorreram na região.
  • Em janeiro, houve 4 casos com com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação no Grande Rio, ao todo 14 pessoas foram mortas. Em todos os casos havia presença de agentes de segurança. Em comparação com o mesmo mês de 2019, houve uma queda de 50% no número de casos e de 56% no número de mortos – foram 8 casos com 32 mortos no total. Em 7 havia a presença de agentes de segurança.
  • Em janeiro, houve uma queda de 33% no número de agentes de segurança*** baleados no Grande Rio. Foram 16 este mês (7 deles morreram), e 24 agentes em janeiro de 2019 (sendo 7 mortos). Do total de agentes baleados este mês, 5 foram mortos e 5 ficaram feridos quando estavam fora de serviço, 2 morreram durante o posto de trabalho.
  • 18 pessoas foram vítimas de bala perdida**** no Grande Rio este mês, 6 delas morreram. Número de baleados é 10% menor, mas número de mortos é 50% maior que o registrado em janeiro de 2019 – foram 20 baleados, sendo 4 deles, mortos. Entre as vítimas deste mês está Samuel Meneses da Conceição, de 47 anos. O pedreiro, que também era presbítero em uma igreja em Olaria, saía para trabalhar, quando foi atingido na cabeça por um tiro durante operação policial na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte do Rio, no dia 22.
  • 4 crianças (até 12 anos incompletos), 5 adolescentes (de 12 anos até 18 anos incompletos) e 6 idosos (a partir de 60 anos) foram baleados no Grande Rio este mês: destes, 1 criança, 2 adolescentes e 4 idosos morreram. No mesmo período de 2019, 1 criança, 12 adolescentes e 1 idoso foram baleados: destes, 6 adolescentes e 1 idoso morreram. Número de crianças baleadas em 2020 é 300% maior que no ano anterior, já para o número de idosos esse aumento é de 500%. Anna Carolina de Souza Neves, de 8 anos, foi uma das crianças baleadas este mês. A menina estava no sofá de casa com os pais, quando foi atingida por uma bala perdida na Avenida Joaquim Costa Lima, no Parque Esperança, em Belford Roxo, no dia 10. Ela foi a primeira criança baleada no Grande Rio este ano.

* Grande Rio: termo utilizado para falar da região metropolitana do Rio, que inclui Baixada Fluminense, Leste Metropolitano e a cidade do Rio de Janeiro.

** Leste Metropolitano, região que concentra os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá.

*** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados. 

**** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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