Tiroteios com e sem a presença de agentes de segurança também voltaram a subir

Durante o mês de setembro, a plataforma Fogo Cruzado registrou 315 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio, uma queda de 42% nos registros em relação ao mesmo período de 2019, quando houve 546 tiros. O número de baleados acompanhou a queda e foi 57% menor: foram 113 este mês (destes, 43 morreram), no mesmo período de 2019 foram 264 (sendo 148 mortos).

Além dos tiroteios e dos baleados, a presença de agentes de segurança* nestes eventos também diminuiu: dos 315 tiroteios registrados em setembro, houve participação de agentes de segurança em 74 deles, 60% a menos que em 2019, quando houve participação em 186 incidentes.

No entanto,  apesar da queda com relação ao ano anterior, o crescimento de todos os indicadores na comparação Agosto/Setembro deve servir como alerta. Em comparação com agosto, que teve 296 tiroteios/disparos de arma de fogo no Grande Rio, setembro, com 315 registros, teve aumento de 6% no volume de disparos. O aumento no número de tiroteios com a presença de agentes de segurança foi ainda mais significativo (17%), mesmo com a vigência das medidas do STF de restrição de operações policiais. Houve aumento ainda no número de baleados (28%)  – foram 113 em setembro e 88 em agosto.

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio em agosto:

  • O Rio de Janeiro, com 186 tiroteios/disparos de arma de fogo, concentrou 59% do acumulado na região metropolitana este mês (315), seguido por São Gonçalo (39), Duque de Caxias (33), São João de Meriti (13) e Nova Iguaçu (10). Duque de Caxias (33), que ficou em 3º lugar no ranking de cidades com mais tiros, apresentou tendência inversa à maioria dos municípios, registrando aumento de 200% nos tiroteios em comparação com setembro do ano passado (11).
  • O dia 10 foi o dia com o maior número de tiros e de feridos no Grande Rio: foram 19 tiroteios e 9 feridos registrados. Já os dias 11 e 16 empataram com o maior número de mortos, com  6 vítimas cada.
  • Mais uma vez a Vila Kennedy ocupou a primeira posição no ranking dos bairros do Grande Rio com mais tiros, foram 21 este mês – 2 a menos que no mês anterior. Em seguida, vem Tijuca (13), Olavo Bilac, em Duque de Caxias (12), Penha (11) e Santa Teresa (7).
  • Este mês houve 52 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas onde ainda há Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Complexo da Penha (14), Borel (7), Tabajaras (5), Complexo do Alemão (4), Andaraí (4) e Prazeres (3) foram as áreas com mais registros. 
  • A Zona Norte do Rio, com 96 registros, concentrou 30% do total de tiroteios acumulados no Grande Rio em setembro (315). Na sequência, vem Baixada Fluminense (82), Zona Oeste (55), Leste Metropolitano (47), Centro (23) e Zona Sul (12). Em quarto lugar no ranking das regiões com mais tiroteios, o Leste Metropolitano – formado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá – teve o maior número de mortos (12) e feridos (30), concentrando 37% dos baleados na região metropolitana este mês (113).
  • Em setembro, houve 2 casos com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação no Grande Rio, ao todo 6 civis foram mortos nestas circunstâncias. Em ambas as ocasiões, houve presença de agentes. No mesmo período de 2019, foram 10 casos que deixaram 34 mortos no total. Em 95 deles houve presença de agentes. Este mês houve queda de 80% na quantidade de casos e também de 82% na quantidade de mortos nestas situações.
  • 15 agentes de segurança** foram baleados no Grande Rio este mês: 2 deles morreram e 13 ficaram feridos. Entre os mortos, nenhum estava em serviço, entre os feridos, 7 estavam em serviço. Número de agentes baleados este mês é 17% menor que o registrado no mesmo período de 2019, quando 18 agentes foram atingidos (sendo 10 mortos). Entre os baleados naquele período, 5 morreram e 3 ficaram feridos quando estavam fora do posto de trabalho.
  • 8 pessoas foram vítimas de bala perdida*** no Grande Rio em setembro: 1 delas morreu. Quantidade de vítimas este mês é 58% menor que a registrada no mesmo período de 2019, quando houve 19 baleadas, sendo 3 delas mortas. Entre as vítimas deste mês está um estudante de 16 anos, baleado na perna no início do mês, durante uma ação policial de combate a roubo de cargas na Penha. O estudante, que não teve o nome divulgado foi socorrido e passa bem.
  • Este mês, 2 crianças (com idade inferior a 12 anos) 2 adolescentes (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) e 3 idosos (com idade igual ou superior a 60 anos) foram baleados no Grande Rio. Destes, 1 idoso morreu. Em setembro de 2019, 3 crianças, 12 adolescentes e 4 idosos foram baleados – destes, 1 criança, 10 adolescentes e 3 idosos morreram. Entre as vítimas, estão uma criança de 7 anos e Railsa Wanderley, de 63 anos, baleados em uma festa infantil em Vila São Luis, Nova Iguaçu, no último dia 16. O menino e a idosa foram hospitalizados e sobreviveram, apesar da gravidade dos ferimentos.
  • No acumulado do ano – de janeiro até setembro – o Fogo Cruzado registrou 3.560 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio. No total, 1.348 pessoas foram baleadas: destas, 663 morreram e 685 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2019, houve queda de 41% no número de tiroteios, de 46% na quantidade de mortos e de 37% no número de feridos. Em 2019 foram registrados 6.064 tiroteios, que deixaram 2.326 pessoas baleadas (1.231 mortas e 1.095 feridas).

* Presença de agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

*** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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