Houve queda também na quantidade de mortos e feridos em comparação com o período pré isolamento

Durante o mês de março, a plataforma Fogo Cruzado registrou 446 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. Ao todo, 146 pessoas foram baleadas este mês – destas, 54 morreram. No mesmo período de 2019, foram 795 tiroteios que resultaram em 357 baleados – sendo 129 deles mortos. Houve uma queda de 44% no número de tiroteios entre este ano e março de 2019, também houve uma queda de 58% no número de mortos.

Desde publicado o decreto do dia 13 de março no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, em razão da pandemia causada pelo novo Coronavírus, que limita a circulação e exercício de atividades consideradas não essenciais, a região metropolitana do Rio teve 253 tiroteios/disparos de arma de fogo no período de quarentena (14 e 31 de março), contando com uma média de 14 tiros por dia. Ao todo, 58 pessoas foram baleadas entre esses dias – 21 delas morreram. Houve uma queda de 5% em comparação com a média de tiros por dia durante o período pré-quarentena (1 e 13 de março): foram 193 tiroteios que deixaram 32 mortos e 55 feridos, registrando uma média de 15 tiroteios por dia.

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio* em março:

  • O Rio de Janeiro foi, entre os municípios da região metropolitana do estado, o que concentrou a maior parte dos tiroteios registrados em março – foram 289 no total. São Gonçalo (46), Belford Roxo (30), Duque de Caxias (24) e Niterói (15) completaram o ranking. A capital fluminense também teve o maior número de feridos (42) e São Gonçalo, segundo no ranking de tiros, teve o maior número de mortos (20).
  • Em comparação com fevereiro (400), março teve um aumento de 12% nos tiroteios, foram 446. Porém houve uma queda de 48% na quantidade de mortos e de 21% na de feridos – foram 54 mortos e 92 feridos em março e 104 e 117 no mês anterior.
  • A Vila Kennedy completou um semestre como o bairro da região metropolitana do Rio com mais tiroteios: foram 29 registros em março. Em seguida, vêm Cidade de Deus (16), Complexo do Alemão (14), Quintino Bocaiúva (13), e Bangu e Realengo empatados com 12 registros cada.
  • Houve 57 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em março. As áreas com mais tiros foram Complexo do Alemão (15), Complexo da Penha (13), Macacos (5) Providência e Andaraí (4 cada um).
  • A zona norte, com 172 tiros, concentrou 39% do acumulado de tiroteios entre as regiões do Grande Rio este mês (446). Em seguida vem a Baixada Fluminense (92), zona oeste (90), Leste Metropolitano (65), Centro (18) e zona sul (9). Em quarto lugar na quantidade de tiroteios, o Leste Metropolitano – formado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá – teve o maior número de mortos (23) e feridos (34).
  • Em março, houve 2 casos com com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação no Grande Rio, ao todo 6 civis foram mortos. Em uma das ocasiões, havia presença de agentes de segurança. No mesmo período de 2019 não houve casos de homicídios múltiplos.
  • Este mês, 15 agentes de segurança** foram baleados no Grande Rio – destes, 5 morreram. Do total de agentes de segurança baleados, 2 morreram e 7 ficaram feridos quando estavam em serviço, e 3 morreram e 2 ficaram feridos quando estavam fora do posto de trabalho. Comparado com mesmo período do ano passado, a quantidade de agentes baleados este mês foi 25% menor. Foram 20 agentes baleados em março de 2019, 6 deles morreram.
  • 7 pessoas foram vítimas de balas perdidas*** na região metropolitana do Rio este mês – destas, 2 morreram. Em comparação com março de 2019, que teve 18 pessoas atingidas por balas perdidas – sendo 6 mortas e 12 feridas –, este mês teve queda de 61% na quantidade de pessoas baleadas. Entre as vítimas este ano está Gilmar dos Santos Gonçalves, que era cadeirante e morreu ao ser atingido por bala perdida durante operação policial na Vila Kennedy, bairro da zona oeste do Rio, no dia 6.
  • 3 crianças (com idade inferior a 12 anos), 2 adolescentes (de 12 anos até 18 anos incompletos) e 2 idosos (a partir de 60 anos) foram baleados na região metropolitana do Rio este mês – destas, 1 criança, 1 adolescente e 2 idosos morreram. No mesmo período de 2019, foram 5 adolescentes e 3 idosos baleados no Grande Rio – destes, 3 adolescentes e 3 idosos morreram. Entre as vítimas deste ano está o vice-presidente da escola de samba União da Ilha do Governador, Marcelo Vinhaes, de 60 anos, baleado quando saía de um bar no Tauá, na Ilha do Governador, no dia 6.
  • No acumulado do ano – de janeiro até março – o Fogo Cruzado registrou 1.276 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. No total, 578 pessoas foram baleadas: sendo 275 mortas e 303 feridas. Em comparação com o mesmo período de 2019, que teve 2.136 tiroteios e deixou 817 pessoas baleadas – sendo 443 mortas e 374 feridas –, este ano teve uma queda de 40% no índice de tiroteios e de 29% na quantidade de baleados. 

* Grande Rio: termo utilizado para falar da região metropolitana do Rio, que inclui Baixada Fluminense, Leste Metropolitano e a cidade do Rio de Janeiro.

** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

*** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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