Também houve aumento de 39% na quantidade de tiroteios em comparação com dezembro

O primeiro mês de 2021 começou mais violento que o final de 2020 na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao todo, a plataforma Fogo Cruzado registrou 426 tiroteios/disparos de arma de fogo. 39% a mais em comparação com dezembro de 2020, quando houve 306 tiros. O número de mortos e de feridos nesses tiroteios também foi maior em janeiro. Ao todo, 220 pessoas foram baleadas na região metropolitana: 116 morreram e 104 ficaram feridas. Houve aumento de 170% no número de mortos e de 93% no de feridos em comparação com o mês anterior, que teve 43 mortos e 54 feridos.

Apesar do aumento nos indicadores da violência armada com relação a dezembro, se comparado com o início de 2020, quando o país não enfrentava a pandemia do coronavírus, houve queda de 1% nos registros: em janeiro de 2020 foram 430 tiros. O número de tiroteios com a presença de agentes de segurança* também caiu 7%: dos 426 tiroteios que ocorreram no Grande Rio em janeiro de 2021, 134 deles tiveram participação de agentes. Já no mesmo período de 2020 foram 144 registros com presença de agentes.

Também houve queda de 2% na quantidade de mortos em comparação com o mesmo mês de 2020, quando, dos 211 baleados, 118 morreram e 93 ficaram feridos.

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio em janeiro:

  • Com 232 registros, o Rio de Janeiro foi o município com o maior número de tiroteios/disparos de arma de fogo, concentrando 54% do total acumulado na região metropolitana (426). Em seguida, vieram São Gonçalo (71), Belford Roxo (31), Duque de Caxias (26) e Niterói (17). Além de liderar o ranking entre os municípios do Grande Rio com mais tiros, o Rio de Janeiro também foi o município com o maior número de mortos (34) .
  • 22 e 23 de janeiro foram os dias com mais tiroteios no mês: com 24 em cada. O dia 12 teve o maior número de mortos (12) e o dia 7 o maior número de feridos (8).
  • A Vila Kennedy, bairro campeão de tiroteios em todo o ano de 2020, 2019 e 2018, permaneceu na primeira posição do ranking entre os bairros do Grande Rio com mais tiros em janeiro. Foram 29 registros, quase o dobro do segundo colocado Quintino Bocaiúva (17). Na sequência vêm Complexo do Alemão (12), Pauline, em Belford Roxo (10), e Madureira (10). 
  • Janeiro teve 52 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Em 17 destes tiroteios houve participação de agentes de segurança. Ao todo, 7 pessoas foram mortas e 5 ficaram feridas nessas áreas. Complexo do Alemão (12), Andaraí (11) e Turano (4) foram as áreas com mais tiros.
  • A Zona Norte do Rio, com 133 registros, concentrou 31% do total de tiroteios/disparos de arma de fogo acumulados no Grande Rio em janeiro (426). Leste Metropolitano (99), Baixada Fluminense (95), Zona Oeste (75), Centro (19) e Zona Sul (5) vieram na sequência. Em segundo lugar no ranking entre a regiões com mais tiros, o Leste Metropolitano** teve o maior número de tiros com a presença de agentes (48), de mortos (42) e de feridos (40).
  • 2021 começou seu primeiro mês com aumento de 100% no número de chacinas***: foram 8 em janeiro, com 27 mortos no total. Em 5 delas houve presença de agentes de segurança. No mesmo período de 2020 foram 4 casos que totalizaram 14 mortos, em todos houve participação de agentes. 
  • 15 agentes de segurança**** foram baleados no Grande Rio em janeiro: destes, 5 morreram. Entre os mortos, todos estavam fora de serviço. Entre os feridos, 6 estavam em serviço e 4 estavam fora do posto de trabalho. Em janeiro de 2020, o número de agentes baleados foi quase o mesmo: dos 16 atingidos, 7 morreram. Entre os mortos, 4 estavam fora de serviço e 1 era aposentado. Entre os feridos, 4 estavam em serviço e 5 estavam fora de serviço.
  • 13 pessoas foram vítimas de bala perdida***** no Grande Rio em janeiro: 6 delas não sobreviveram. Entre as vítimas estava Andressa Vianna, de 18 anos, atingida por uma bala perdida no Cebolô, no bairro Arsenal, em São Gonçalo, no dia 11. A jovem voltava para casa no momento em que agentes de segurança em patrulhamento foram alvo de tiros. Já em janeiro de 2020, foram 19 pessoas atingidas por bala perdida, 13 delas sobreviveram.
  • Em janeiro, 3 crianças (com idade inferior a 12 anos), 4 adolescentes (entre 12 anos e 17 anos) e 3 idosos (com idade a partir de 60 anos) foram baleados no Grande Rio. Destes, 1 criança, 2 adolescentes e 1 idoso morreram. A pequena Alice Pamplona da Silva, de 5 anos, foi a primeira criança baleada no Grande Rio em 2020. A menina comemorava com a família a virada do ano, quando foi atingida por uma bala perdida durante a queima de fogos no Morro do Turano, Rio Comprido. Em janeiro de 2020, teve 4 crianças, 5 adolescentes e 6 idosos baleados: destes, 1 criança, 2 adolescentes e 5 idoso morreram. 
  • No comparativo entre o mês de janeiro entre os anos de 2017 até 2020, janeiro de 2021, com 426 registros, teve o segundo menor número de tiroteios/disparos de arma de fogo, ficando na frente somente de janeiro de 2017, quando foram 283 registros. Entre os mortos, janeiro de 2021, que teve 116 registros, também teve o segundo menor número de vítimas, ficando na frente somente do mesmo período de 2017, com 103. Entre os feridos, janeiro de 2021, com 104 registros, ficou na frente somente do mesmo período de 2020, com 93 feridos.

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* Presença de agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

** Leste Metropolitano: região que concentra os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá.

*** Eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação: chacinas – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc (SSP de SP)

**** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

***** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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