Em média, 1 pessoa foi baleada a cada operação

No mês de agosto, houve 112 pessoas baleadas em ações e operações policiais na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo registros do Instituto Fogo Cruzado. O número de atingidos nestas ocasiões superou a quantidade de tiroteios, que neste mês foram 93 em ações policiais. Um saldo nada positivo de 1 baleado em média a cada ação e operação policial.

Além disso, o Instituto Fogo Cruzado registrou, a partir do monitoramento em tempo real de incidentes de violência armada no Grande Rio, o aumento de 63% dos tiroteios em ações policiais e 93% baleados nestas circunstâncias em comparação com agosto de 2020. A média de atingidos em ações se manteve. 

Para a diretora executiva do Fogo Cruzado, Cecília Olliveira, a estabilidade no alto número de vítimas ao longo dos períodos evidencia a falha das instituições de segurança em preservar vidas e impedir o crescimento assustador da violência armada. 

Cecília Olliveira completa que o padrão de violência policial não mudou e que, atualmente, não consta em nenhum lugar um plano de segurança para o Rio de Janeiro. “Essa é uma informação que ninguém tem acesso”, afirma. 

Agosto em dados

Durante este mês, o Instituto Fogo Cruzado mapeou 339 tiroteios/disparos de armas de fogo na Região Metropolitana do Rio, 14% a mais que o registrado no mesmo período de 2020, quando houve 298, menor número de tiroteios daquele ano.

Em 31% (104) dos tiroteios na Região Metropolitana do Estado em agosto houve presença de agentes de segurança. Isso inclui não somente ações e operações policiais, mas também situações em que agentes estão presentes fora do posto de trabalho. A participação dos policiais nestes eventos subiu quase ao dobro quando comparado a agosto de 2020, que teve 68 tiroteios.

Ao todo, 171 pessoas foram baleadas no Grande Rio, sendo que 89 morreram e 82 ficaram feridas. O número de mortos aumentou 102%, já o de feridos, aumentou 67% em comparação ao mesmo mês de 2020, que concentrou 93 atingidos, 44 mortos e 49 feridos.

Em comparação ao mês de julho, que teve 376 tiroteios, deixando 94 mortos e 85 feridos, o mês de agosto apresentou queda de 10% nos tiroteios, também houve queda de 5% nos mortos e de 4% nos feridos.

Entre os mais afetados pela violência armada durante o mês, o dia 5 foi o que teve o maior número de tiroteios, 27 registros. O dia 16, registrou o maior número de mortes (8), e o dia 12, o maior número de feridos (7).

Locais mais afetados

Durante o mês de agosto, os 5 municípios mais afetados pela violência armada foram:

  • Rio de Janeiro: 173 tiroteios, 26 mortos e 37 feridos
  • São Gonçalo: 35 tiroteios, 8 mortos e 15 feridos
  • Duque de Caxias: 27 tiroteios, 10 mortos e 5 feridos
  • Niterói: 26 tiroteios, 12 mortos e 9 feridos
  • Belford Roxo: 22 tiroteios, 9 mortos e 3 feridos

Comparado ao mesmo período de 2020, o número de tiroteios em Niterói mais que dobrou, foram 12 naquele mês de agosto. Já o número de mortos e feridos no Rio de Janeiro aumentou 63% e 54% respectivamente: foram 16 mortos e 24 feridos em agosto de 2020.

Entre os bairros do Grande Rio que tiveram tiros em agosto, os 5 mais afetados foram:

  • Realengo: 9 tiroteios e 1 ferido
  • Vila Isabel: 7 tiroteios e 2 feridos
  • Pauline – Belford Roxo: 7 tiroteios
  • Vila Kennedy: 7 tiroteios
  • Olavo Bilac – Duque de Caxias: 7 tiroteios

Entre as regiões, a Zona Norte foi a mais afetada pela violência armada, concentrando 29% dos tiroteios ocorridos no Grande Rio no mês de agosto.

  • Zona Norte: 98 tiroteios, 14 mortos e 23 feridos
  • Baixada Fluminense: 95 tiroteios, 37 mortos e 17 feridos
  • Leste Metropolitano: 72 tiroteios, 26 mortos e 28 feridos
  • Zona Oeste: 50 tiroteios, 8 mortos e 7 feridos
  • Centro: 15 tiroteios, 3 mortos e 5 feridos
  • Zona Sul: 9 tiroteios, 1 mortos e 2 feridos

Houve 20 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Ao todo, 2 pessoas foram mortas e 3 ficaram feridas. As 5 áreas de UPP mais afetadas foram:

  • Rocinha: 5 tiroteios
  • Complexo de Manguinhos: 4 tiroteios
  • Prazeres: 2 tiroteios, 1 morto e 3 feridos
  • Complexo da Penha: 2 tiroteios e 1 morto
  • Borel: 2 tiroteios 

As vítimas da violência em agosto

  • Na Região Metropolitana do Rio foram 6 chacinas** e 21 mortes no total, 5 delas na presença de agentes de segurança. No mesmo período de 2020, houve somente 1 chacina com envolvimento de policiais que terminou com 3 mortos.
  • No Grande Rio, em agosto, foram 11 pessoas vítimas de bala perdida***, quando 2 delas morreram e 9 ficaram feridas. Entre as 11 vítimas, 6 foram atingidas em situações que havia agentes de segurança. Na mesma época do ano passado, 7 pessoas foram atingidas por balas perdidas, 1 morreu. Delas, 5 foram baleadas em ações com a presença de agentes. A gari Silvia Letícia da Silva, foi vítima de bala perdida quando voltava do trabalho, no último dia 14 de agosto, no Morro do Estado, onde mora em Niterói. Ela foi alvejada na barriga durante um tiroteio em uma ação policial e felizmente sobreviveu. 
  • Também no Grande Rio, 2 adolescentes**** e 1 idoso ***** foram baleados e 1 jovem morreu. No último dia 20 de agosto, João Vitor de Oliveira Santiago, de 17 anos, foi morto a tiros após ser baleado durante operação policial onde morava em São Gonçalo, no Complexo do Salgueiro. No mesmo período de 2020, 1 criança******, 1 adolescente e 3 idosos foram atingidos e 1 jovem também morreu. 

Acumulado do ano

De janeiro a agosto de 2021 foram contabilizados 3.508 tiroteios/disparos de armas de fogo na Região Metropolitana do Rio, em 30% (1.066) destes tiroteios havia agentes de segurança. Ao todo, 1.490 pessoas foram baleadas nestes 8 meses: 781 delas morreram e 709 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2020, quando 3.243 tiroteios deixaram 1.238 pessoas baleadas (621 mortas e 617 feridas). Houve aumento de 8% nos tiroteios, de 26% nos mortos e de 15% nos feridos.

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Instituto Fogo Cruzado usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da Instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real. Elas estão disponíveis no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

* Presença de agentes: situações em que há presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: operação, ação, assalto a agentes etc.

** Chacinas: eventos onde há 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação: chacinas – mesmo que o motivo dos disparos seja outro, como: assalto, ataque, operação etc (SSP de SP).

*** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma ligação, participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

****Adolescente: com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos (UNICEF)

***** Idosos: maiores de 60 anos (Estatuto do Idoso)

****** Criança: com idade inferior a 12 anos (UNICEF)

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