Por outro lado, o número de tiroteios em áreas de UPP aumentou 67%

Durante o mês de agosto, a plataforma Fogo Cruzado registrou 296 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio, uma queda de 55% nos registros em relação ao mesmo período de 2019, quando houve 646 tiros. Número de baleados este mês é 65% menor que o registrado em agosto do ano passado: foram 88 este mês (destes, 42 morreram), no mesmo período de 2019 foram 252 (sendo 139 mortos).

Além dos tiroteios e dos baleados, a presença de agentes de segurança* nestes eventos também diminuiu: foram 296 tiroteios registrados em agosto, houve participação das unidades de segurança pública em 63 deles, 67% a menos que em 2019, quando houve participação em 201 tiros.

Houve 55 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Complexo da Penha (14), Complexo do Alemão (7), Andaraí (7), Mangueira (4) e Prazeres (3) foram as áreas com mais tiros. Em comparação com julho, que teve 33 registros, este mês teve aumento de 67% no número de tiros nessas áreas.

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio em agosto:

  • O Rio de Janeiro, com 187 tiroteios/disparos de arma de fogo, concentrou 63% do acumulado na região metropolitana este mês (296). Em seguida, vem São Gonçalo (30), Duque de Caxias (27), Niterói (12) e São João de Meriti (10). O Rio de Janeiro também teve o maior número de mortos (16) e de feridos (22) em agosto.
  • Em comparação com julho, que teve 338 tiroteios/disparos de arma de fogo no Grande Rio, agosto, com 296 registros, teve queda de 12% nos tiros. Também houve queda de 25% no número de mortos e um aumento de 5% na quantidade de feridos. Foram 42 mortos e 46 feridos em agosto, e 56 mortos e 44 feridos em julho.
  • O dia 27 foi o dia com o maior número de tiros e de mortos no Grande Rio: foram 19 tiroteios e 4 mortes registradas. Já o dia 14 foi o dia com mais feridos, foram 6 vítimas.
  • Mais uma vez a Vila Kennedy ocupou a primeira posição no ranking dos bairros do Grande Rio com mais tiros, foram 23 este mês. Em seguida, vem Penha (12), Cidade de Deus (10), Maré (8) e Estácio (7). 
  • A Zona Norte do Rio, com 96 registros, concentrou 32% do total de tiroteios acumulados no Grande Rio em agosto (296). Na sequência, vem Baixada Fluminense (64), Zona Oeste (53), Leste Metropolitano (45), Centro (24) e Zona Sul (14). Em quarto lugar no ranking das regiões com mais tiroteios, o Leste Metropolitano – formado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá – teve o maior número de mortos (14) e feridos (15), concentrando 33% dos baleados na região metropolitana este mês (88).
  • Em agosto, houve 1 caso com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação no Grande Rio, ao todo 3 civis foram mortos nestas circunstâncias. Na ocasião, houve presença de agentes. No mesmo período de 2019, foram 10 casos que deixaram 31 mortos no total. Em 9 deles houve presença de agentes. Este mês houve queda de 90% na quantidade de casos e também de 90% na quantidade de mortos nestas situações.
  • 12 agentes de segurança** foram baleados no Grande Rio este mês: 6 deles morreram e 6 ficaram feridos. Entre os mortos, todos estavam em serviço, entre os feridos, 4 estavam em serviço. Número de agentes baleados este mês é 43% menor que o registrado no mesmo período de 2019, quando 21 agentes foram atingidos (sendo 7 mortos). Entre os baleados naquele período, 5 morreram e 10 ficaram feridos quando estavam fora do posto de trabalho.
  • 6 pessoas foram vítimas de bala perdida*** no Grande Rio em agosto: 1 morreu. Quantidade de vítimas este mês é 74% menor que a registrada no mesmo período de 2019, quando houve 23 baleadas, sendo 9 delas mortas. Entre as vítimas deste mês está na Ana Cristina da Silva, morta durante tiroteio no Complexo do São Carlos, no dia 26. Ana se curvou para proteger o filho, quando foi atingida por 2 tiros. Por conta do intenso tiroteio na região, Ana, que estava dentro de um carro, não conseguiu ser socorrida.
  • Este mês, 1 criança (com idade inferior a 12 anos) 1 adolescente (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) e 3 idosos (com idade igual ou superior a 60 anos) foram baleados no Grande Rio. Destes, 1 adolescente morreu. Em agosto de 2019, 2 crianças (com idade inferior a 12 anos), 8 adolescentes e 7 idosos morreram. destes, 6 adolescentes e 2 idosos morreram. Entre as vítimas, estão Tânia Gomes Moeda, de 70 anos, João Carlos Moeda, de 67 anos, e Henrique Antônio Espíndola, de 78 anos. Os três idosos foram baleados ao entrarem por engano em uma favela do Jóquei, em São Gonçalo, no dia 11.
  • No acumulado do ano – de janeiro até agosto – o Fogo Cruzado registrou 3.243 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio. No total, 1.232 pessoas foram baleadas: sendo 618 mortas e 614 feridas. Em comparação com o mesmo período de 2019, que teve 5.518 tiroteios e deixou 2.062 pessoas baleadas – sendo 1.083 mortas e 979 feridas –, este ano teve uma queda de 41% no índice de tiroteios, de 43% na quantidade de mortos e de 37% no número de feridos.

* Presença de agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

*** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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