Apesar de elevado, número tiroteios é 27% menor que o registrado em 2018

Em 2019, a plataforma Fogo Cruzado registrou 7.365 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. Com uma média de 20 tiroteios por dia, o número de tiros é 24% menor que o registrado em 2018 (9.642), quando foi decretada a Intervenção Federal. Apesar da queda de 24% no número de  tiroteios em geral, a queda de tiroteios com a presença de agentes* se manteve estatisticamente estável: apenas 2% menor. Foram 2.246 em 2019 contra 2.303 em 2018.

Ao todo, 2.876 pessoas foram baleadas no Grande Rio**: 1.519 delas morreram e 1.357 ficaram feridas. Em 74% dos tiroteios (5.464) não houve vítimas. Apesar do número ser 24% menor que o registrado em 2018, o número de baleados em 2019 foi 1,5% maior: houve 2.833 pessoas baleadas em 2018 – 1.482 mortas e 1.351 feridas.

Veja os destaques de 2019:

  • Número total de tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro: 7.365
  • Média de tiroteios/disparos de arma de fogo por dia: 20
  • Número total de baleados***: 2.876
  • Número total de mortos: 1.519
  • Dia com mais tiroteios/disparos de arma de fogo: 13/03, com 39 registros
  • Dia com mais mortos: 08/02, com 17 mortos
  • Dia com mais feridos: 29/06, 16 feridos
  • Mês com mais tiroteios/disparos de arma de fogo: Março, com 795 registros
  • Mês com mais mortos: Julho, com 164 mortos
  • Mês com mais feridos: Maio, com 136 feridos
  • Do total de tiroteios/disparos (7.365), em 74% não houve vítimas (5.464 casos)
  • Do total de tiroteios/disparos (7.365), em 30% havia a presença de agentes de segurança (2.246 casos)

A zona norte, com 2.388 registros, foi a região do Grande Rio com mais tiroteios/disparos de arma de fogo e concentrou 32% de todos os registros de 2019. Em seguida, vem a Baixada Fluminense (1.647), Leste Metropolitano (1.372), zona oeste (1.365), centro (337) e zona sul (256).

Em segundo lugar no ranking, a Baixada Fluminense concentrou, com 33% (494), o maior número de mortos (dentre 1.519). Já o Leste Metropolitano, em terceiro lugar no número de tiroteios, teve mais feridos: foram 423, 31% de todos os feridos no Grande Rio em 2019 (1.357).

A capital, Rio de Janeiro, concentrou 59% dos tiroteios no Grande Rio em 2019: foram 4.346 registros. São Gonçalo (800), Belford Roxo (544), Niterói (425) e Duque de Caxias (339) completaram o ranking. O Rio de Janeiro também foi o município com mais baleados: 1.227, sendo 569 mortos e 658 feridos. 

A Vila Kennedy, na zona oeste, foi o bairro do Grande Rio com mais tiroteios: 376 no total. Complexo do Alemão (275), Cidade de Deus (268), Tijuca (181) e Praça Seca (153) vêm na sequência.

Em terceiro lugar no ranking de tiroteios, a Cidade de Deus, também na zona oeste, foi o bairro que teve o maior número de mortos (30) e de feridos (29) no Grande Rio em 2019.

1.192 tiroteios/disparos de arma de fogo ocorreram em áreas de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o que representa 16% de todos os registros do Grande Rio em 2019 (7.365). O Complexo do Alemão (275), Complexo da Penha (179), Borel (96), Complexo de Manguinhos (81) e Macacos (58) concentraram o maior número de tiros nessas áreas. Em primeiro lugar no ranking, o Complexo do Alemão também teve, com 53 registros, o maior número de baleados em área de UPP (228).

Leste Metropolitano

Em 2019, 19% (1.372) dos 7.365 tiroteios/disparos de arma de fogo registrados no Grande Rio, ocorreram no Leste Metropolitano, região que concentra os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá. Do total de tiros registrados na região, a maioria (58%) foi em em São Gonçalo (800). Em seguida vem Niterói (425), Itaboraí (85) e Maricá (62). 

Por consequência, São Gonçalo registrou o maior número de mortos (243) e de feridos (250) da região, concentrando 56% (493) de todos os baleados no Leste Metropolitano em 2019 (879).

O Jardim Catarina, em São Gonçalo, foi o bairro com mais tiroteios (65) no Leste Metropolitano. Fonseca (59), Icaraí (47), Salgueiro (45) e Bom Retiro (42) completam o ranking. Na segunda posição, o Fonseca, em Niterói, foi o bairro que teve o maior número de mortos (29) e de feridos (21).

Baixada Fluminense

1.647 tiroteios/disparos de arma de fogo registrados em 2019 ocorreram na Baixada Fluminense. A região que é composta pelos municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica, concentrou 22% de todo o acumulado no Grande Rio.

Belford Roxo (544), Duque de Caxias (339), Nova Iguaçu (260), São João de Meriti (156) e Mesquita (89) se destacaram entre os municípios da região com mais tiros. Nova Iguaçu teve ainda o maior número de mortos (134) e Belford Roxo, o maior número de feridos (72).

Gláucia (89), Santa Tereza (57), Chatuba (40), Bom Pastor (38) e Centro (33) são os bairros que mais tiveram tiroteios/disparos de arma de fogo na Baixada Fluminense. Com exceção da Chatuba, localizada em Mesquita, todos os outros bairros do ranking fazem parte do município de Belford Roxo.

Agentes de Segurança

Em 2019, 234 agentes de segurança foram baleados no Grande Rio. Destes, 74 morreram. Este número é 30% menor que o registrado em 2018, quando 334 agentes foram baleados, sendo 113 deles, mortos. Do total de agentes de segurança baleados em 2019, 56 morreram e 75 ficaram feridos fora de serviço, e 18 morreram e 83 ficaram feridos durante o trabalho.

Entre os agentes baleados em serviço (101), 92 foram feridos durante ações/operações policiais. Já entre os baleados fora do posto de trabalho (131), 72 foram durante roubo/tentativa.

Dos 234 agentes baleados, a maioria – 202 – era Policial Militar (62 deles morreram e 140 ficaram feridos). O número de PMs baleados em 2019 é 28% menor que o registrado em 2018 (279: sendo 84 mortos e 195 feridos).

Múltiplas mortes

Em 2019, o Fogo Cruzado mapeou 81 casos em que 3 ou mais civis são mortos em uma mesma situação no Grande Rio. Ao todo, 303 civis foram mortos nestas circunstâncias. Em 80% dos casos (65), houve presença de agentes de segurança. Em 2019 houve um aumento de 25% no número de casos em comparação com 2018 (65), e um aumento de 19% no número de mortos (foram 255 em 2018).

Tiros em residências

Houve 68 tiroteios/disparos em residências 45% a mais que em 2018 (47). Ao todo, 74 pessoas foram mortas (sendo 57 homens e 17 mulheres) e 21 ficaram feridas (12 homens e 9 mulheres) quando estavam dentro de casa em 2019. O número de pessoas mortas em 2019 é 147% maior que o registrado em 2018 (30), mas o número de feridos é 9% menor: foram 23.

Em 11 casos não houve vítimas (o tiro atingiu partes da casa, mas não atingiu quem estava no seu interior).

Das pessoas baleadas (95), 5 morreram e 12 ficaram feridas ao serem atingidas por bala perdida quando estavam dentro de casa.

Helicópteros

Em 2019, houve 23 operações policiais em que helicópteros foram usados como plataforma de tiros: um aumento de 283% em relação a 2018, quando houve 6 casos. Nestas estas operações em que foram usados helicópteros, 27 pessoas foram mortas e 10 ficaram feridas. A zona norte concentrou o maior número de casos (14). Em seguida vem zona oeste (6), Centro (2) e Leste Metropolitano (1). 

Vítimas por faixa etária

24 crianças, 88 adolescentes**** e 41 idosos***** foram baleados na região metropolitana do Rio em 2019. Destes, 7 crianças, 53 adolescentes e 24 idosos morreram. Em 2018, 25 crianças, 86 adolescentes e 43 idosos foram baleados. Destes 4 crianças, 42 adolescentes e 20 idosos morreram.

Tiroteios contínuos

Em 2019, houve 14 casos de tiroteios com duração igual ou superior a 2 horas no Grande Rio. Ao todo, foram 43 horas e 50 minutos que deixaram 16 pessoas baleadas – 1 delas morreu. Em 2018, houve 83 casos com 423 horas de duração, que deixaram 32 pessoas mortas e 49 feridas no total. 2019 teve uma queda de 90% na duração desses tiroteios.

Balas perdidas

Houve 168 casos de balas perdidas****** na região metropolitana do Rio em 2019, que deixaram 189 vítimas: 53 morreram e 136 ficaram feridas. Em comparação com 2018 (186), houve uma queda de 10% no número de casos. Em 2019 o número de baleados também caiu 16% em comparação com 2018 (225), mas houve aumento de 23% no número de mortos (43).

Animais baleados

Em 2019, 9 cachorros foram baleados na região metropolitana do Rio – 7 deles morreram. O número de animais baleados em 2019 foi 80% maior que o registrado em 2018 (5) e o de mortos foi 600% maior. Em 2018 houve 4 cachorros e 1 jabuti baleados. Apenas o jabuti morreu.

Motivos

Dos 7.365 tiroteios/disparos de arma de fogo registrados em 2019, em 2.632 deles foi possível identificar os motivos com base em informações de imprensa e comunicações oficiais das instituições de segurança. “Ações/operações policiais” (1.594), “execução/homicídio” – tentado ou consumado (414), “roubo/tentativa” (339), “disputa” – aplicado a casos onde há disputa entre facções, sem a presença de agentes de segurança – (73) e “tentativa/roubo de carga” (38) se destacaram entre os principais motivos dos tiroteios.

Aulas afetadas

Em 2019, houve 7.365 tiroteios disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio, dos quais 2.335 foram no entorno de escolas e creches das redes pública e privada. Houve uma média de 12 tiros no entorno escolar por dia letivo. Em 854 casos houve presença de agentes de segurança. Das 7.386 escolas e creches nos 21 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, 26% (1.941) foram afetadas por tiroteios no seu entorno. Para chegar a este número foram considerados apenas tiroteios/disparos em um raio de 300 metros das escolas, em dias letivos e horário escolar (de segunda à sexta-feira de 06 às 22 horas).

A Vila Kennedy, bairro da zona oeste do Rio, é a “bicampeã” desta triste estatística: liderou, com 150 registros, o ranking de tiroteios/disparos de arma de fogo no entorno de unidades de ensino. Em seguida vem Cidade de Deus (124), Tijuca (71), Complexo do Alemão (70) e Maré (61). 

Perigo pelo caminho

O Fogo Cruzado mapeou em 2019, 1.003 tiroteios/disparos de arma de fogo próximos a grandes vias de circulação da região metropolitana do Rio – em um raio de 100 metros de seu entorno. 

Sendo assim, do total de vias e modais de transporte, as mais afetadas por tiroteios no seu entorno foram as rodovias (500), BRTs (250), trem (198), metrô – somente nos trechos em que fica a parte não subterrânea da Linha 2 do metrô – entre a Cidade Nova e a Pavuna – (48) e VLT (7).

A principal rota afetada foi a BR-101 com 164 registros. A rodovia inclui a Avenida Brasil, além de ter em seu trecho no Leste Metropolitano uma ligação entre Niterói e Manilha. Em seguida vem o BRT TransCarioca, que liga a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional, com 102 registros; o trem do ramal Belford Roxo (84); o BRT TransBrasil (via Francisco Bicalho) (75); e o TransBrasil (Via Rivadávia Correa) (73).

Unidades de saúde no alvo

Em 2019, houve 2.304 tiroteios/disparos no entorno de unidades públicas de saúde da região metropolitana do Rio, o que representa uma média de 6 tiroteios por dia próximo às unidades. Ao todo, 2.168 unidades foram afetadas por tiroteios, o que representa 52% das 4.190 existentes em todo o Grande Rio. 

A cidade do Rio de Janeiro, com 1.376 registros, teve o maior número de tiroteios no entorno de unidades de saúde e representou 60% de todo o acumulado (2.304). Na sequência, completam o ranking os municípios de São Gonçalo (247), Niterói (225), Belford Roxo (106), Duque de Caxias (78) e Nova Iguaçu (78), que somados, representam 53% do registrado na capital fluminense.

A Vila Kennedy concentrou o maior número de tiroteios próximos a unidades de saúde: 253 registros no total. Em seguida vem a Tijuca (125), Copacabana (75), Maré (61) e Praça Seca (48).

*Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

**Grande Rio: termo utilizado para falar da região metropolitana do Rio, que inclui Baixada Fluminense, Leste Metropolitano e a cidade do Rio de Janeiro.

***Considera-se baleados a soma de mortos e feridos.

****O Unicef considera crianças com idade inferior a 12 anos e adolescentes com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos.

*****O Estatuto do Idoso considera idosos quem tem idade igual ou superior a 60 anos.

******Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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