Próximo passo é a criação de uma série histórica com dados coletados a partir de 2005

Acesse o mapa aqui.

Foi lançado nesta segunda-feira (19) o mapa dos grupos armados do estado do Rio de Janeiro em 2019, que tem como objetivo auxiliar no trabalho de pesquisadores, jornalistas, gestores públicos, operadores do sistema criminal, bem como informar a sociedade civil, servindo como ferramenta que possibilite estimar a dimensão do controle armado dos diferentes grupos.

O mapa é uma parceria do Fogo Cruzado com o Disque Denúncia, o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF), o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e a plataforma digital Pista News

Para esse primeiro estudo, foram analisadas 37.883 denúncias coletadas através do portal do Disque Denúncia que mencionavam milícias ou tráfico de drogas em 2019. Após uma triagem, foram validadas 10.206 denúncias que serviram de base para criação do mapa dividindo as áreas do Rio de Janeiro de acordo com seu grupo de domínio (Comando Vermelho, Terceiro Comando, Amigos dos Amigos e Milícias).

Um dicionário de termos presentes nas denúncias foi desenvolvido para definir o controle de cada grupo armado sob uma determinada área. Após isso, foram definidos três critérios agregadores desses termos: controle territorial, controle social e atividades de mercado.

Com base nesse levantamento, foi possível verificar a abrangência das milícias, que no ano passado apareceram controlando 25,5% dos bairros, que totalizam 57,5% da superfície territorial da cidade do Rio de Janeiro e 33,1% da população carioca.

Desenvolvido ao longo de 18 meses com dados coletados em todo o ano de 2019, o próximo passo é a produção de uma série histórica com dados mapeados a partir de 2005 e a integração com o mapa atualizado fornecido pelo Pista News.

Veja o estudo completo aqui.

15 comentários

  1. Adilson Rodrigo Sampaio em 19 de outubro de 2020 às 19:32

    O link do estudo completo nós leva a apresentação.

    • Fogo Cruzado em 22 de outubro de 2020 às 14:17

      Oi, Adilson! O link do estudo completo é uma análise do que foi possível identificar com base no que foi mapeado ao longo desses 18 meses de pesquisa para desenvolver o mapa. O mapa com a divisão dos grupos armados está logo no início do texto.

  2. Elzira Vilela em 19 de outubro de 2020 às 20:15

    Excelente trabalho!

    • Fogo Cruzado em 22 de outubro de 2020 às 14:15

      Olá, Elzira! Seu retorno é muito importante para nós. Agradecemos muito pelo reconhecimento.

  3. Eustachio em 24 de outubro de 2020 às 11:50

    Muito bom trabalho; haverá atualização constante deste mapa ?

    • Fogo Cruzado em 18 de novembro de 2020 às 13:43

      Olá Eustachio,
      Obrigada pelo interesse!

      A proposta é que haja atualização sim. As instituições envolvidas no projeto estão agora em fase de captação de recursos, para possibilitar a construção de um mapa histórico desde 2005 e atualizado em tempo real.

  4. Gabriel SG em 24 de outubro de 2020 às 19:30

    Muito boa a iniciativa.

  5. Igor em 12 de novembro de 2020 às 16:48

    Sou geografo, favelado e gostaria de contribuir com o mapa.

    • Fogo Cruzado em 18 de novembro de 2020 às 13:46

      Olá Igor,

      Ficamos muito felizes pelo seu interesse!

      Há 2 formas de contribuir. Se você desejar contribuir informando áreas de domínio desses grupos em tempo real, sugiro que contacte diretamente o Pista News, que é o parceiro responsável pela atualização em tempo real. Caso deseje entrar para a equipe de voluntários que estão construindo a metodologia em tempo real, escreva por favor um e-mail para [email protected] e inclua o seu currículo. Em breve faremos uma reunião com pesquisadores interessados em participar do projeto para dar início a segunda etapa, que será criar o mapa desde 2005 e continuar atualizando ele em tempo real.

  6. João em 17 de novembro de 2020 às 23:29

    Parabéns. Seria ainda mais interessante, se fosse possível ampliar a pesquisa e relacionar os votos das eleições aos bairros ocupados pelos grupos armados. Avaliar onde cada candidato é o mais votado.

    • Fogo Cruzado em 18 de novembro de 2020 às 13:49

      Olá João,

      A análise apontada por você é bastante interessante! As instituições que trabalharam no mapa até agora, o fizeram com pouquíssimos recursos e voluntariamente. Por isso, o que conseguimos fazer até agora foi criar o mapa e disponibilizá-lo para outros pesquisadores que tenham braços para cruzá-los com outras informações e produzir análises.

      Para o futuro, temos a intenção de captar recursos para expandir o escopo temporal do mapa e criar uma plataforma onde ele seja comparado com outras informações. Dados de desempenho eleitoral estão na nossa lista 😉

  7. Bernardo em 14 de dezembro de 2020 às 14:23

    Tem um erro fundamental no estudo de vcs, a forma como os grupos criminosos dominam o território, os traficantes ocupam os locais de forma a ter o domínio território do local, com barricadas e resistência armada, assim, esses locais tem limites físicos muito bem definidos. Ao contrário, os grupos milicianos dominam os locais de forma a explorar as atividades financeiras, em muito poucas favelas há domínio territorial, assim, quando vcs delimitam um bairro inteiro como a Taquara, Sepetiba, Freguesia e Tanque, por exemplo, da mesma forma como delimita a favela da Rocinha, passa a imagem de que os domínios são exercidos da mesma forma, como área conflagradas, a partir daí, todo o estudo fica viciado, uma vez que a extensão territorial dos locais dominados pela milícia vai ser muito maior.

    • Fogo Cruzado em 15 de dezembro de 2020 às 11:19

      Olá Bernardo,
      Obrigada pela sua contribuição. O estudo não pretende mapear as chamadas “áreas conflagradas”. A proposta é justamente mapear áreas onde grupos criminosos armados exercem suas atividades, utilizando-se da força para impor seu domínio. Você tem toda razão quando destaca que as atividades das facções do tráfico são profundamente distintas daquelas utilizadas pelas milícias. Nós levamos isso em consideração na análise do material que resultou em nosso mapa. Mas justamente por causa das formas de atuação distintas, as milícias costumam ter alcances de domínio (leia-se imposição da sua ordem econômica em geral baseada na extorsão de comerciantes e população, bem como na eliminação de adversários) que vão muito além daqueles operacionalizados pelo tráfico.

      De toda forma, para o protótipo que lançamos para 2019, ainda não conseguimos trabalhar da melhor forma possível as diferentes geografias. Fizemos duas análises: uma micro (incluindo principalmente favelas e conjuntos habitacionais) que subestima à área das milícias; e outra macro (nível bairros/distritos) que superestima as áreas de cobertura do tráfico. Para o desenvolvimento de um mapa histórico maior, iremos desenvolver um mapa que consiga dar conta desses dois níveis.

      Atenciosamente,
      Maria Isabel

  8. Kleber Maia em 19 de dezembro de 2020 às 21:20

    Muito informativo e uma ferramenta dessas tem um peso relevante para a criação e aperfeiçoamento de aplicativos de rotas e mapas como uma forma de alertar a sociedade dos perigos existentes no estado, alguns nomes estão errados por exemplo em Belford Roxo, ausência de áreas dominadas como Gramacho e Jardim Gramacho onde faltam algumas areas dominadas, acredito que o Lixão em Caxias não seja uma área dominada pela milícia, nem pela junção de facções e milícia, são algumas areas que vi no mapa e não condizem com a realidade, em São João de Meriti no Éden, São Mateus, Tomazinho estão tomados por traficantes…

    • Fogo Cruzado em 9 de janeiro de 2021 às 09:58

      Olá Kleber,

      Muito obrigada pela sua colaboração. De fato, o mapa de 2019 é ainda um protótipo. Ele foi feito a partir de denúncias recebidas pelo Disque Denúncia em 2019 e, portanto, se refere aquele momento e não ao atual. Mesmo assim, estamos cientes de que ainda existem problemas. Optamos por disponibilizar o mapa mesmo com problemas, justamente para testar a metodologia. Nos próximos meses, nosso desejo é aperfeiçoar o mapa agregando novas fontes para corrigir essas imperfeições. E também estendendo ele no tempo. Esse projeto ainda está em suspenso, aguardando financiamento para continuar. Mas em breve esperamos ter mais novidades e todos os seus apontamentos serão levados em consideração. Obrigada!

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