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Mais de 1.300 escolas foram afetadas por tiroteios no Grande Rio este ano

Número equivale a 22% das escolas. Diretores de escolas já podem suspender aulas

Com uma média de 22 tiroteios/disparos de arma de fogo por dia, a plataforma Fogo Cruzado registrou 6.059 tiros na região metropolitana do Rio até 31 de setembro de 2019 – dos quais 30% (1.819) ocorreram no período letivo durante o horário escolar no perímetro de 300 metros de escolas e creches da rede pública e privada. No mesmo período de 2018, foram 7.374 tiros no Grande Rio (27 tiros por dia), e igualmente 30% deles (2.228) ocorreram no entorno de estabelecimentos de ensino. Apesar da queda de 18% nos registros de tiros entre 2018 e 2019, a porcentagem no entorno das unidades escolares foi a mesma.

Do total das 6.214 escolas da rede pública e privada de todos os 21 municípios que fazem parte da região metropolitana do Rio, o equivalente a 22% (1.372) foram afetadas por tiroteios no seu entorno durante o período letivo. Apesar de ainda alarmante, o número reflete uma queda de 27% no número de escolas afetadas em comparação com 2018 – ano com Intervenção Federal no Rio de Janeiro -, quando 1.873 delas tiveram sua rotina alterada. No entanto, embora a tendência seja de queda, ela ainda é preocupante se comparada ao mesmo período de 2017 (922): em dois anos o número de unidades de ensino afetadas saltou 49%.

Apesar da diminuição de 18% no número de registros de tiros no entorno escolar entre 2018 (2.228) e 2019 (1.819), é alarmante o aumento de 21% nos casos em que houve registros de tiros com participação de agentes das instituições de segurança pública – saltando de 520 para 627 casos, de um ano para o outro. Essa tendência diverge da Instrução Normativa da Seseg n° 03, de 02 de outubro de 2018, que determina que sejam evitadas, na medida do possível, operações no entorno de unidades de ensino em horários de grande fluxo escolar, buscando garantir a segurança dos alunos e funcionários, bem como a garantia de direitos como o acesso à educação.

Ao todo, 8 pessoas foram baleadas dentro ou próximo de estabelecimentos de ensino este ano, ninguém morreu. Comparado com o mesmo período de 2018 houve uma aumento de 166% no número de baleados. Em 2018, 3 pessoas foram baleadas – 1 delas morreu.

A zona norte foi a região do Grande Rio que concentrou o maior número de tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas escolares: foram 695 registros, 38% do total. Em seguida vem a zona oeste (369), Baixada Fluminense (279), Leste Metropolitano (274), Centro (108) e zona sul (94).

O Rio de Janeiro, com 1.266 registros (70% do total), foi o município do Grande Rio com o maior número de tiros no entorno de escolas e creches da rede pública e privada. São Gonçalo (164), Belford Roxo (107), Niterói (97) e Duque de Caxias (61) completam o ranking.

A Vila Kennedy, na zona oeste do Rio, foi o bairro da região metropolitana que concentrou o maior número de tiroteios/disparos de arma de fogo próximos a estabelecimentos de ensino: foram 103 registros no total; seguida da Cidade de Deus (92), Complexo do Alemão (83), Tijuca (77) e Maré (44). A Vila Kennedy é o bairro com mais registros de tiros este ano e foi a “campeã” no ano passado, apesar de ter sido considerada o “laboratório da Intervenção“.

No bairro estão as 2 escolas mais afetadas por tiroteio/disparos de arma de fogo no seu entorno: o Espaço de Desenvolvimento Infantil Vila Kennedy teve 57 registros, seguido da Escola Municipal Coronel José Gomes Moreira, com 52 registros. Em seguida, estão empatados o Ciep Doutor Antoine Magarinos Torres Filho (45), a Creche Municipal Raio de Sol (45), a Ação Comunitária Doutor Marcelo Candia Creche Santa Monica (45) e a Creche Espaço Semente (45), localizadas na Tijuca – próximas ao Morro do Borel.

Por ao menos 7 vezes, alunos, professores e funcionários tiveram que se abrigar no corredor das escolas do Grande Rio para se proteger de tiroteios. Entre os casos está da Escola Municipal Wilian Peixoto, na Maré, na zona norte do Rio, durante uma operação da Polícia Civil, no dia 18 de setembro, na qual helicópteros faziam disparos na região.

Lei de suspensão das aulas durante tiroteios aprovada

Diante deste cenário e com base nos dados do Fogo Cruzado, o vereador Junior da Lucinha (MDB) propôs a Lei Nº 6.609/2019, que foi sancionada pelo prefeito Marcelo Crivella e já está em vigor desde junho deste ano. A lei garante a diretores das escolas da Rede Municipal a suspensão das aulas durante tiroteios para garantir a integridade dos alunos, professores e funcionários. Cabe à equipe de Direção da Unidade Escolar fazer uma reunião emergencial e decidir pela suspensão temporária ou manutenção das aulas. Em caso de suspensão, a reposição das aulas deve ser feita dentro do período letivo sem que interfira no período de recesso escolar.

Veja aqui a lista completa de escolas afetadas no Grande Rio.

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