Número de baleados com a presença de agentes também teve queda de 72% este mês

Durante o mês de junho, a plataforma Fogo Cruzado mapeou 321 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio, sendo o sexto menor índice registrado desde que a plataforma foi criada, em julho de 2016, ficando atrás somente de dezembro de 2016 (197), janeiro de 2017 (289), fevereiro de 2017 (298), outubro de 2016 (301) e novembro de 2016 (311). Em comparação com junho de 2019, com 667 tiros, este mês teve queda de 52% na quantidade de tiroteios/disparos. Ao todo, 93 pessoas foram baleadas – destas, 50 morreram. Já em junho de 2019, houve 224 baleados, sendo 109 mortos e 115 feridos. Este mês apresentou queda de 58% no número de baleados (soma de mortos e feridos).

A participação dos agentes de segurança* nos tiros também teve queda de 75% este mês: foram 44 casos em junho de 2020, e 173 no mesmo período de 2019. No total, 43 pessoas foram baleadas em situações com a presença de agentes este mês, destas 18 morreram. Número de vítimas é 72% menor que o registrado em junho de 2019, quando 154 pessoas foram baleadas (sendo 64 mortas e 90 feridas).

Queda nos índices acontece no mesmo mês em que o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu uma liminar (medida provisória) para que operações policiais sejam suspensas dentro de favelas do Rio de Janeiro enquanto houver pandemia pelo novo coronavírus.

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio em junho:

  • O Rio de Janeiro, com 198 registros, concentrou 62% dos tiroteios na região metropolitana do Rio este mês (321). São Gonçalo (37), Duque de Caxias (26), Nova Iguaçu (13) e São João de Meriti (12) vieram em seguida entre os 5 municípios com mais tiros. A capital fluminense também teve o maior número de baleados, foram 40 este mês.
  • Em comparação com maio, que teve 505 tiroteio/disparos de arma de fogo, junho, com 321, teve queda de 36% nos registros. Houve queda de 45% também no número de baleados: foram 93 (50 mortos e 43 feridos) em junho, e 169 (93 mortos e 76 feridos) no mês anterior.
  • Entre os bairros da região metropolitana, a Vila Kennedy teve mais tiros, foram 25 este mês. Em seguida, vem Cordovil (14), Pacheco, em São Gonçalo (13), Anchieta (9) e Complexo do Alemão (8).
  • Em junho, houve 31 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O Complexo do Alemão (10), Rocinha (5), Andaraí (3), Chapéu Mangueira/Babilônia (2) e Barreira do Vasco/Tuiutí (2) foram as áreas com mais registros. Em segundo lugar no ranking com mais tiros, a Rocinha teve 3 baleados.
  • Com 119 tiroteios/disparos de arma de fogo, a zona norte do Rio concentrou 37% dos tiroteios no Grande Rio em junho (321). Na sequência, vem Baixada Fluminense (75), zona oeste (58), Leste Metropolitano** (49), zona sul (10) e Centro (10). Na segunda posição com mais tiros, a Baixada Fluminense foi a região com mais baleados, foram 31 este mês.
  • Em junho, houve 3 casos com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação no Grande Rio, no total, 12 pessoas foram mortas nestas circunstâncias. Não houve presença de agentes em nenhum destes casos. No mesmo período de 2019, houve 7 casos, em que 25 pessoas foram mortas no total. Em 4 casos houve presença de agentes. Este mês houve queda de 57% nos casos com 3 ou mais vítimas, e de 52% na quantidade de mortes nestas circunstâncias.
  • Este mês, 7 agentes de segurança*** foram baleados na região metropolitana do Rio – destes, 6 morreram (4 quando estavam fora e 2 durante o serviço). 1 agente de segurança foi ferido fora do posto de trabalho. Já em junho de 2019, 20 agentes foram baleados, destes 10 morreram. 10 estavam em serviço (3 mortos e 7 feridos) e os outros 10 estavam fora de serviço (7 mortos e 3 feridos).
  • 6 pessoas foram vítimas de balas perdidas**** na região metropolitana do Rio este mês – destas, 1 morreu. Quantidade de vítimas este mês é 57% menor que a registrada em junho de 2019, quando 14 pessoas foram baleadas (sendo 3 mortas e 11 feridas). Entre as vítimas, Jhordan Sousa da Silva, de 22 anos, que foi atingido na mão quando saía da casa da namorada durante um intenso tiroteio na Rocinha, na zona sul do Rio, no dia 14. Além de Jhordan, a ação policial terminou ainda com 1 morto, 1 ferido e 1 policial militar atingido por estilhaços.
  • Este mês, 4 crianças (com idade inferior a 12 anos) e 3 idosos (a partir de 60 anos) foram baleadas no Grande Rio: destes, 4 crianças e 1 idoso morreram. No mesmo período do ano passado, 1 criança, 4 adolescentes e 2 idosos foram baleados: destes, 3 adolescentes e 1 idoso morreram. Entre as vítimas está Kauã Vítor da Silva, de 11 anos, que foi morto ao ser atingido por um disparo acidental na cabeça, no dia 25, no Complexo da Maré, zona norte do Rio.
  • No acumulado do ano – de janeiro até junho -, houve 2.605 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. Ao todo, 1.039 pessoas foram baleadas – destas, 517 morreram e 522 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2019, quando houve 4.174 tiroteios/disparos que deixaram 1.513 pessoas baleadas – sendo 779 mortas e 734 feridas -, este ano teve queda de 38% nos tiroteios e de 31% na quantidade de baleados.

* Presença de Agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

** Leste Metropolitano: região que concentra os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá.

*** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados. 

**** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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