Há um ano operando em Pernambuco, o laboratório de dados sobre violência armada Fogo Cruzado mapeou 1.500 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Recife – uma média de 4 tiroteios/disparos por dia. As ocorrências registradas deixaram 1.103 mortos e 547 feridos, a maior parte delas, no Recife: 369 mortos e 242 feridos. Em 8% das  notificações (118) não houve vítimas.

Uma das informações que merece destaque é o altíssimo número de tiroteios/disparos de arma registrados em casa: foram 120, que deixaram 115 mortos (104 homens e 11 mulheres) e 29 feridos (18 homens e 11 mulheres). “Temos esta ideia de estarmos seguros em casa, mas os números mostram que esta situação não é real. Em um ano, foram em média 10 casos de violência armada dentro de casa por mês. É um número muito alto e que nos fez acompanhar com atenção especial esses casos. Levantando estas informações e disponibilizando os dados para a população, podemos contribuir para o debate e o desenho de políticas públicas que venham a evitar estas mortes”, explica o gestor do Fogo Cruzado em PE, Professor e Pesquisador do Departamento de Sociologia da UFPE e Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Políticas de Segurança (NEPS), José Luiz Ratton

Confira outros dados sobre um ano de atuação da plataforma Fogo Cruzado no Grande Recife:

    • Houve 12 casos envolvendo motoristas de aplicativo, onde 4 pessoas foram mortas, outras 4 foram baleadas – sendo uma delas, adolescente
    • Houve 21 tiroteios/disparos de arma de fogo em bares, que resultaram em 15 mortos e 12 feridos
    • Do total de mortos (1.103), 95% eram homens (1.048)
    • Do total de mortos, 11 eram agentes públicos de segurança
    • Do total de feridos (547), 89% eram homens (488)
    • Do total de feridos, 17 eram agentes públicos de segurança
    • Dentre o total de vítimas, houve 68 adolescentes mortos e 37 feridos
    • Dentre o total de vítimas, houve 6 crianças feridas
    • Do total de registros de tiros (1.500), 7 delas foram dentro de presídios e resultaram em 4 mortos e 8 feridos
    • Os cinco municípios que apresentaram mais tiroteios/disparos ao longo do ano depois de Recife (576) foram: Jaboatão dos Guararapes (221), Olinda (126), Cabo de Santo Agostinho (108), Igarassu (96) e Paulista (80).
    • Os municípios que apresentaram maior número de mortos, depois da capital (369), foram: Jaboatão dos Guararapes (172), Cabo de Santo Agostinho (102), Olinda (87), Igarassu (68) e Paulista (60).
    • Os municípios que apresentaram maior número de feridos foram: Jaboatão dos Guararapes (67), Olinda (52), Igarassu (33), Paulista (31) e Camaragibe (26), depois de Recife (242).
    • Os bairros do Grande Recife que mais registraram tiros foram: Cohab/Recife (45), Ibura/Recife (38), Piedade/Jaboatão dos Guararapes (31), Centro/Igarassu (27), Pina/Recife (27), Cruz de Rebouças/Igarassu (20), Barro/Recife (20) e Várzea/Recife (20)
    • Os bairros do Grande Recife com o maior número de mortos foram: Cohab/Recife (30), Ibura/Recife (28), Piedade/Jaboatão dos Guararapes (26), Centro/Igarassu (21) e Pina/Recife (17)
    • Os bairros do Grande Recife com o maior número de feridos foram: Ibura/Recife (19), Pina/Recife (14), Piedade/Jaboatão dos Guararapes (13), Santo Amaro/Recife (13), Cohab/Recife (11), Várzea/Recife (11) e Nova Descoberta/Recife (11)
    • Em toda a RMR, 68 adolescentes foram mortos, 37 ficaram feridos e 6 crianças ficaram feridas. Os municípios com maior incidência de morte de adolescentes foram Recife (19), Cabo de Santo Agostinho (10), Paulista (9), Olinda (6), Camaragibe (6) e Igarassu (6).
    • Ao longo do ano, houve 71 casos de homicídios múltiplos, com um total de 155 mortos (136 homens e 19 mulheres). Foram 60 homicídios duplos, 9 homicídios triplos e 2 homicídios quádruplos.
    • Os meses que apresentaram maior número de tiroteios/disparos foram novembro (143), julho (139) e maio (135) de 2018. Maio foi o mês que registrou a maior variação percentual de aumento nos registros, com 23.85% de notificações a mais em relação ao mês anterior. Já o mês de agosto registrou a maior queda nas notificações, com -20.14% em comparação com julho do mesmo ano.

“É provável que estes números sejam ainda maiores. Atualmente, o laboratório de dados Fogo Cruzado é a única fonte de informação sobre violência armada em Pernambuco. As fontes governamentais apresentam dados brutos  de homicídios, mas não trazem informações específicas sobre o tipo de arma que causou a morte. O Fogo Cruzado foi criado justamente para preencher esta lacuna de informação e assim, contribuir com o debate sobre segurança pública. É uma informação independente gerada de maneira participativa pela sociedade civil. Por isso, é muito importante que cada vez mais pessoas notifiquem casos na plataforma, afim de fazer com que o retrato da violência armada na RMR seja o mais fiel possível e assim, possam ser construídas políticas mais efetivas”, diz Ratton.