Estudo, que foi feito pela UFF incluindo dados do Fogo Cruzado, prevê ainda que em 1 ano 468 vidas poderão ser poupadas

Um estudo feito pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF) e da plataforma Fogo Cruzado mostrou que ao menos 9 vidas foram poupadas por semana desde que foi decretada, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão de operações policiais em favelas do Rio de Janeiro durante a pandemia do novo coronavírus, em 5 de junho deste ano.

Entre os dias 5 e 19 de junho, 15 dias desde a decisão do Ministro Edson Fachin, houve uma redução de 75,5% das mortes decorrentes de operações policiais em relação à média de mortes no mesmo período entre os anos de 2007 e 2019, e de 49,6% em relação aos feridos.

Como dado especulativo-projetivo, a decisão do STF teria preservado 18 vidas somente neste período de 15 dias, o que representa ao menos 9 mortos por semana. Caso decisão continue em vigor após um ano, contando 9 mortos a cada semana, nas 52 semanas do ano, estima-se que cerca de 468 vidas de cidadãos comuns e policiais terão sido poupadas. 

Morto dentro de casa

Rafaela ao lado do filho João Pedro Mattos — Foto: Arquivo Pessoal

Decisão Supremo Tribunal teve como base os últimos acontecimentos envolvendo o adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morto durante operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no dia 18 de maio. O adolescente, que teria completado 15 anos no último dia 23 de junho, foi baleado dentro de casa e levado de helicóptero pela polícia, só sendo localizado pela família no dia seguinte. 

Ainda de acordo com a Medida Cautelar, operações policiais só poderão ser realizadas salvo em casos excepcionais, que deverão ser justificados por escrito pela autoridade competente e comunicados ao Ministério Público estadual, órgão responsável pelo controle externo da atividade policial. 

3 meses de quarentena

Durante os 3 meses de quarentena, entre os dias 14 de março e 13 de junho, a plataforma Fogo Cruzado mapeou 1.405 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. Ao todo, 468 pessoas foram baleadas durante o isolamento social, destas, 239 morreram. Além de João Pedro, outras 7 pessoas também foram baleadas durante o isolamento social quando estavam dentro de casa.

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