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Dossiê Criança e Adolescente 2018

Uma criança de 9 anos foi morta por bala perdida na tarde de ontem (22) na Fazendinha, no Complexo do Alemão, Zona Norte. Até o momento (23.11), o Fogo Cruzado mapeou 24 crianças* atingidas por bala perdida no Grande Rio. 4 delas morreram.

Hoje o Instituto de Segurança Pública lançou o Dossiê Criança e Adolescente 2018. O estudo mostrou que 25 áreas do estado concentram 37% dos casos de letalidade violenta – a soma de – homicídio doloso – homicídio decorrente de intervenção policial – latrocínio (roubo seguido de morte) – lesão corporal seguida de morte.

 

De acordo com o ISP, acompanhando a tendência nacional, o estado do Rio de Janeiro também registrou um aumento de letalidade violenta contra crianças e adolescentes nos últimos anos. Nas mortes violentas, 90,5% dos adolescentes e 51,9% das crianças foram mortos por disparo de arma de fogo. A letalidade contra o grupo tende a se intensificar à medida que nos aproximamos de uma área sujeita ao controle ilegal do território.

Entre 1980 e 2014, 218.580 crianças e adolescentes foram assassinados no país. Acompanhando a tendência nacional, houve no estado do Rio de Janeiro um expressivo agravamento da violência letal contra crianças e adolescentes na última década. Em 2017, 635 crianças e adolescentes foram assassinados no estado do Rio de Janeiro. Esse número pode estar subestimado devido à ausência de idade em 13,8% dos registros de ocorrência de letalidade violenta.

O Dossiê destaca que a letalidade violenta atinge fortemente os negros e pardos. O Gráfico 9 mostra que, no estado do Rio de Janeiro, a taxa da letalidade violenta para crianças e adolescentes negros é quase 9 vezes maior do que a taxa entre as crianças e adolescentes brancos (45,3 vítimas por 100 mil habitantes negros de 0 a 17 anos contra 5,1 vítimas brancas). A taxa para crianças e adolescentes pardos é 3 vezes mais do que para brancos. “Quanto mais escuro o tom da pele, maior é a vulnerabilidade de sofrer morte violenta intencional”, frisa o Dossiê.

Outro destaque da publicação é em relação às circunstâncias por trás das mortes violentas de crianças e adolescentes, que de acordo com os pesquisadores do ISP, assumem perfis distintos das de adultos. Um fator importante desta análise diz respeito à quantidade de vítimas fatais em uma mesma ocorrência. O Gráfico 11 mostra que as vítimas de homicídio crianças e adolescentes têm maior participação nos homicídios múltiplos, ou seja, quando mais de uma pessoa é assassinada em um mesmo evento ou circunstância. Do total de homicídios dolosos de adultos, 15% vitimaram mais de uma vítima. Este percentual é quase o dobro para crianças e adolescentes (29%).

Em 2017 o Fogo Cruzado contabilizou 56 ocorrências tinham registro de 3 mortos civis ou mais, num total de 219 vítimas fatais. A maioria foi registrada no Rio de Janeiro (34), seguido de São Gonçalo (8), Nova Iguaçu (5) e Duque de Caxias (5). Até o momento (23.11) já foram registrados 60 casos com 3 mortos civis ou mais, num total de 234 vítimas fatais. Ou seja, apesar de ainda faltar pouco mais de um mês para o fim do ano, os números de 2018 já bateram 2017.

Mais de um quarto da letalidade violenta contra adolescentes no estado do Rio de Janeiro é composta pelos homicídios decorrentes de intervenção policial, que em 2017 totalizou 174 vítimas. De acordo com o Dossiê,  houve um agravamento da violência letal na última década no estado do Rio de Janeiro tanto para adultos quanto para crianças e adolescentes, porém este agravamento foi mais acentuado para crianças e adolescentes. “Existe no estado um enorme problema quanto à cooptação de jovens por facções do crime organizado que exercem o controle armado em áreas pobres”, afirma a publicação.

 

*Crianças até 12 anos incompletos, de acordo com a definição da UNICEF.

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