Número de mulheres baleadas diminuiu 14% em comparação com 2019

Por Gabrielli Thomaz, Mayara Mangifeste e Olivia Kerhsbaumer

Até o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Fogo Cruzado mapeou 36 mulheres baleadas* na região metropolitana do Rio em 2020. Destas, 5 morreram. No mesmo período do ano passado, 42 mulheres haviam sido baleadas na região. Sendo 20 mortas e 22 feridas. Isso mostra uma queda de 14%.

Do total de vítimas este ano, 22 foram atingidas por balas perdidas**, entre elas Rebeca Nunes, 19 anos, morta por bala perdida no último dia 29 de fevereiro, enquanto estava em um ponto de ônibus na Estrada Grajaú-Jacarepaguá, em Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio. Além disso, 4 foram baleadas quando estavam dentro de casa e 1 era agente de segurança***.

Rebeca Nunes, 19 anos – Facebook / Reprodução

Violência em qualquer idade

A violência armada vitimou meninas e mulheres de todas as idades – crianças, adolescentes e adultas. No total 36 foram baleadas este ano no Grande Rio: 4 eram crianças (com idade inferior a 12 anos), 4 eram adolescentes (entre 12 anos e 18 anos incompletos) e 2 idosas (a partir de 60 anos). Destas, 1 criança e 1 idosa morreram. 

Nicole Mariah Carvalho, de 3 anos, foi a vítima mais nova baleada durante um tiroteio este ano. A criança saía de uma igreja com a mãe e a avó em Bangu, zona oeste do Rio, em 5 de fevereiro, quando ocupantes de um carro passaram atirando. 

Lisete Pereira, a vítima mais velha, com 78 anos, foi atingida por uma bala perdida quando estava no quintal de casa no dia 5 de janeiro, durante um tiroteio no bairro Arsenal, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio.  

No dia 22 de fevereiro, Yasmin de Carvalho Neves, de 17 anos, foi baleada quando estava dentro do carro com seu pai e seu irmão, na Favela Rodrigues Alves, no bairro Rio Imbariê, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Seu pai e seu irmão também foram baleados, o irmão não resistiu aos ferimentos e morreu 2 dias depois. O carro que a família estava foi alvo de disparos feitos por homens que estavam em quatro motocicletas, enquanto esperavam amigos com os quais viajariam para a Região dos Lagos. A família acredita que o carro tenha sido confundido.

* Números com base em informações de imprensa e comunicações oficiais das instituições de segurança em que o gênero das vítimas foi informado.

** “Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

*** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

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