Operações e ações policiais são as principais causas de adolescentes serem baleados

Nos últimos cinco anos, um adolescente foi baleado a cada cinco dias na Região Metropolitana do Rio. Dos 378 baleados mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado, mais da metade morreu (190).

Em 2021, até o Dia do Adolescente, houve 30 vítimas no Grande Rio, das quais 10 morreram – uma média de três baleados por mês. Considerando os períodos entre 1º de janeiro e 21 de setembro, este é o segundo ano com menos adolescentes vitimados, ficando atrás apenas de 2020, quando  28 adolescentes foram baleados .

Dois em cada três adolescentes foram baleados durante operações e ações policiais, mas nem sempre foi possível encontrar abrigo em meio aos tiroteios, e algumas vezes, estar em casa não foi suficiente para escapar. Tanto que 5 adolescentes foram atingidos por balas perdidas* – sendo que 3 deles dentro do próprio lar. Entre as vítimas estava Nicole da Silva Araújo, de 12 anos, que chegava da escola quando começou um tiroteio na Vila Candoza, em São Gonçalo, no dia 19 de março.

Para Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto, é dever do estado zelar pela integridade física da população e garantir que pequenos cidadãos cresçam e se desenvolvam de maneira sadia e segura. “Os dados levantados pelo Fogo Cruzado mostram que estas pessoas não estão seguras nem em casa. É preciso que o governo do estado apresente soluções para esta violência”, reitera.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, que completou 31 anos em julho, reforça que toda criança e adolescente têm direito de proteção à vida, permitindo assim o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Porém, os moradores da Grande Rio não tiveram esse direito garantido.

Locais mais afetados

São Gonçalo foi o lugar mais perigoso para os jovens do Grande Rio, chegando a 12 baleados no município. Em seguida, vieram a cidade do Rio de Janeiro (9), Niterói (3), São João de Meriti (2) , Japeri (2) e Maricá (2). A maior parte das vítimas se concentrou no Leste Metropolitano, foram 17 no total.

Os bairros que concentraram mais vítimas foram Nova Belém – Japeri (2), Inoã – Maricá (2), Engenho Pequeno – São Gonçalo (2), Galo Branco – São Gonçalo (2).

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Instituto Fogo Cruzado usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da Instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real. Elas estão disponíveis no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

*Vítima de bala perdida: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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