A zona norte, epicentro da Covid-19, concentrou 40% dos tiroteios no período de isolamento

No primeiro mês de quarentena no Rio, o número de tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana caiu 46%. O registro foi feito entre os dias 14 de março e 13 de abril, quando foi decretada a limitação da circulação e do exercício de atividades não essenciais como medidas para a não propagação do novo coronavírus. A plataforma Fogo Cruzado registrou 460 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio neste período. Ao todo, 137 pessoas foram baleadas durante a quarentena – destas, 58 morreram. 

Em comparação com o mesmo período de 2019, quando houve 839 tiroteios no Grande Rio, 129 pessoas foram mortas e 133 ficaram feridas, o isolamento social representou ainda uma queda de 55% no número de mortos e 41% no número de feridos. Houve também queda de 47% na quantidade de tiroteios com a presença de agentes de segurança*, foram 125 neste primeiro mês e 236 no mesmo período do ano anterior. 

Dentre os baleados houve 15 agentes de segurança**, 7 mulheres, 3 crianças (com idade inferior a 12 anos), 2 adolescentes (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) e outras 7 pessoas foram vítimas de balas perdidas*** no Grande Rio. Houve ainda 1 pessoa baleada dentro de casa e 3 casos com 3 ou mais mortos civis em uma mesma situação, no total, 9 civis foram mortos nestas circunstâncias. 

Entre as vítimas está Roberta Leite, de 41 anos, atingida por bala perdida no dia 12 de abril, no Parque das Missões, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, durante tiroteio na Linha Vermelha. Além dela, seu filho de 3 meses, Riquelme Leite Luciano, foi atingido por estilhaços.

Médias diárias

Com uma média diária de 14 tiroteios, o período pré-quarentena (entre 1º de janeiro e 13 de março) somou 1.024 registros este ano. Apesar da redução em relação ao mesmo período de 2019, o mês de isolamento apresentou reversão na tendência de queda de tiroteios/disparos de arma de fogo. A região metropolitana do Rio teve um aumento de 6% na média diária de disparos de arma de fogo durante o primeiro mês de isolamento social, foram 460 registros que indicaram uma média de 15 tiroteios por dia. 

Em contrapartida, houve uma queda de 19% na média dos tiroteios com participação de agentes de segurança (foram 363 no período pré isolamento, média de 5 tiroteios diários e 125 durante a quarentena, média de 4 tiroteios diários).

Houve queda de 47% também na média diária de mortos na região metropolitana do Rio: foram 256 mortos antes da quarentena, cerca de 4 mortos por dia neste período e 58 mortos durante o isolamento, média diária de 2 mortos durante o primeiro mês de quarentena.

265 pessoas ficaram feridas entre os dias 1º de janeiro e 13 de março e 79 entre os dias 14 de março e 13 de abril, o que representa uma queda de 31% na média diária de feridos: 4 no período pré isolamento e 3 durante o distanciamento social.

Regiões

A zona norte do Rio, considerada o novo epicentro da Covid-19, registrou também o maior número de tiroteios, foram 184 registros, 40% de todo o acumulado na região metropolitana do Rio durante o período de isolamento (460). Em seguida vem zona oeste (92), Baixada Fluminense (91), Leste Metropolitano (70), Centro (13) e zona sul (10). O Leste Metropolitano – formado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá – teve o maior número de mortos (22) e de feridos (27).

Foi no Leste Metropolitano que a pequena Adrelany Pacheco de Lima, de 3 anos, foi atingida por bala perdida na perna, no dia 2 de abril, quando voltava para casa com a mãe, em São Gonçalo, durante tiroteio na região. 

Municípios

O município do Rio de Janeiro concentrou, com 299 registros, 65% de todos os tiroteios no Grande Rio durante a quarentena (460). Em seguida vêm São Gonçalo (46), Duque de Caxias (32), Niterói (17) e Belford Roxo (17).

Bairros

Entre os bairros, a Vila Kennedy (31), Cidade de Deus (19), Quintino Bocaiúva (14), Complexo do Alemão (12), Costa Barros (11) e Realengo (11) foram os do Grande Rio com mais tiroteios durante o primeiro mês da quarentena. 

* Presença de Agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

** Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.

*** Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

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