Houve também um aumento de 94% no número de feridos por armas de fogo


Completando 7 meses de isolamento, a plataforma Fogo Cruzado registrou uma média de 5 tiroteios por dia na Região Metropolitana do Recife. Foram 1.048 tiroteios/disparos de arma de fogo no período de 21 de março a 20 de outubro.

Em comparação com o mesmo período de 2019 – quando houve 741 tiroteios – estes 7 meses de isolamento representaram um aumento de 41% nos registros. Neste período, 1183 pessoas foram baleadas: 716 mortas e 467 feridas. O aumento mais expressivo em comparação aos mesmos 7 meses de 2019 foi em relação aos feridos: em 2020, este número foi 94% maior que o ano passado – que registrou 241 pessoas feridas.

Perigo em casa

Apesar das medidas de isolamento impostas devido ao coronavírus, a população continuou exposta a violência armada, mesmo dentro de casa. Isto porque houve aumento de 53% no número de pessoas baleadas dentro de residências: 124 pessoas foram atingidas, destas, 101 morreram. Já no mesmo período de 2019, 81 pessoas foram vítimas da violência armada em casa – 65 delas morreram. 

Confira alguns destaques sobre a violência armada nesses 7 meses de quarentena no Grande Recife:

  • O número de pessoas vítimas de bala perdida teve uma expressiva variação comparado ao mesmo período do ano passado. 6 pessoas morreram e 30 ficaram feridas nestas circunstâncias – um aumento de 100% no número de mortos e 173% no número de feridos em comparação com o mesmo período de 2019, quando houve 3 mortos e 11 feridos por bala perdida. No dia 17 de agosto, Thifany Vitória do Nascimento Gomes, de 8 anos, e uma mulher não identificada, foram atingidas por bala perdida dentro de uma padaria na Rua Sucupira, em São Lourenço, Goiana. Thifany não resistiu aos ferimentos e morreu. O alvo dos disparos, um homem de 35 anos, também morreu.
  • Entre as 1.183 pessoas baleadas durante a quarentena, 61 eram adolescentes (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) 7 eram crianças (menores de 12 anos) e 11 eram idosas (a partir de 60 anos). Destes, 38 adolescentes, 1 criança e 6 idosos morreram. Entre as vítimas está Lucas da Luz Márcio da Rocha, de 17 anos, morto a tiros durante uma operação policial, no Alto da Colina, Jaboatão dos Guararapes, na noite do dia 17 de outubro. Lucas foi baleado ao ser confundido pela PM.
  • Nos 7 meses de quarentena, 77 mulheres foram baleadas no Grande Recife – sendo 36 mortas e 41 feridas. No dia 31 de agosto, Tatiana Alves dos Santos, de 38 anos, foi encontrada morta a tiros e amarrada em uma pedra no rio, em Brasília Teimosa, no Recife. Tatiana, vítima de feminicídio, estava bebendo com seu companheiro um dia antes, quando desapareceu.
  • 7 agentes de segurança* foram baleados no Grande Recife durante a quarentena, destes, 4 morreram. No mesmo período de 2019, foram 10 agentes baleados, 3 deles morreram. Em 9 de abril, Luiz Carlos Vitorino da Paz, policial militar aposentado, foi morto a tiros na BR-408, próximo à entrada de Muribara, São Lourenço da Mata. Ele estava em  um carro, quando os ocupantes de um outro veículo começaram um tiroteio, atingindo o policial, que perdeu o controle do veículo onde ele estava e caiu em uma ribanceira.
  • Além disso, houve ainda 4 vendedores ambulantes e 2 motoristas de aplicativo baleados no Grande Recife durante a quarentena. O vendedor ambulante João Xavier de Melo, de 49 anos, foi morto com um tiro na cabeça no dia 14 de setembro, no bairro da Boa Vista, Recife. João, que trabalhava no local há mais de 10 anos vendendo caldo de cana e lanches, foi morto por um ocupante de um carro que parou no local e efetuou o disparo.
  • 40 pessoas foram baleadas dentro de bares neste período de quarentena – 24 morreram e 16 ficaram feridas. Em 5 de setembro, uma briga entre o major da Polícia Militar José Dinamérico Barbosa da Silva Filho, de 49 anos, e o policial penal Ricardo de Queiroz Costa, de 40 anos, terminou em tiroteio com 3 pessoas mortas – incluindo 2 idosos – e 4 feridas. O caso aconteceu em um bar na Rua Professor José Brandão, no bairro de Boa Viagem, Recife.
  • Nestes 7 meses, houve ainda 8 casos com 3 ou mais civis mortos a tiros em uma mesma situação, deixando 26 mortos no total. No dia 9 de agosto, 5 pessoas foram mortas e outras 12 ficaram feridas, entre elas uma criança de 11 anos, após ocupantes em dois carros efetuarem disparos na direção das vítimas em Ipojuca. O primeiro ataque aconteceu na Praça Rurópolis, onde 3 pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas. Em seguida, o segundo ataque ocorreu na rodovia PE-60, nas proximidades da lombada eletrônica, onde mais 2 pessoas morreram.
  • 15 pessoas foram baleadas em presídios neste período de quarentena – 2 morreram. Em 24 de setembro, uma briga deixou 3 pessoas baleadas no Presídio Marcelo Francisco de Araújo (Pamfa), Complexo Prisional do Curado, Recife. Uma delas, o detento Bruno Daniel Barreto dos Santos, de 23 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu.
  • O município do Recife liderou o ranking de tiroteios/disparos de arma de fogo nesses 7 meses de quarentena, com 412 registros, seguido de Jaboatão dos Guararapes (171), Olinda (104) e Cabo de Santo Agostinho (98).
  • No ranking dos bairros mais afetados por tiroteios, Coelhos, no Recife, ocupou o primeiro lugar com 22 tiroteios/disparos, seguido por Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho, e Cohab, no Recife, ambos com 18, e Muribeca, Jaboatão, com 17 registros de tiroteios/disparos de arma de fogo.

* Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

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