Houve aumento também nos números de mortos e feridos em tiroteios com presença de agentes de segurança

Nos 4 meses de isolamento social, a plataforma Fogo Cruzado registrou 1.701 tiroteios/disparos de arma de fogo no Grande Rio. O número representa uma queda de 40% em comparação com o mesmo período de 2019, quando houve 2.817 tiroteios/disparos. Durante os tiroteios mapeados, 282 pessoas morreram e 275 ficaram feridas – uma queda de 42% no número de mortos e 44% no de feridos em relação à 2019, quando 485 pessoas morreram e 494 ficaram feridas. O levantamento, baseado no decreto que adotou as primeiras medidas de restrição no estado, foi feito entre os dias 14 de março e 13 de julho. Apesar do afrouxamento gradual das atividades, alguns serviços como ensino nas escolas públicas e privadas seguem paralisados.

Mesmo com a queda nos números de tiroteios, mortos e feridos, o isolamento social não foi suficiente para proteger as crianças* da violência armada: durante os 4 meses de quarentena, 5 crianças morreram e 2 ficaram feridas. O número de crianças mortas é 150% maior do que no mesmo período de 2019, que teve 2 crianças mortas. As trágicas mortes das 5 crianças ocorreram no subúrbio: nos bairros de Anchieta e Maré, na Zona Norte da capital, e em Belford Roxo, Magé e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. 

O pequeno Ítalo Augusto de Castro Amorim, de 7 anos, foi a última criança morta no período: no dia 30 de junho, o menino brincava no portão de casa, no bairro Éden, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, quando foi baleado durante ação policial na região. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

Participação de agentes de segurança

Dos 1.701 tiroteios/disparos de arma de fogo, 430 (25%) tiveram presença de agentes de segurança**. O número é 46% menor do que no mesmo período do ano passado: foram 2.817 tiroteios, 793 com presença de agentes. Os números de mortos e feridos nessas ocasiões, no entanto, representam a maior parte do total registrado na região. Dos 282 mortos, 191 (68%) morreram em tiroteios com presença de agentes de segurança. Entre os 275 feridos, 244 (89%) foram atingidos nessas situações. 

Médias diárias

Com 1.701 registros, o Grande Rio teve uma média de 14 tiroteios por dia durante a quarentena (14 de março a 13 de julho). O número é o mesmo da média de tiroteios registrados na pré-quarentena (1° de janeiro a 13 de março), que teve 1.024 tiroteios. Durante o período de quarentena, a região teve uma média de 2 mortos e 2 feridos por dia.

Regiões

A Zona Norte do Rio permaneceu como a região com mais tiroteios durante a quarentena: com 617, a região concentrou 36% do total de tiroteios do Grande Rio (1.701). Na sequência, ficaram Baixada Fluminense, com 356 tiroteios, Zona Oeste (315), Leste Metropolitano*** (308), Centro (68) e Zona Sul (37).

Municípios

O Rio de Janeiro liderou o ranking dos 5 municípios com mais tiroteios, com 1.037 registros. Em seguida, vieram São Gonçalo (197), Duque de Caxias (103), Niterói (75) e Belford Roxo (72). Além de mais tiroteios, o Rio concentrou também mais mortos (104) e mais feridos (122).

Bairros

Entre os bairros, os 5 com mais tiroteios foram Vila Kennedy (118), Complexo do Alemão (54), Cidade de Deus (49), Tijuca (40) e Vicente de Carvalho (38).

*Crianças: Com idade inferior a 12 anos

** Presença de agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

*** Leste Metropolitano é composto por: Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá, que fazem parte da Região Metropolitana do Rio juntamente com os 13 municípios que compõem a Baixada Fluminense e a cidade do Rio de Janeiro.

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