Número de mortos e feridos também aumentou no período

Mesmo em quarentena, a violência armada não parou de crescer. Após completar 3 meses de isolamento pelo novo coronavírus no Grande Recife, a plataforma Fogo Cruzado registrou aumento na incidência de tiroteios, mortos e feridos. No período de 21 de março a 20 de junho, houve 471 disparos/tiroteios de arma de fogo – um aumento de 32% em relação ao número de tiroteios no mesmo período do ano passado (358). Apesar da diminuição na circulação de pessoas, o número de vítimas e feridos também aumentou: foram 311 mortos e 211 feridos; em 2019, foram 248 e 126, respectivamente. 

Se por um lado as medidas de isolamento social visam proteger as pessoas do avanço do coronavírus, tais medidas não foram capazes de protegê-las da violência, uma vez que muitas foram baleadas mesmo dentro de suas residências: 34 pessoas foram mortas e 9 ficaram feridas dentro de casa. Dentre os casos, está o de Alessandra Machado Nunes, de 45 anos, e sua filha de 18 anos, mortas a tiros dentro de casa no dia 27, no Cabo de Santo Agostinho. 

Confira alguns destaques sobre a violência armada nesses 3 meses de quarentena:

  • Recife liderou o ranking de municípios com o maior número de tiroteios/disparos de arma de fogo durante os 3 meses de quarentena, com 176 registros; em seguida, Jaboatão dos Guararapes, com 84, e Olinda, com 57 registros. Comparado ao mesmo período do ano passado, Recife, Jaboatão e Olinda tiveram aumento no número de tiroteios/disparos de arma de fogo: 49%, 6% e 83%, respectivamente.
  • Águas Compridas, em Olinda, liderou o ranking de bairros com o maior número de tiroteios/disparos de arma de fogo durante os 3 meses da quarentena com 10 registros, seguida de Santo Aleixo, em Jaboatão dos Guararapes, Ponte dos Carvalhos, no Cabo de santo Agostinho, Torrões, no Recife, e Coelhos, também no Recife, todos empatados em segundo lugar com 9 registros. 
  • Dentre os baleados, houve 33 mulheres – 17 mortas e 16 feridas. Uma delas, uma adolescente de 17 anos que estava grávida de seis meses e foi morta a tiros junto a um rapaz, que também foi morto, no Alto da Bondade, em Olinda.
  •  Ainda, 1 criança (com idade inferior a 12 anos) e 36 adolescentes (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) foram baleados – destes, 23 adolescentes morreram. É o caso de José Kevin da Silva Santos, de 17 anos, que foi morto a tiros na Estrada Nova Cruz, no Mangue Seco, em Igarassu. José estava dentro de casa quando 4 homens, que se identificaram como policiais, o arrastaram para frente de sua residência e atiraram várias vezes. 
  • Neste período, 4 agentes de segurança* foram baleados – destes, 3 morreram. Um soldado da Aeronáutica, identificado como João Miguel, foi baleado dentro da Base Aérea Militar do Recife, localizada no bairro do Jordão, no dia 24 de maio.
  • Apesar das medidas de isolamento, 9 pessoas foram baleadas dentro de bares no Grande Recife – 7 morreram e 2 ficaram feridas. No dia 5 de abril, Elias Santos da Rocha, de 25 anos, foi morto a tiros enquanto bebia em um bar na rua Vivendo por Viver, em Igarassu.
  • 11 pessoas foram vítimas de bala perdida – nenhuma morreu. Comparado ao mesmo período de 2019 (com 4 baleados) houve um aumento de 175% no número de vítimas. Dentre as vítimas do período de quarentena está uma criança de apenas 2 anos identificada como Ana Gabriela de Lima, atingida nas costas na Rua Jardim Tocandira, em Santa Rita, Igarassu, em 10 de maio.
  • Neste período, a plataforma Fogo Cruzado registrou 2 casos com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação, deixando 6 mortos no total. Em 2019, entre os dias 21 de março e 20 de junho, houve 2 casos que também deixaram 6 mortos.
  • 1 motorista de aplicativo foi baleado durante o período de quarentena no Grande Recife. A vítima, de 33 anos, foi baleada numa tentativa de assalto no bairro do Prado, em Recife, no dia 9 de abril. Na ocasião, ele conseguiu dirigir até o hospital e ser socorrido.
  • 1 vendedora ambulante foi baleada nesses 3 meses de quarentena no Grande Recife. Melissa de Brito Rocha, de 26 anos, estava grávida de 9 meses e foi baleada enquanto vendia lanches na rua Doze, em Maranguape I, Paulista, no dia 26 de março. Ela foi socorrida pela mãe que estava próxima ao local. Mãe e bebê sobreviveram.
  • No dia 11 de abril, uma briga entre detentos do Presídio Frei Damião de Bozzano, no Complexo do Curado, em Recife, terminou com 6 baleados – 1 deles morreu. Este foi o segundo tiroteio dentro de presídios no Grande Recife em 2020. 

* Agentes de segurança incluem policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados.


Deixe um Comentário





2 × quatro =