Quase metade das vítimas são crianças e adolescentes

Por: Paula Napolião

O primeiro semestre de 2020 foi marcado não apenas pelo isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, mas também pela violência em suas mais diversas formas – inclusive quando não estavam envolvidas diretamente nos eventos violentos, que é o caso daqueles atingidos por balas perdidas*.

De janeiro a junho de 2020, os casos de balas perdidas aumentaram 83% em relação ao mesmo período do ano passado: foram 22 casos este ano e 12 em 2019. Em relação ao número de vítimas, o aumento é ainda maior – 117%, com 26 baleados neste ano e 12 ano passado.

Muito se fala popularmente que balas perdidas não possuem endereço certo, mas os números mostram que estas se concentram em alguns municípios. No ranking dos locais com maior incidência de balas perdidas está o município de Recife, onde houve 7 casos. A cidade liderou também o ranking geral de tiroteios na Região Metropolitana. Em seguida está Olinda, que apesar de aparecer apenas em 4° lugar no ranking de cidades mais afetadas pela violência armada, registrou 4 casos de balas perdidas. 

A maioria dos tiroteios que deixam vítimas de balas perdidas derivam de homicídios ou tentativa de homicídios (14) nos quais pessoas que não eram o alvo acabaram sendo baleadas. 

Infância e adolescência interrompidas 

Chama a atenção ainda o fato de que quase metade das vítimas eram crianças e adolescentes: 10 vítimas tinham menos de 18 anos – destas, 1 adolescente* e 1 criança** morreram. 

São vidas que desde muito novas, conhecem a violência, como foi o caso de uma criança de 6 anos ferida na cabeça durante um bloco de carnaval em São Lourenço da Mata, no Grande Recife. Ela estava com o padrasto, que também foi atingido. Ambos sobreviveram. A família, que veio de Alagoas para Pernambuco no ano passado, pretende voltar ao seu estado de origem ainda este ano por medo da violência em Pernambuco. 

Ana Gabriela de Lima, de apenas 2 anos não teve a mesma sorte. Atingida nas costas quando estava dentro de casa, em Santa Rita, Igarassu, ela não resistiu aos ferimentos.

Os números não são capazes de exprimir a dor de perder alguém de maneira tão abrupta e, no caso de crianças e adolescentes, com tanta vida pela frente. Mas os dados certamente nos dão base para pensar melhores políticas públicas para conter a violência armada e o alto número de vítimas. É esta a importância de quantificar os casos – sem deixar, no entanto, de dar um nome e um rosto a eles.

* Com idade inferior a 12 anos 

** Com idade entre 12 anos até 18 anos incompletos


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